{"id":901,"date":"2025-03-03T09:50:42","date_gmt":"2025-03-03T12:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/?p=901"},"modified":"2025-03-17T16:03:04","modified_gmt":"2025-03-17T19:03:04","slug":"controle-de-vibracoes-no-uso-de-explosivos-determinando-cargas-com-base-na-velocidade-de-particula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/2025\/03\/03\/controle-de-vibracoes-no-uso-de-explosivos-determinando-cargas-com-base-na-velocidade-de-particula\/","title":{"rendered":"Controle de vibra\u00e7\u00f5es no uso de explosivos: determinando cargas com base na velocidade de part\u00edcula."},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos grandes desafios do desmonte de rochas \u00e9 a previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es. Saber de antem\u00e3o quais ser\u00e3o os n\u00edveis de vibra\u00e7\u00e3o sem que se tenham dados pr\u00e9vios \u00e9 um problema. Problema porque, literalmente, ataca-se essa quest\u00e3o com um enfoque estat\u00edstico, matem\u00e1tico. Ou pelo menos deveria ser este o caminho. Mas a maioria das pessoas aborda este assunto com muito mais especula\u00e7\u00e3o do que o bom senso apoiado no m\u00e9todo cientifico pode suportar sem desabar. Espero que este pequeno texto possa ser um guia para ajudar a quem quer que precise iniciar um projeto de desmonte onde o controle de vibra\u00e7\u00f5es seja um fator cr\u00edtico. N\u00e3o ser\u00e1 uma viagem profunda aos detalhes f\u00edsicos e matem\u00e1ticos que suportam a teoria aqui apresentada, mas, mesmo assim, servir\u00e1 como um apoio pr\u00e1tico e r\u00e1pido para ajudar no projeto das cargas explosivas. Se voc\u00ea desejar um aprofundamento na teoria, diversas fontes est\u00e3o presentes no texto para guiar voc\u00ea a uma leitura mais detalhada com um rigor maior. Tamb\u00e9m, ao final, est\u00e1 uma pequena bibliografia que poder\u00e1 lhe ajudar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entendendo o que, exatamente, estamos medindo.<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o estamos medindo ondas de choque.<br><\/strong>Certamente voc\u00ea j\u00e1 ouviu algo como &#8220;\u2026as ondas de choque provenientes do desmonte de rochas com explosivos\u2026&#8221;. O termo onda de choque \u00e9 constantemente utilizado. Muitas pessoas acreditam que as oscila\u00e7\u00f5es que medimos com o uso do geofone foram causadas pela passagem de ondas de choque. Provavelmente n\u00e3o foram. De fato, pr\u00f3ximo ao furo, na zona de fragmenta\u00e7\u00e3o, existe a forma\u00e7\u00e3o de ondas de choque. Uma das condi\u00e7\u00f5es para que uma onda seja classificada como onda de choque \u00e9 que sua velocidade de propaga\u00e7\u00e3o deve ser maior que a velocidade de propaga\u00e7\u00e3o do meio. Mas essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta sem que a fonte mantenha um fornecimento cont\u00ednuo de (muita) energia, ocasionando, desta forma, um estado de &#8220;choque&#8221;. A uma certa dist\u00e2ncia do desmonte, as ondas j\u00e1 se transformaram em ondas mec\u00e2nicas simples e, a n\u00e3o ser que voc\u00ea tenha errado muito no dimensionamento do seu desmonte, a dezenas ou centenas de metros dos furos com explosivos, as oscila\u00e7\u00f5es s\u00e3o causadas por ondas comuns, no regime el\u00e1stico do meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um avi\u00e3o quebra a barreira do som emite continuamente ondas de choque justamente porque continua se movendo acima da velocidade do som. Mas isso custa energia, deve-se queimar combust\u00edvel. Quando a coluna de explosivos termina de detonar, n\u00e3o existe mais uma fonte supers\u00f4nica, n\u00e3o h\u00e1 como manter por uma dist\u00e2ncia muito grande ondas de choque no meio. Os pulsos que inicialmente come\u00e7aram como ondas de choque j\u00e1 se atenuaram e agora se propagam com a velocidade de propaga\u00e7\u00e3o do maci\u00e7o. S\u00e3o apenas ondas mec\u00e2nicas, comuns. Pode ser que estes pulsos carreguem grande quantidade de energia, mas ainda assim, n\u00e3o s\u00e3o ondas de choque. <br>Mas que fique bem claro: voc\u00ea pode &#8220;enviar&#8221; ondas de choque a dezenas de metros do desmonte, desde que forne\u00e7a muita energia, mas essa n\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o comum encontrada nos desmontes do dia a dia. E se voc\u00ea diz que captou oscila\u00e7\u00f5es que foram causadas por ondas de choque a centenas de metros do desmonte, a primeira pergunta que se deve fazer \u00e9 se todas as constru\u00e7\u00f5es ao redor sobreviveram.<\/p>\n\n\n\n<p>A ic\u00f4nica figura presente no livro <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Blasting-Explosives-Engineering-Anders-Persson\/dp\/084938978X\"><em>Rock Blasting and Explosives Engineering<\/em> <\/a>dos autores Per-Anders Persson, Roger Holmberg e Jaimin Lee, ilustra de maneira divertida o conceito de onda de choque.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"755\" height=\"827\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/shockwaves.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-904\" style=\"width:435px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/shockwaves.png 755w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/shockwaves-274x300.png 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 755px) 100vw, 755px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Fonte da imagem:<\/strong> Per-Anders Persson, Roger Holmberg e Jaimin Lee, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Blasting-Explosives-Engineering-Anders-Persson\/dp\/084938978X\"><em>Rock Blasting and Explosives Engineering<\/em><\/a> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um bom texto que explica o que s\u00e3o ondas de choque (de verdade) \u00e9 <strong><em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/-\/pt\/dp\/012802688X\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=39CIHC0XFD0Q1&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.gdL3eUHUTGBqfST6tYXAVQ.7PzOK8WMsBIvWMPl5WJkYhCfPsVOZz540_Usal5tEaE&amp;dib_tag=se&amp;keywords=Rock+Fracture+and+Blasting%3A+Theory+and+Applications&amp;qid=1740051824&amp;sprefix=rock+fracture+and+blasting+theory+and+applications%2Caps%2C244&amp;sr=8-1\">Rock Fracture and Blasting Theory and Applications<\/a><\/em><\/strong> , escrito pelo Dr. Zong-Xian Zhang. Neste livro voc\u00ea pode encontrar listados os fatores que caracterizam uma onda de choque:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ondas de choque podem ser consideradas um tipo de ondas de tens\u00e3o, e assim como estas, transportam energia e podem se propagar atrav\u00e9s de um meio s\u00f3lido, liquido ou gasoso. Uma onda de choque possui as seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Possui um frente de onda quase vertical. O material por onde ela se propaga salta de maneira abrupta de um estado de n\u00e3o-choque a um estado de choque instantaneamente; isto \u00e9, atrav\u00e9s do choque existe sempre um aumento extremamente r\u00e1pido da press\u00e3o, temperatura e densidade do meio.<\/li>\n\n\n\n<li>Ocorre, sempre, quando um material \u00e9 tensionado muito al\u00e9m do seu limite el\u00e1stico.<\/li>\n\n\n\n<li>Sua velocidade aumenta com um aumento da press\u00e3o e tens\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>H\u00e1 um aumento na entropia quando uma onda de choque \u00e9 formada.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Existem claras diferen\u00e7as entre ondas de choque e ondas de tens\u00e3o el\u00e1sticas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ondas mec\u00e2nicas comuns propagando-se em um meio el\u00e1stico, n\u00e3o provocam tens\u00f5es al\u00e9m do limite el\u00e1stico (N\u00e3o deformam permanentemente o material).<\/li>\n\n\n\n<li>A velocidade de uma onda el\u00e1stica \u00e9 constante, mesmo que a mesma possua uma frente de onda vertical.<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o ocorre uma mudan\u00e7a na entropia quando uma onda el\u00e1stica \u00e9 formada.<br><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Zong-Xian Zhang<br>Rock Fracture and Blasting<br>Theory and Applications<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>L\u00e1 no local onde voc\u00ea instalou o seu geofone, todos os fatores listado acima est\u00e3o presentes? \u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o. A n\u00e3o ser a alguns metros, ou cent\u00edmetros, do furo estas condi\u00e7\u00f5es acontecem. A menos, conforme dissemos acima, que voc\u00ea tenha um furo carregado com tamanha carga explosiva que possa gerar, ou melhor dizendo, manter ondas de choque a dezenas de metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que nas defini\u00e7\u00f5es do Dr. Zhang a velocidade da onda de choque aumenta se voc\u00ea aumenta a press\u00e3o, ou seja, uma vez que estamos transmitindo acima da velocidade caracter\u00edstica do meio, teoricamente, podemos elevar a velocidade da onda o quanto desejarmos (guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es relativ\u00edsticas), basta apenas fornecermos energia suficiente. Por outro lado, ondas el\u00e1sticas ir\u00e3o se propagar com a velocidade do meio. Se voc\u00ea fornecer mais energia a este tipo de onda, ocasionar\u00e1 um aumento da amplitude de oscila\u00e7\u00e3o das part\u00edculas do meio, mas a velocidade de propaga\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a mesma at\u00e9 que voc\u00ea forne\u00e7a energia suficiente em um intervalo de tempo muito curto para atingir o que se chama de uma descontinuidade de salto. Neste ponto, foi tamanha a pot\u00eancia que voc\u00ea forneceu que o material colapsa, pois estamos muito acima do limite el\u00e1stico. Conforme o Dr. Zhang salienta, existe um aumento da entropia quando se atinge o inicio da forma\u00e7\u00e3o de uma onda de choque. Isso \u00e9 caracter\u00edsticos das compress\u00f5es adiab\u00e1ticas. Fornecemos energia interna ao meio de outra forma que n\u00e3o atrav\u00e9s de uma troca t\u00e9rmica, ou seja, aumentamos a energia interna das part\u00edculas sem que calor fosse adicionado; a enorme press\u00e3o aplicada ao meio que faz com que suas part\u00edculas oscilem com maiores amplitudes e isso, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 um aumento de temperatura. E se agora temos mais energia no sistema e mantemos seu tamanho, isto \u00e9, n\u00e3o adicionamos part\u00edculas ou massa, ent\u00e3o a multiplicidade dos macroestados aumenta devido a este excedente de energia que injetamos, aumentando a entropia do sistema. Todos estes detalhes s\u00e3o para te mostrar que ondas de choque e ondas mec\u00e2nicas comuns que se propagam em rochas, como ondas <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Onda_s%C3%ADsmica\">P, S, Love e Rayleigh<\/a> s\u00e3o fen\u00f4menos diferentes, completamente distintos.<br>Observe que na analise sismogr\u00e1fica de vibra\u00e7\u00f5es por explosivos, o tipo de onda que ocasiona as oscila\u00e7\u00f5es, em principio, n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a. N\u00e3o estamos procurando saber se foi uma onda P, S ou Love ou uma intera\u00e7\u00e3o das suas reflex\u00f5es e refra\u00e7\u00f5es que ocasionou as oscila\u00e7\u00f5es, estamos interessados nos detalhes do ponto de medi\u00e7\u00e3o: amplitude, velocidade, espectro de frequ\u00eancia e outras vari\u00e1veis relativas as oscila\u00e7\u00f5es daquele local espec\u00edfico de instala\u00e7\u00e3o do geofone.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os profissionais que atuam diariamente com explosivos e desmonte de rochas, o termo onda de choque no contexto da sismografia pode n\u00e3o levantar muita preocupa\u00e7\u00e3o. Afinal, estamos acostumados a uma certa licen\u00e7a po\u00e9tica e elasticidade na defini\u00e7\u00e3o de ondas de choque. Mas para pessoas que n\u00e3o est\u00e3o imersas no campo do desmonte ou da sismografia, escutar algo do tipo <em>&#8220;vamos medir as oscila\u00e7\u00f5es causadas pelas ondas de choque na sua resid\u00eancia&#8221;<\/em> pode ser muito perturbador. Ondas de choque, inevitavelmente, modificam o meio por onde passam: podem colapsa-lo devido a transitarem fora do limite el\u00e1stico; podem aumentar sua temperatura devido a compress\u00e3o adiab\u00e1tica. Por isso nossa fun\u00e7\u00e3o, como projetistas de um bom desmonte, \u00e9 <strong>garantir que as oscila\u00e7\u00f5es causadas nas estruturas a serem preservadas sejam geradas apenas por ondas mec\u00e2nicas que solicitam o meio dentro do seu limite el\u00e1stico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar esta se\u00e7\u00e3o, uma pequena reflex\u00e3o. O termo <em>&#8220;desmonte controlado&#8221; <\/em>deve ser evitado, pois separa, a priori, as opera\u00e7\u00f5es de detona\u00e7\u00e3o em dois tipos: controladas e n\u00e3o-controladas. <strong>Desmonte de rocha j\u00e1 pressup\u00f5e controle<\/strong>, seja onde for. Se a energia liberada n\u00e3o foi controlada, com ocorr\u00eancia de flyrock, vibra\u00e7\u00f5es excessivas e um ru\u00eddo desconfort\u00e1vel, ent\u00e3o a opera\u00e7\u00e3o de detona\u00e7\u00e3o levada a cabo n\u00e3o foi um desmonte de rocha, talvez esteja mais para uma explos\u00e3o. Da mesma forma, o uso do termo <em>&#8220;ondas de choque&#8221;<\/em> no contexto da sismografia deve ser usado com cautela. Se voc\u00ea vai medir oscila\u00e7\u00f5es causadas por ondas de choque a dezenas ou centenas de metros da detona\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o sua opera\u00e7\u00e3o de detona\u00e7\u00e3o est\u00e1 com s\u00e9rios problemas e o projeto deve ser repensado. Sendo voc\u00ea um profissional da \u00e1rea, cuidado com os termos que usa, eles carregam significados precisos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Velocidade de part\u00edcula<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de saber qual \u00e9 o significado de part\u00edcula e entender porque essa part\u00edcula tem uma velocidade, voc\u00ea precisa recordar que velocidade \u00e9 sempre definida e medida em rela\u00e7\u00e3o a algum referencial. A velocidade \u00e9 uma grandeza vetorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lidar com vetores, a primeira coisa que precisamos \u00e9 construir uma base para um sistema de coordenadas ortogonais. Com uma base ortogonal, poderemos conceituar alguns termos e tratar a velocidade de forma adequada. Na figura abaixo, temos 3 eixos que possuem entre si \u00e2ngulos de 90 graus.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"254\" height=\"198\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/xyz.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-910\" style=\"width:376px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na maioria de literatura geral sobre vetores o nome dos eixos \u00e9 <em>x,y,z<\/em> , ou <em>u,v,w<\/em>. O pessoal da sismografia n\u00e3o gosta destes nomes, preferem substantivos mais significativos. Os mais comuns s\u00e3o <em>Longitudinal, Transversal e Vertical.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"897\" height=\"699\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LTV.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-911\" style=\"width:388px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LTV.png 897w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LTV-300x234.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LTV-768x598.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 897px) 100vw, 897px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Alguns fabricantes de sism\u00f3grafos chamam o eixo <em>Longitudinal <\/em>de <em>Radial<\/em>. Mas isso n\u00e3o tem import\u00e2ncia. Poderiam chamar de qualquer nome sem preju\u00edzo algum as medi\u00e7\u00f5es. Com base no nosso sistema de coordenadas temos ent\u00e3o tr\u00eas componentes de velocidade: \\(V_l, V_t, V_v\\). Cada uma destas componentes preocupa-se apenas com o seu pr\u00f3prio eixo. Vejamos um pequeno exemplo bastante ilustrativo, que pode tornar mais palat\u00e1vel o que estou querendo dizer com tudo isso. Vamos observar apenas uma das componentes, a velocidade em rela\u00e7\u00e3o ao eixo vertical. Para isso, vamos utilizar como exemplo um barco parado nas \u00e1guas tranquilas de um lago.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"565\" height=\"566\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barco.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-915\" style=\"width:467px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barco.png 565w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barco-300x300.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barco-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Algu\u00e9m na margem joga uma pedra muito grande no lago de forma que, ap\u00f3s alguns instantes, o barco come\u00e7a a oscilar devido a passagem da onda.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"864\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barco1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-918\" style=\"width:465px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Estamos interessados apenas no movimento que o barco faz na dire\u00e7\u00e3o vertical. Mas vertical em rela\u00e7\u00e3o a o que? Para responder a isso, <strong>fixamos um eixo sobre o lago<\/strong> localizado mais ou menos sobre o centro do barco. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"864\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barcocomeixos.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-920\" style=\"width:461px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na figura acima preciso que voc\u00ea observe tr\u00eas coisas:<br>1 &#8211; A origem do nosso sistema de coordenadas permanece <strong>fixa em rela\u00e7\u00e3o ao barco<\/strong>. Caso contrario, se ele estivesse <strong>fixo no barco<\/strong>, moveria-se junto com ele e a velocidade relativa a este sistema seria nula (conven\u00e7a-se disso).<br>2 &#8211; O ponto verde, <strong>que pertence ao barco<\/strong>, descreve um deslocamento exatamente sobre o eixo vertical. Este pequeno pontinho \u00e9 o que poder\u00edamos chamar de nossa<strong> part\u00edcula.<\/strong><br>3 &#8211; A linha da superf\u00edcie da \u00e1gua antes da passagem da onda, ou seja, quando o barquinho n\u00e3o est\u00e1 oscilando, coincide com a origem do nosso sistema de coordenadas. Esta linha vamos cham\u00e1-la de <em><strong>linha base<\/strong><\/em>, ou <strong><em>baseline<\/em> <\/strong>se voc\u00ea preferir usar a nomenclatura comum presente nos sismogramas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora vamos congelar a imagem em um instante onde nosso pontinho verde atinge sua altura m\u00e1xima. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"619\" height=\"362\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/desldbarco-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-980\" style=\"width:490px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/desldbarco-1.png 619w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/desldbarco-1-300x175.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Chamamos de &#8220;\\( d \\)&#8221; o deslocamento do barco desde a linha base. Se este deslocamento demorou um tempo \\(t\\) para ocorrer, ent\u00e3o a velocidade do pontinho verde foi<br>\\(V_v=\\frac{d}{t}\\)<br>E esta \u00e9 a componente da velocidade no eixo vertical, \\(V_v\\),  para este instante de medi\u00e7\u00e3o, onde o barquinho atinge seu ponto m\u00e1ximo no eixo vertical.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem sempre \\(V_v\\) ser\u00e1 igual para todos os instantes de medi\u00e7\u00e3o. A onda vai perdendo energia, por exemplo, ou algu\u00e9m pode arremessar uma pedra maior ainda e fazer com que o barco oscile com um deslocamento maior, enfim, muitas coisas podem ocorrer que fazem com que a velocidade do nosso pontinho aumente ou diminua. Observe a figura abaixo, n\u00e3o a veja como um sismograma de um desmonte de rocha, mas como a hist\u00f3ria da velocidade do pontinho verde do nosso barquinho ao longo de um tempo de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"679\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compVertical-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-928\" style=\"width:548px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compVertical-1.png 980w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compVertical-1-300x208.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compVertical-1-768x532.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Vamos repetir o racioc\u00ednio para o deslocamento do barquinho agora no eixo horizontal. Observe a figura a seguir.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"864\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/barcotransversal.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-930\" style=\"width:490px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A figura abaixo representa as velocidades do nosso ponto verde na dire\u00e7\u00e3o <em>Radial<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"628\" height=\"401\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compradial.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-932\" style=\"width:517px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compradial.png 628w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/compradial-300x192.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mas os movimentos do barco n\u00e3o ocorrem de maneira independente. N\u00e3o existe uma sucess\u00e3o de movimentos em cada eixo, isto \u00e9, primeiro oscila na vertical, depois no horizontal. Na verdade, ondas que ocorrem na \u00e1gua, particularmente nos oceanos, movem as part\u00edculas da superf\u00edcie em trajet\u00f3rias circulares. Este caminho orbital, como \u00e9 conhecida esta trajet\u00f3ria, \u00e9 representado na figura abaixo:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"535\" height=\"147\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Waverp.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-933\" style=\"width:840px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Onda_oce%C3%A2nica_de_superf%C3%ADcie\">Wikip\u00e9dia<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Se colocarmos nossa origem no centro da circunfer\u00eancia que representa a trajet\u00f3ria da part\u00edcula, podemos decompor o movimento nos eixos vertical e horizontal. O movimento no eixo vertical \u00e9 representado pelo vetor verde sobre o eixo. O movimento horizontal, em amarelo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"578\" height=\"328\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/projecoesVetor.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-934\" style=\"width:502px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Se a linha amarela passa \u00e0 esquerda do eixo vertical, recebe valores negativos. Da mesma forma , quando a linha verde passa abaixo do eixo horizontal, recebe, tamb\u00e9m, valores negativos. <br>Agora, como um exemplo, registraremos a cada 1 segundo as medi\u00e7\u00f5es de onde est\u00e1 nosso ponto (ou part\u00edcula, se assim voc\u00ea quiser chamar). Registramos tanto a posi\u00e7\u00e3o relativa aos eixos bem como as velocidades do pontinho relativas a cada eixo. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"582\" height=\"564\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/registros1-1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-941\" style=\"width:509px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exemplo de dados entregue por um sism\u00f3grafo.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Este tipo de movimento composto ocorre nos meios s\u00f3lidos tamb\u00e9m. Usei o exemplo das ondas na \u00e1gua para trazer algo que ocorre em uma escala que podemos observar apenas com os olhos. Mas em rocha, ou solo, tamb\u00e9m existem trajet\u00f3rias de movimento das part\u00edculas que s\u00e3o provocadas por ondas. O geofone capta estes movimentos em eixos distintos e entrega para voc\u00ea, mastigadinho, pronto para seu uso. Voc\u00ea pode estudar mais sobre os tipos de ondas que ocorrem em rocha em materiais de estudo mais dedicados a geof\u00edsica ou sismologia. Aqui, nosso enfoque \u00e9 na an\u00e1lise da oscila\u00e7\u00e3o local, isto \u00e9, queremos saber como, quando e por que nossas part\u00edculas se moveram de determinada maneira no ponto de instala\u00e7\u00e3o do geofone. Para isso, antes de tudo, estabelecer uma origem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sistema de coordenadas do geofone.<\/h2>\n\n\n\n<p>Deve ter ficado claro que podemos representar o movimento da part\u00edcula empregando um sistema de eixos ortogonais. Uma tabela parecida como esta da anima\u00e7\u00e3o acima \u00e9 o que um sism\u00f3grafo de engenharia te entrega.<br>Dentro de um geofone existem tr\u00eas LVT&#8217;s (Linear Velocity Transducer) dispostos perpendicularmente entre si. Veja as figuras abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"933\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/geoLVTs.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1184\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/geoLVTs.png 933w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/geoLVTs-273x300.png 273w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/geoLVTs-768x843.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 933px) 100vw, 933px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Geofone do fabricante Geosonics. Foto cortesia dos nossos amigos da <a href=\"https:\/\/www.technoblast.com.br\/\">Tecnhoblast.<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"871\" height=\"776\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/geoEixos-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-978\" style=\"width:450px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/geoEixos-1.png 871w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/geoEixos-1-300x267.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/geoEixos-1-768x684.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Geofone do fabricante Geosonics. Foto cortesia dos nossos amigos da <a href=\"https:\/\/www.technoblast.com.br\/\">Tecnhoblast.<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>As velocidades que voc\u00ea mede na sismografia tem como origem do referencial o centro do geofone <\/strong>e os tr\u00eas sensores que medem o movimento est\u00e3o dispostos perpendicularmente entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que n\u00e3o importa se voc\u00ea rotacionar o geofone no plano horizontal. Ele sempre manter\u00e1 os eixos de medi\u00e7\u00e3o ortogonais. Se voc\u00ea quer medir a oscila\u00e7\u00e3o em um sentido espec\u00edfico qualquer, deve alinhar um dos eixos, longitudinal ou transversal, paralelo a sua linha de medi\u00e7\u00e3o. Alguns fabricantes imprimem setas direcionais sobre a superf\u00edcie do geofone para indicar a dire\u00e7\u00e3o dos eixos longitudinal (ou radial) e transversal.<br>\u00c9 importante que o geofone seja mantido nivelado, desta forma o eixo vertical ser\u00e1 paralelo ao campo gravitacional. Se por algum motivo voc\u00ea precisa realizar medi\u00e7\u00f5es de maneira que o geofone n\u00e3o fique completamente nivelado, deve consultar o fabricante do seu aparelho para entender os limites deste tipo de medi\u00e7\u00e3o e mesmo se \u00e9 poss\u00edvel realiz\u00e1-la. Se quiser, fa\u00e7a o download deste documento <a href=\"https:\/\/isee.org\/docs\/default-source\/isee-digital-downloads\/2022-isee-performance-specifications-for-blasting-seismographs.pdf?sfvrsn=5be7dae3_5\">ISEE &#8211; Field practice guidelines for blasting seismographs<\/a>. \u00c9 um material bem completo sobre boas pr\u00e1ticas de instala\u00e7\u00e3o de sism\u00f3grafos para uso em desmontes de rocha com explosivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O principio de funcionamento dos sensores de velocidade \u00e9 baseado na corrente induzida em um condutor devido a varia\u00e7\u00e3o de um campo magn\u00e9tico, a famosa <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_de_Faraday-Neumann-Lenz\">Lei de Faraday<\/a>. Os valores s\u00e3o extra\u00eddos atrav\u00e9s da capta\u00e7\u00e3o do movimento relativo entre o \u00edm\u00e3 e as espiras de condutor. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"432\" height=\"550\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/principioGeofone.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-949\" style=\"width:425px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/principioGeofone.png 432w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/principioGeofone-236x300.png 236w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte da imagem: <a href=\"https:\/\/www.guidelinegeo.com\/help-articles\/what-do-i-need-to-know-about-geophones\/\">https:\/\/www.guidelinegeo.com\/help-articles\/what-do-i-need-to-know-about-geophones\/<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Este tipo de sensor tenta captar da maneira mais fiel poss\u00edvel a oscila\u00e7\u00e3o que o terreno realiza, produzindo uma corrente el\u00e9trica (quase) proporcional a velocidade do n\u00facleo em rela\u00e7\u00e3o as espiras. Mas isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples como pode parecer. Se a amplitude for excessiva todo o conjunto \u00edm\u00e3+espiras se mover\u00e1 e teremos um referencial em movimento, como se nosso sistema de eixos fosse fixo no barco. <br>Esta configura\u00e7\u00e3o do sensor \u00e9 um sistema massa-mola. Este tipo de sistema possui algumas caracter\u00edsticas espec\u00edficas que dependem das condi\u00e7\u00f5es iniciais e de contorno. Uma delas \u00e9 a frequ\u00eancia de resson\u00e2ncia. Um sistema como este pode ser modelado por uma <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mass-spring-damper_model\">equa\u00e7\u00e3o diferencial na forma<\/a>:<br><br>\\(<br>m\\ddot{y} + b\\dot{y} + ky = F_{externa}<br>\\)<br><br>As poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es desta equa\u00e7\u00e3o apresentam caracter\u00edsticas bem peculiares, existem algumas configura\u00e7\u00f5es das condi\u00e7\u00f5es iniciais que fazem com que o sistema amplifique sua resposta para determinadas frequ\u00eancias. E isso acontece com o geofone tamb\u00e9m. Ele deve ter sua in\u00e9rcia calculada para que apresente uma resposta linear para uma determinada faixa de frequ\u00eancias, ou seja, para que n\u00e3o amplifique ou amorte\u00e7a as oscila\u00e7\u00f5es. Existem diversas configura\u00e7\u00f5es de geofones, cada uma delas espec\u00edfica para determinadas frequ\u00eancias. A engenharia desenvolveu toda uma ci\u00eancia e t\u00e9cnica aplicada para definir a melhor maneira de se construir um geofone para determinada aplica\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 importante que voc\u00ea use aparelhos especificamente constru\u00eddos para a capta\u00e7\u00e3o de oscila\u00e7\u00f5es provenientes de desmonte de rochas ou vibra\u00e7\u00f5es similares. Al\u00e9m disso, <strong>as vibra\u00e7\u00f5es devem ser captadas sobre o terreno onde esta a estrutura a ser preservada e n\u00e3o diretamente sobre a estrutura<\/strong>. Se voc\u00ea colocar o geofone sobre a estrutura estar\u00e1 captando a sua resposta \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es feitas pelas oscila\u00e7\u00f5es e n\u00e3o as vibra\u00e7\u00f5es que incidiram primariamente sobre ela. Seria algo como se voc\u00ea fizesse da estrutura parte constituinte do geofone. A maioria das normas de controle de vibra\u00e7\u00e3o foi feita com base em estudos de oscila\u00e7\u00f5es captadas diretamente no terreno e suas conclus\u00f5es e extrapola\u00e7\u00f5es n\u00e3o levaram em conta as particularidades das constru\u00e7\u00f5es. Sim, existem correla\u00e7\u00f5es entre alguns espectros de frequ\u00eancias que levariam a um maior ou menor potencial de dano, mas estas frequ\u00eancias, tamb\u00e9m, est\u00e3o associadas as <strong>oscila\u00e7\u00f5es incidentes<\/strong> e n\u00e3o ao espectro de frequ\u00eancias da resposta da estrutura.<br>Um livro j\u00e1 antigo, da d\u00e9cada de 70, mas que explica bem os detalhes da ci\u00eancia por detr\u00e1s da capta\u00e7\u00e3o sismogr\u00e1fica \u00e9 <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/-\/pt\/dp\/0809305100\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=10U9KFA1EQHGF&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.zBx4b2KPoHtsZXVXbWIlk3Ff9oTbOLUVWd71GpbnNObKTv_K2UxQmID1QAuCxyy2R8X6vZpyU0gmNh0FddM_sqhHIo2CQdQeXfPOOUoGtVo99TbL6TkGIUm5_dZuyf2p8moqNrpoDuuTuOOeKyZFCLpen1_5ZNO1MbDIuKLhTMc.bjY0X6f5DIHC5X0Id8b2Dz9i7LKE1-fIEvrWp0WQe9k&amp;dib_tag=se&amp;keywords=blast+vibration+analysis&amp;qid=1740308055&amp;sprefix=blst+vibration+analysis%2Caps%2C223&amp;sr=8-1\">Blast Vibration Analysis<\/a><\/em> do geof\u00edsico G.A. Bollinger. Embora algumas informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 estejam desatualizadas \u00e9 um bom guia inicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Velocidade resultante<\/h2>\n\n\n\n<p>A <strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vetor_(matem%C3%A1tica)\">velocidade resultante<\/a><\/strong> \u00e9 um termo que voc\u00ea vai ouvir bastante na sismografia. Ela \u00e9 a soma vetorial das componentes. Isso significa que:<br>\\(<br>V_R = \\sqrt{V_L^2+V_T^2+V_V^2}<br>\\)<br>Os termos s\u00e3o:<br>\\(V_R\\) &#8211; Velocidade resultante.<br>\\(V_L\\) &#8211; Velocidade medida pelo sensor no eixo longitudinal.<br>\\(V_T\\) &#8211; Velocidade medida pelo sensor no eixo transversal.<br>\\(V_V\\) &#8211; Velocidade medida pelo sensor no eixo vertical.<br>A equa\u00e7\u00e3o acima mostra que a \\(V_R\\) \u00e9 sempre positiva. <strong>Al\u00e9m disso, voc\u00ea deve calcular a \\(V_R\\) para cada instante de medi\u00e7\u00e3o<\/strong>. Para entender melhor isso \u00e9 interessante compreender o significado de taxa de amostragem.<br><strong>A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Taxa_de_amostragem\">taxa de amostragem<\/a><\/strong> diz quantas medi\u00e7\u00f5es seu aparelho consegue efetuar em um segundo. Algumas normas de controle de vibra\u00e7\u00f5es discorrem sobre a m\u00ednima taxa de amostragem aceit\u00e1vel. A NBR 9653, por exemplo, diz que a taxa de amostragem deve ser de, no m\u00ednimo, <strong>1000Hz por canal.<\/strong> Isso significa que em um intervalo de 1 segundo o aparelho dever\u00e1 registrar 1000 medi\u00e7\u00f5es para cada canal, ou seja, 1000 medi\u00e7\u00f5es na transversal, 1000 na vertical, 1000 na longitudinal e 1000 no microfone. Isso significa que sua medi\u00e7\u00e3o deve ter uma <strong>resolu\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 1ms<\/strong>. Desta forma, em um segundo voc\u00ea ter\u00e1 1000 medi\u00e7\u00f5es de velocidade resultante, uma a cada 1ms se sua taxa de amostragem for de 1000Hz.<br>Digamos que seu evento tenha 2 segundos de dura\u00e7\u00e3o e que a sua taxa de amostragem seja de 1000Hz. Neste caso voc\u00ea ter\u00e1 2000 medi\u00e7\u00f5es de \\(V_R\\). O maior valor dentre as 2000 medi\u00e7\u00f5es \u00e9 o que se chama de <strong>velocidade resultante de pico de part\u00edcula<\/strong>. Essa \\(V_{R_{pico}}\\) \u00e9 geralmente aquela que aparece no resumo gerado pelo software do fabricante do sism\u00f3grafo. D\u00ea uma olhada na imagem abaixo de parte de um sismograma gerado pelo software da<a href=\"https:\/\/whiteseis.com\/\"> WhiteSeis<\/a>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"981\" height=\"853\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sismoWhite1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-966\" style=\"width:707px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sismoWhite1.png 981w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sismoWhite1-300x261.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sismoWhite1-768x668.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 981px) 100vw, 981px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nesta imagem destaquei os valores de pico das componentes que aparecem como um valor informativo no sismograma (o software marca no gr\u00e1fico com um asterisco (*) onde estes valores ocorreram). Veja que elas <strong>n\u00e3o necessariamente ocorreram no mesmo instante<\/strong>. O maior valor da velocidade resultante, de 4,445mm\/s, ocorreu pr\u00f3ximo ao fim do evento, longe do pico da velocidade vertical. Neste sismograma, 1024 medi\u00e7\u00f5es de velocidade resultante foram calculadas para cada segundo de grava\u00e7\u00e3o e o maior valor encontrado foi de 4,445mm\/s. Veja na anima\u00e7\u00e3o abaixo que vamos <strong>varrendo os valores<\/strong> de cada componente <strong>no mesmo intervalo de medi\u00e7\u00e3o<\/strong> e aplicando a formula da \\(V_R\\). Com isto geramos o gr\u00e1fico da resultante. Obviamente que na anima\u00e7\u00e3o n\u00e3o estamos mostrando a varredura de absolutamente todos os valores, ela serve apenas como um recurso did\u00e1tico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"370\" height=\"544\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/gifVR-3.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-983\" style=\"width:432px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A figura abaixo mostra o exemplo de uma parte da tabela de dados que comp\u00f5e um sismograma para os primeiros 30 millissegundos de um evento qualquer. Esta tabela mostra de uma maneira num\u00e9rica informa\u00e7\u00f5es dos gr\u00e1ficos da anima\u00e7\u00e3o acima.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"428\" height=\"546\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tabDadosPPV-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-974\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tabDadosPPV-1.png 428w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/tabDadosPPV-1-235x300.png 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Note que os maiores valores em m\u00f3dulo das componentes n\u00e3o ocorreram no mesmo instante e o m\u00f3dulo da maior velocidade resultante nem mesmo possui os valores de pico das componentes individuais. Por isso cuidado quando voc\u00ea d\u00e1 muita aten\u00e7\u00e3o aos valores de pico individualmente, eles podem n\u00e3o significar muita coisa. Antigamente existiam duas defini\u00e7\u00f5es de velocidade resultante de pico, a <em>PVS &#8211; Peak Vector Sum<\/em> e a <em>PVR &#8211; Peak Vector Real<\/em>. A PVR na tabela acima seria o valor de 3,42mm\/s destacado na coluna \\(V_r\\). O valor <em>PVS<\/em> seria a <strong>pseudo resultante<\/strong> dada pela soma vetorial dos valores de pico das componentes, mesmo que n\u00e3o ocorram no mesmo instante, i.e, \\( PVS = \\sqrt{(2,13)^2 + (- 2,12)^2 + (2,07)^2} \\approx 3,65mm\/s  \\). N\u00e3o sei se ainda hoje existe alguma aplica\u00e7\u00e3o  ou norma que use a PVS.  Neste texto, quando falarmos em velocidade resultante estaremos sempre nos referindo a <em>PVR<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E a frequ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a frequ\u00eancia \u00e9 importante para algumas situa\u00e7\u00f5es. As estruturas respondem de maneira diferente a vibra\u00e7\u00f5es iguais em todas as suas vari\u00e1veis menos na frequ\u00eancia. Isto quer dizerm que se geramos duas vibra\u00e7\u00f5es exatamente iguais em velocidade, acelera\u00e7\u00e3o e amplitude mas com frequ\u00eancias diferentes, uma mesma estrutura vai responder a esta solicita\u00e7\u00e3o de maneira distinta. Isso pode ser bem compreendido neste excelente livro escrito por um dos caras que ajudou a escrever o USBM RI8507 que deu origem as mais diversas normas de controle de vibra\u00e7\u00e3o no mundo: <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/-\/pt\/dp\/0130781975\/ref=tmm_hrd_swatch_0\">Blast Vibration Monitoring and Control &#8211; Charles H. Dowding   <\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Existem algumas maneiras de se extrair as frequ\u00eancias de cada ponto de medi\u00e7\u00e3o de velocidade. As mais simples e f\u00e1ceis s\u00e3o as que usam m\u00e9todos de <em>zero-crossing<\/em>. Basicamente, calculamos quando o sinal cruza a linha temporal e com isso determinamos seu per\u00edodo localmente. Mas eu n\u00e3o quero me estender neste assunto. Em outros textos vamos explorar as ferramentas de an\u00e1lise espectral, como as t\u00e9cnicas de zero-crossing, transformadas de Fourier e transformada de ondeletas. Mas saiba voc\u00ea que seu sism\u00f3grafo lhe fornece as frequ\u00eancias. Eu tenho quase certeza que todos os fabricantes disponibilizam a exporta\u00e7\u00e3o dos dados em formato .<em>csv <\/em>ou outro formato de texto qualquer. Algo como uma tabela mais ou menos deste jeito:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"830\" height=\"546\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreq.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-991\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreq.png 830w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreq-300x197.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreq-768x505.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 830px) 100vw, 830px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Existem diversas normativas que imp\u00f5em a frequ\u00eancia como fator limitante. A NBR 9653 \u00e9 uma destas normas. E isto causa alguma confus\u00e3o. Muita gente usa apenas os valores de pico de cada componente e sua frequ\u00eancia associada. Mas, na verdade, voc\u00ea precisa usar todos os valores de medi\u00e7\u00e3o de cada componente e suas respectivas frequ\u00eancias. Usar apenas os valores de pico torna completamente in\u00fatil a abordagem do uso das frequ\u00eancias. Veja, voc\u00ea pode ter valores de pico com frequ\u00eancias que estejam dentro dos limites e outros valores, que n\u00e3o os de pico, que estejam fora. Utilizar as frequ\u00eancias como limitadores de velocidade de part\u00edcula implica em repartir a responsabilidade do potencial de dano entre os valores de velocidade e de frequ\u00eancia. Ou seja, voc\u00ea pode ter medi\u00e7\u00f5es de velocidades de part\u00edcula menores que os valores de pico mas com frequ\u00eancias associadas que os deixam fora dos limite da norma e valores de pico com frequ\u00eancias associadas que os deixam dentro dos limites da norma. Se voc\u00ea usa apenas os valores de pico ignora todo o restante do espectro que pode ser danoso. Cuidado com isso. Por exemplo, veja a figura abaixo onde todos os valores das componentes medidos pelo sism\u00f3grafo est\u00e3o plotados em fun\u00e7\u00e3o das suas respectivas frequ\u00eancias associadas. As linhas em preto mostram os limites de vibra\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia ditados pela NBR 9653.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"956\" height=\"546\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBR.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-999\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBR.png 956w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBR-300x171.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBR-768x439.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 956px) 100vw, 956px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea utilizar apenas os valores de pico, sumariamente vai ignorar \u00e0queles que n\u00e3o atendem a norma e que possuem um potencial de dano maior (justamente por isso est\u00e3o fora da norma!). Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"956\" height=\"546\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBRExplicados.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1000\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBRExplicados.png 956w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBRExplicados-300x171.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PontosNBRExplicados-768x439.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 956px) 100vw, 956px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando o pessoal estudou o assunto e resolveu estabelecer as frequ\u00eancias como um fator limitante, foi para que pud\u00e9ssemos verificar se <strong>todo o espectro de vibra\u00e7\u00e3o ou apenas alguma parte dele<\/strong> poderia causar dano. Utilizar somente os valores de pico pode ser perigoso. Voc\u00ea pode estar ignorando valores de velocidade associados a frequ\u00eancias que tem potencial de dano maior. Cuidado.<br>Mas isto assunto \u00e9 para outro texto. Estamos interessados aqui em como podemos estimar o valor m\u00e1ximo da coluna da velocidade resultante ou de qualquer outra das componentes. Este valor m\u00e1ximo \u00e9 utilizado em alguns limites legais no Brasil. Por exemplo, a Norma Reguladora de Minera\u00e7\u00e3o 16 &#8211; NRM16, no seu paragrafo 16.4.14&nbsp; diz que a <strong>m\u00e1xima velocidade da componente vertical<\/strong> deve ser de 15mm\/s.<br>J\u00e1 a norma t\u00e9cnica da CETESBE D7.13 estabelece o limite de <strong>4,2mm\/s na velocidade resultante<\/strong>.<br>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode estar querendo simular os poss\u00edveis valores de velocidade, seja nas componentes ou na resultante, ou em ambas, para estimar o intervalo prov\u00e1vel de tens\u00f5es que uma estrutura ficar\u00e1 exposta, como eu fiz neste desmonte para preservar as partes da barragem que n\u00e3o seriam implodidas:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1080\" style=\"aspect-ratio: 1920 \/ 1080;\" width=\"1920\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PM_site.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Se numerarmos as colunas da tabela dos dados medidos pelo sism\u00f3grafo, conforme a figura abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"873\" height=\"626\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreqNormas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1001\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreqNormas.png 873w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreqNormas-300x215.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/velocomFreqNormas-768x551.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 873px) 100vw, 873px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Teremos que analisar as seguintes colunas em fun\u00e7\u00e3o do que queremos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>NBR 9653 &#8211; Colunas 2,3,4,6,7,8.<\/li>\n\n\n\n<li>CETESBE D7.13 &#8211; Coluna 5.<\/li>\n\n\n\n<li>NRM 16 &#8211; Coluna 3.<\/li>\n\n\n\n<li>Estimar campo de tens\u00f5es &#8211; Colunas 2,3,4,5.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Neste artigo, vamos explorar como estimamos a m\u00e1xima velocidade de part\u00edcula, isto \u00e9, o maior valor de cada uma das colunas de 2 a 5. Deixaremos a an\u00e1lise espectral, quando incluiremos as frequ\u00eancias, para outro texto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dist\u00e2ncia escalonada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea certamente j\u00e1 ouviu falar em dist\u00e2ncia escalonada. Sua origem vem da an\u00e1lise dimensional. Particularmente do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teorema_%CF%80_de_Vaschy-Buckingham\">Teorema \u03c0 de Vaschy-Buckingham<\/a>. De uma maneira bem resumida, voc\u00ea pode usar este teorema para tentar deduzir rela\u00e7\u00f5es fundamentais entre as vari\u00e1veis de um problema. Pode-se fazer isso utilizando as dimens\u00f5es f\u00edsicas das vari\u00e1veis envolvidas. \u00c9 um assunto bastante interessante, por\u00e9m se formos nos aprofundar nele, ter\u00edamos que desenvolver um parenteses muito longo por aqui. Contente-se em saber que as dist\u00e2ncias escalonadas (sim, existe mais do que uma) n\u00e3o surgiram do nada, nasceram da analise dimensional do problema relativo as vibra\u00e7\u00f5es ocasionadas por desmonte de rochas por explosivos. Se quiser se aprofundar no assunto, pesquise os trabalhos de Ambraseys e Hendron e de Devine na base da <a href=\"https:\/\/www.isee.org\/\">ISEE<\/a>. <br>Existem duas formas de dist\u00e2ncia escalonada comumente usadas. Uma utiliza a raiz quadrada da carga explosiva, outra, a raiz c\u00fabica. S\u00e3o elas:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>DE_2=\\frac{D}{\\sqrt{Q}}<br>\\\\<br>DE_3=\\frac{D}{Q^{\\frac{1}{3}}}<br>\\)<br>Em ambas, \\(D\\) \u00e9 a dist\u00e2ncia da carga explosiva ao ponto onde a velocidade de part\u00edcula ser\u00e1 medida. \\(Q\\) \u00e9 a massa de carga explosiva detonada no mesmo instante. Ainda n\u00e3o estamos falando em carga m\u00e1xima por espera. Chegaremos nela mais adiante, por enquanto, Q \u00e9 apenas a massa explosiva. <br>Existem diferen\u00e7as no uso de uma ou outra dist\u00e2ncia escalonada. Para a previs\u00e3o da frequ\u00eancia principal, a c\u00fabica se comporta melhor. Para dist\u00e2ncias &#8220;grandes&#8221; do desmonte, tipo maiores que alguns metros, a dist\u00e2ncia escalonada quadr\u00e1tica tende a ser mais conservadora nas previs\u00f5es de atenua\u00e7\u00e3o. Enquanto que para dist\u00e2ncias pr\u00f3ximas, a c\u00fabica tende a ser mais conservadora. Ambas est\u00e3o ligadas diretamente ao decaimento das vibra\u00e7\u00f5es. De longe, a quadr\u00e1tica \u00e9 a mais usada em modelos de previs\u00f5es de vibra\u00e7\u00f5es. Utilizaremos ela nas defini\u00e7\u00f5es a seguir. Sempre que falarmos, daqui por diante, em dist\u00e2ncia escalonada, estaremos nos referindo a dist\u00e2ncia escalonada quadr\u00e1tica: <br>\\(<br>DE=\\frac{D}{\\sqrt{Q}}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea detonar diversas configura\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia escalonada e medir a velocidade de part\u00edcula gerada, ver\u00e1 que existe uma rela\u00e7\u00e3o do tipo:<br>\\(<br> V=K(DE)^{\\alpha}<br>\\)<br>Os coeficientes \\(K\\) e \\(\\alpha\\) s\u00e3o determinados atrav\u00e9s das analises estat\u00edsticas que veremos adiante. Eles s\u00e3o caracter\u00edsticos de cada local e de cada aplica\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se voc\u00ea est\u00e1 desenvolvendo uma curva para prever a componente vertical apenas, os coeficientes que voc\u00ea encontrar n\u00e3o ser\u00e3o adequados para serem utilizados na previs\u00e3o da velocidade resultante. Em situa\u00e7\u00f5es de subsolo eu j\u00e1 tive que desenvolver curvas independentes para cada regi\u00e3o do desmonte. Uma curva para o pil\u00e3o, outra para um ou mais intervalos de tempo dos n\u00e3o el\u00e9tricos e outra para o contorno. Isso se deve a <a href=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/2023\/09\/28\/a-dispersao-do-tempo-de-retardo-de-nao-eletricos-e-similares\/\">alta dispers\u00e3o dos tempos de n\u00e3o-el\u00e9tricos<\/a> para retardos muito longos, na casa dos segundos. Se voc\u00ea juntar todos no mesmo bolo a dispers\u00e3o vai derrubar seu coeficiente de determina\u00e7\u00e3o, tornando a previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es muito deficiente.<br>O coeficiente \\( \\alpha \\) \u00e9 negativo (se voc\u00ea fez tudo certo!). Este detalhe faz com que<br>\\(<br>V=K\\frac{Q^{\\frac{\\alpha}{2}}}{D^{\\alpha}} ; \\alpha &gt; 0<br>\\)<br>Fisicamente isto faz muito sentido. A velocidade de part\u00edcula \u00e9 proporcional a uma pot\u00eancia da massa da carga explosiva e inversamente proporcional a uma pot\u00eancia da dist\u00e2ncia. Quanto mais explosivo, mais vibra\u00e7\u00e3o; quanto mais distante, menos vibra\u00e7\u00e3o. Mas veja que o potencial de vibra\u00e7\u00e3o, no caso \\(V\\) na equa\u00e7\u00e3o acima, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear. Isso significa, dentre outras coisas, que os locais onde podemos esperar velocidades de part\u00edculas iguais n\u00e3o s\u00e3o linearmente dependentes da dist\u00e2ncia. A equa\u00e7\u00e3o acima diz que a <strong>velocidade de part\u00edcula ser\u00e1 maior<\/strong> <strong>quanto menor for a dist\u00e2ncia escalonada<\/strong>. Por exemplo, na figura abaixo temos tr\u00eas furos carregados com 2kg, 7kg e 9kg de explosivos a uma dist\u00e2ncia das casas de 6m, 9m e 12m respectivamente. Qual dos furos tem <strong>potencial <\/strong>de gerar maiores vibra\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"947\" height=\"716\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/casasPPV-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1018\" style=\"width:623px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/casasPPV-1.png 947w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/casasPPV-1-300x227.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/casasPPV-1-768x581.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 947px) 100vw, 947px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Para responder isso precisamos calcular a dist\u00e2ncia escalonada de cada furo. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>DE_{f1}=\\frac{6}{\\sqrt{2}}\\approx 4,2 m.kg^{-\\frac{1}{2}}<br>\\\\<br>DE_{f2}=\\frac{9}{\\sqrt{7}}\\approx 3,4 m.kg^{-\\frac{1}{2}}<br>\\\\<br>DE_{f3}=\\frac{12}{\\sqrt{9}}\\approx 4,0 m.kg^{-\\frac{1}{2}}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>O furo que possui o maior potencial de vibra\u00e7\u00e3o \u00e9 o furo que est\u00e1 a 9m de dist\u00e2ncia. Veja que n\u00e3o \u00e9 o furo que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo, nem aquele que possui a maior carga, <strong>mas aquele que apresenta a menor dist\u00e2ncia escalonada<\/strong>.<br>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter lido em algumas normas algo mais ou menos parecido com isso: &#8220;o sism\u00f3grafo deve ser instalado onde presumivelmente ocorrer\u00e3o os maiores n\u00edveis de vibra\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;. Este local onde se presumem as maiores velocidades de part\u00edcula \u00e9 onde se encontra a menor dist\u00e2ncia escalonada.<br>Ela tamb\u00e9m pode servir como uma guia para o dimensionamento de cargas explosivas sem que saibamos nada a respeito dos coeficientes \\( \\alpha \\) e \\(K\\). Por exemplo, na NBR 9653, l\u00e1 no \u00faltimo item 6.2 consta o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quando, por motivos excepcionais, houver o impedimento da realiza\u00e7\u00e3o do monitoramento sismogr\u00e1fico, pode ser considerada atendida esta norma com rela\u00e7\u00e3o ao item 4.3, se for obedecida uma dist\u00e2ncia escalonada que cumpra com as seguintes exig\u00eancias:<br>\\(DE \\geq 40 m\/kg^{0,5}\\)<br>para \\(D \\leq 300m\\)<br><br>Fonte: ABNT NBR 9653<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O que isso significa? Um exemplo para ilustrar. Digamos que haja uma constru\u00e7\u00e3o qualquer a 50m do local onde voc\u00ea precisa realizar o desmonte de um \u00fanico furo (por enquanto vamos nos ater a situa\u00e7\u00e3o mais simples poss\u00edvel). N\u00e3o existe ou n\u00e3o h\u00e1 possibilidade da instala\u00e7\u00e3o de um sism\u00f3grafo. Para voc\u00ea atender a NBR 9653 no quesito vibra\u00e7\u00f5es de solo (o ru\u00eddo n\u00e3o est\u00e1 incluso neste pacote de excepcionalidade) voc\u00ea deve utilizar uma carga explosiva que conduza a uma dist\u00e2ncia escalonada maior ou igual a \\(40 m\/kg^{0,5}\\). Sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>DE \\geq \\frac{D}{\\sqrt{Q}}<br>\\\\<br>40 \\geq \\frac{50}{\\sqrt{Q}}<br>\\\\<br>\\sqrt{Q} \\leq \\frac{50}{40}<br>\\\\<br>Q \\leq \\bigr(\\frac{50}{40}\\bigl)^2<br>\\\\<br>Q \\leq 1,12kg<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, eu sei, 1,12 quilogramas para 50m de dist\u00e2ncia \u00e9 uma carga explosiva muito pequena, mas \u00e9 o pre\u00e7o a se pagar para n\u00e3o utilizar monitoramento sismogr\u00e1fico. E porque este item limita dist\u00e2ncias menores que 300m? Devido a frequ\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es. Baixas frequ\u00eancias tendem a possu\u00edrem uma atenua\u00e7\u00e3o muito menor com a dist\u00e2ncia, por isso, a dist\u00e2ncias grandes do desmonte existe uma concentra\u00e7\u00e3o muito maior de baixas frequ\u00eancias no espectro, que s\u00e3o as que causam mais preocupa\u00e7\u00e3o. Por isso nestas situa\u00e7\u00f5es a abordagem mais segura \u00e9 o monitoramento sismogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora tratamos a aplica\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia escalonada a uma \u00fanica carga explosiva. Mas um desmonte raramente \u00e9 composto de apenas um furo. Como procedemos quando estamos detonando com mais de um furo com cargas explosivas distintas? A resposta \u00e9: depende da situa\u00e7\u00e3o. Observe o gr\u00e1fico representado na figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"577\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/DExD-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1037\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/DExD-1.png 983w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/DExD-1-300x176.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/DExD-1-768x451.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste gr\u00e1fico temos diversas curvas de dist\u00e2ncia escalonada plotadas para cargas explosivas mantidas constantes. Perceba que para grandes dist\u00e2ncias o fator que mais contribui para diferenciar as curvas \u00e9 a carga explosiva. J\u00e1 quando estamos muito pr\u00f3ximos ao desmonte, a dist\u00e2ncia \u00e0 carga explosiva oferece uma contribui\u00e7\u00e3o maior e as curvas ficam mais pr\u00f3ximas. Se analisarmos a equa\u00e7\u00e3o de \\(DE\\), podemos observar isso:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>DE = \\frac{D}{Q^{\\frac{1}{2}}}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\Bigl(\\frac{\\partial DE}{\\partial D}\\Bigr)_Q = \\frac{1}{Q^{\\frac{1}{2}}}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\Bigl(\\frac{\\partial DE}{\\partial Q}\\Bigr)_D = -\\frac{D}{2Q^{\\frac{3}{2}}}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>As derivadas parciais acima dizem que a dist\u00e2ncia escalonada &#8220;sente&#8221; mais varia\u00e7\u00f5es devido a dist\u00e2ncia quando ela \u00e9 pequena, ou seja, quando estamos pr\u00f3ximos a fonte. Por outro lado, quando nos afastamos da fonte, a carga explosiva come\u00e7a a fazer a maior diferen\u00e7a. Considere os furos de um desmonte carregados com cargas explosivas dentro de um intervalo de 10kg a 15kg. Para uma dist\u00e2ncia de 5m, a dist\u00e2ncia escalonada fica entre os valores de<br>\\(<br>1,29 \\leq DE \\leq 1,56<br>\\)<br>E para uma dist\u00e2ncia de 100m teremos:<br>\\(<br>25,8 \\leq DE \\leq 31,6<br>\\)<br>Se voc\u00ea est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia &#8220;longa&#8221; do desmonte, pode considerar a carga explosiva como sendo aquela que \u00e9 a maior soma das cargas explosivas que detonam no mesmo instante, a chamada Carga M\u00e1xima por Espera &#8211; CME, pois as pequenas varia\u00e7\u00f5es das dist\u00e2ncias entre os furos n\u00e3o provoca tanta diferen\u00e7a no valor da dist\u00e2ncia escalonada. Agora, se voc\u00ea est\u00e1 &#8220;muito pr\u00f3ximo&#8221;, ent\u00e3o pequenas varia\u00e7\u00f5es da dist\u00e2ncia podem gerar mudan\u00e7as maiores na dist\u00e2ncia escalonada. Talvez seja necess\u00e1rio considerar a carga individual de cada furo, principalmente se voc\u00ea estiver detonando furo-a-furo. Utilizar a CME em desmontes muito pr\u00f3ximos, ignorando as contribui\u00e7\u00f5es individuais de cada furo, pode ser uma estrat\u00e9gia perigosa. <br>No desmonte do v\u00eddeo abaixo, eu n\u00e3o usei a CME como fator de previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00e3o, mas observei a contribui\u00e7\u00e3o individual da carga explosiva de cada furo, principalmente nas regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas das estruturas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1080\" style=\"aspect-ratio: 1920 \/ 1080;\" width=\"1920\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/PHI_CELZ_IJ.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste outro, al\u00e9m da previs\u00e3o de velocidade de part\u00edcula aliada ao campo de tens\u00f5es induzido, tamb\u00e9m utilizei um modelo para a previs\u00e3o das frequ\u00eancias principais, pois haviam equipamentos sens\u00edveis dentro da f\u00e1brica que eram particularmente afetados por determinada faixa de frequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"640\" style=\"aspect-ratio: 352 \/ 640;\" width=\"352\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/alcast.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o falamos dos n\u00edveis de vibra\u00e7\u00e3o, estamos tratando do assunto de uma maneira qualitativa. Isto \u00e9 o que a dist\u00e2ncia escalonada te fornece a priroi, uma analise geral. Para encontrarmos valores prov\u00e1veis de velocidade de part\u00edcula, precisamos determinar os coeficientes \\(\\alpha\\) e \\(K\\) presentes na equa\u00e7\u00e3o <br>\\(<br>V = K(DE)^{\\alpha}<br>\\)<br>Estes coeficientes n\u00e3o possuem valores tabelados. Conforme disse acima, eles dependem das condi\u00e7\u00f5es locais. Voc\u00ea pode encontrar na literatura valores prontos, alguns bem famosos, como os de Langfors, Devine, USBM e muitos outros. Utiliza-los ou n\u00e3o depende de cada caso. Em uma situa\u00e7\u00e3o onde seus desmontes estar\u00e3o longe do ponto de medi\u00e7\u00e3o at\u00e9 pode ser uma boa estrat\u00e9gia utiliza-los como uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o, mas se voc\u00ea est\u00e1 muito pr\u00f3ximo, talvez seja melhor utilizar um m\u00e9todo mais anal\u00edtico que gere uma confian\u00e7a maior. Vejamos como se faz isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lineariza\u00e7\u00e3o e m\u00ednimos quadrados.<\/strong><br>O desenvolvimento a seguir \u00e9 um cl\u00e1ssico presente nos laborat\u00f3rios e nas pesquisas de campo. <br>Eu me lembro das experi\u00eancias dos laborat\u00f3rios de f\u00edsica da faculdade. Uma das primeiras t\u00e9cnicas que nos foi ensinada foi a lineariza\u00e7\u00e3o de dados. Linearizar significa transformar uma equa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 uma reta em, adivinhe, uma reta! Quando j\u00e1 conhecemos a equa\u00e7\u00e3o que governa o fen\u00f4meno que estamos observando fica mais f\u00e1cil a lineariza\u00e7\u00e3o. No nosso caso temos uma equa\u00e7\u00e3o que contem uma vari\u00e1vel (DE) elevada a alguma potencia e aplicar uma transforma\u00e7\u00e3o logar\u00edtmica pode ser a melhor estrat\u00e9gia de lineariza\u00e7\u00e3o. <br>Para ilustrar o que queremos dizer com transforma\u00e7\u00e3o logar\u00edtmica observe o gr\u00e1fico abaixo onde plotamos diretamente os valores retornados por \\(V = K(DE)^{\\alpha}\\) com \\( K=1000 \\) e \\( \\alpha = -1,6 \\)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"890\" height=\"562\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvDE.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1066\" style=\"width:678px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvDE.png 890w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvDE-300x189.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvDE-768x485.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Agora, veja o que acontece se tomamos o logaritmo dos dois lados da equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\log(V)=\\log(KDE^{\\alpha})<br>\\\\<br>\\log(V)=\\log(K) + \\log(DE^{\\alpha})<br>\\\\<br>\\log(V)=\\log(K) + \\alpha \\log(DE)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora fazemos uma mudan\u00e7a de vari\u00e1veis:<br>\\(<br>\\log(V)= Y<br>\\\\<br>\\log(K)= \\beta<br>\\\\ <br> \\log(DE) = X<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Substituindo:<br>\\(<br>Y=\\beta + \\alpha X<br>\\)<br>Esta ultima equa\u00e7\u00e3o representa uma reta. O termo \\(\\beta\\) \u00e9 o que se chama de intercepto. Quando \\(X=0\\) ent\u00e3o \\(Y=\\beta\\). O termo \\(\\alpha\\) \u00e9 conhecido como coeficiente angular, representa a inclina\u00e7\u00e3o da reta em rela\u00e7\u00e3o ao eixo \\(X\\).<br>Veja a figura abaixo. Os dados s\u00e3o exatamente os mesmos, mas aplicamos a transforma\u00e7\u00e3o logar\u00edtmica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"943\" height=\"530\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglog.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1073\" style=\"width:665px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglog.png 943w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglog-300x169.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglog-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 943px) 100vw, 943px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com uma reta \u00e9 muito mais f\u00e1cil determinar os coeficientes \\(\\alpha\\) e \\(K\\). Veja na figura abaixo o que estes dois coeficientes significam em uma abordagem geom\u00e9trica. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"943\" height=\"530\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglogalphabetaequations.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1082\" style=\"width:666px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglogalphabetaequations.png 943w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglogalphabetaequations-300x169.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/loglogalphabetaequations-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 943px) 100vw, 943px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Basta encontrar o ponto onde a reta intercepta o eixo \\(\\log(V)\\) que conseguimos calcular \\(K\\). Calculando o \u00e2ngulo \\(\\theta\\), encontramos o coeficiente \\(\\alpha\\).<br>Quando come\u00e7aram estes estudos para previs\u00e3o de velocidade de part\u00edcula l\u00e1 nos idos dos anos 1940, 1950 n\u00e3o havia computadores para auxiliar no processo. Por isso a lineariza\u00e7\u00e3o do gr\u00e1fico ajudava muito. Voc\u00ea poderia encontrar \\(K\\) e \\(\\alpha\\) com a ajuda de uma simples r\u00e9gua. Hoje em dia voc\u00ea n\u00e3o precisa fazer todo esse malabarismo de lineariza\u00e7\u00e3o. Podemos alimentar diretamente um modelo de <em><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Line_fitting\">best fitting <\/a><\/em>de um <em>SAC<\/em> qualquer, como o <a href=\"https:\/\/octave.org\/\">GNU Ocatve<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.maplesoft.com\/\">Mapple<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.originlab.com\/origin\">Origin<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wolfram.com\/mathematica\/\">Mathematica<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.mathworks.com\/products\/matlab.html\">Mathlab<\/a>  e at\u00e9 mesmo o Microsoft Excel, diretamente com a equa\u00e7\u00e3o \\(V = K(DE)^{\\alpha}\\) que o software calcula os coeficientes para voc\u00ea. Mas esta abordagem de lineariza\u00e7\u00e3o \u00e9 um cl\u00e1ssico e os cl\u00e1ssicos devem ser sempre honrados, desta forma continuaremos com o m\u00e9todo da transformada logar\u00edtmica. Mas se voc\u00ea quiser brincar com um <em>SAC<\/em> eu sugiro o<a href=\"https:\/\/octave.org\/\"> GNU Octave<\/a>. \u00c9 livre, gr\u00e1tis, de c\u00f3digo aberto e funciona em muitas plataformas. Apenas um detalhe para finalizar: nos gr\u00e1ficos acima usei logaritmos na base 10. Poderia ter usado qualquer base, inclusive \\(e\\). Os resultados seriam os mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora sabemos como linearizar os dados. Mas a not\u00edcia ruim \u00e9 que, inevitavelmente, n\u00e3o importa o qu\u00e3o cuidadoso voc\u00ea seja na coleta dos dados, eles ter\u00e3o varia\u00e7\u00f5es, imprecis\u00f5es e erros associados. Para uma mesma medida de dist\u00e2ncia escalonada voc\u00ea ter\u00e1 diversas velocidades de part\u00edcula associadas. Olhe o exemplo da figura abaixo. Nela voc\u00ea pode ver medi\u00e7\u00f5es de velocidade de part\u00edcula feitas para dist\u00e2ncias escalonadas de 5,10,15,20 e \\(25m.kg^{-\\frac{1}{2}}\\).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1017\" height=\"716\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/variacaoppv.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1091\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/variacaoppv.png 1017w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/variacaoppv-300x211.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/variacaoppv-768x541.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1017px) 100vw, 1017px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Estas varia\u00e7\u00f5es s\u00e3o absolutamente normais. Chorar n\u00e3o vai fazer elas diminu\u00edrem. Existem in\u00fameras fontes de erros no modelo de previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es, mas acredito que a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Anisotropia#:~:text=Anisotropia%20refere%2Dse%20%C3%A0%20propriedade,propriedades%20f%C3%ADsicas%20em%20diferentes%20dire%C3%A7%C3%B5es.\">anisotropia<\/a> do meio e a maneira que se define a dist\u00e2ncia na equa\u00e7\u00e3o  \\(V = K(DE)^{\\alpha}\\) s\u00e3o as principais. N\u00e3o existe muito o que pode ser feito para a anisotropia. No m\u00e1ximo podemos tentar avaliar curvas espec\u00edficas para determinadas dire\u00e7\u00f5es ou locais em particular em vez de tentar usar uma esp\u00e9cie de <em>&#8220;curva geral&#8221;<\/em>. J\u00e1 a dist\u00e2ncia presente na defini\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia escalonada pode ter diversos significados. Veja a figura abaixo, qual seria a dist\u00e2ncia que dever\u00edamos considerar para calcular a dist\u00e2ncia escalonada?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"507\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/distanciasCasas-1024x507.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1095\" style=\"width:720px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/distanciasCasas-1024x507.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/distanciasCasas-300x148.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/distanciasCasas-768x380.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/distanciasCasas.png 1417w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe uma resposta correta. Mas voc\u00ea deve tentar manter um padr\u00e3o para as medi\u00e7\u00f5es. Se vai utilizar D1, por exemplo, deve manter a consist\u00eancia em todas as medi\u00e7\u00f5es. Pode ser que, para determinados locais ou situa\u00e7\u00f5es, utilizar D2 seja mais vantajoso. Neste caso, voc\u00ea deve avaliar se manter os dados associados a D2 junto com os dados de D1 produz resultados aceit\u00e1veis ou ent\u00e3o uma outra curva de previs\u00e3o apenas com as dist\u00e2ncias D2 deve ser feita. <br>Ainda, as propaga\u00e7\u00f5es ondulat\u00f3rias em geral, n\u00e3o somente a luz, seguem o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Princ%C3%ADpio_de_Fermat\">Princ\u00edpio de Fermat<\/a>. Isso significa que \u00e9 muito dif\u00edcil prever uma trajet\u00f3ria de onda direta entre a fonte e o geofone, pois o caminho pode n\u00e3o ser necessariamente uma linha reta. O Princ\u00edpio de Fermat afirma que o caminho percorrido ser\u00e1 aquele que consumir menos tempo. Mudan\u00e7as de densidade do meio, por exemplo, podem levar a trajet\u00f3rias diferentes de uma linha reta.<br>Todas estas fontes de incertezas e erros associados n\u00e3o geram exatamente uma reta com os dados de velocidade de part\u00edcula e dist\u00e2ncia escalonada, mas uma nuvem de pontos. Algo como mostrado na figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"942\" height=\"619\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvdenuvem.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1098\" style=\"width:710px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvdenuvem.png 942w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvdenuvem-300x197.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/ppvdenuvem-768x505.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 942px) 100vw, 942px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Para lidar com situa\u00e7\u00f5es como esta, utilizamos o m\u00e9todo dos <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/M%C3%A9todo_dos_m%C3%ADnimos_quadrados\">m\u00ednimos quadrados<\/a>. Este \u00e9 mais um daqueles parenteses neste texto que daria s\u00f3 por ele mesmo um post dedicado, por isso vou tentar resumir o que \u00e9 este m\u00e9todo. Queremos encontrar uma reta para os pontos acima que melhor se ajuste aos dados. Mas como escolher entre infinitas possibilidades? Um jeito bacana de escolher esta melhor reta \u00e9 dado pelo m\u00e9todo dos m\u00ednimos quadrados. A t\u00edtulo de simplicidade vamos usar de exemplo 6 pontos, conforme mostra a figura abaixo. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"391\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1102\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq1.png 719w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq1-300x163.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vamos tra\u00e7ar uma reta qualquer e para cada ponto desenhamos um quadrado cujo lado \u00e9 igual a dist\u00e2ncia do ponto at\u00e9 a reta. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"391\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1103\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq3.png 719w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq3-300x163.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A reta que melhor se ajusta ao conjunto de pontos ser\u00e1 aquela em que a soma das \u00e1reas dos quadradinhos for a menor poss\u00edvel, n\u00e3o concorda? Por isso se chama m\u00e9todo dos m\u00ednimos quadrados. Veja na anima\u00e7\u00e3o abaixo que vamos ajustando a inclina\u00e7\u00e3o e o deslocamento vertical at\u00e9 obter uma reta onde temos os menores quadradinhos poss\u00edveis, minimizando a soma das \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"392\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mq-1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1104\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos entrar em detalhes aqui de como o m\u00e9todo dos m\u00ednimos quadrados encontra essa reta. O importante \u00e9 que voc\u00ea entenda a ideia. Aplicando o m\u00e9todo voc\u00ea ter\u00e1 uma reta com um coeficiente angular e um intercepto. O coeficiente angular ser\u00e1 nosso coeficiente \\(\\alpha\\) e o coeficiente \\(K\\) pode ser encontrado com o uso de \\(K=10^\\beta\\) em que \\(\\beta\\) \u00e9 o intercepto. <br>Vou lhe mostrar um exemplo simples feito na planilha eletr\u00f4nica. Voc\u00ea ver\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil como est\u00e1 pensando que \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine que voc\u00ea captou 21 medidas de velocidade resultante, conforme a tabela abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"286\" height=\"357\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVR-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1110\" style=\"width:355px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVR-2.png 286w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVR-2-240x300.png 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O que voc\u00ea precisa fazer agora \u00e9 aplicar o logaritmo, pode ser na base 10, nas duas colunas. O resultado \u00e9 uma tabela estendida como esta:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"454\" height=\"355\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVRLOGLOG-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1111\" style=\"width:574px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVRLOGLOG-1.png 454w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelaDEVRLOGLOG-1-300x235.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico ap\u00f3s a lineariza\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrado abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"947\" height=\"533\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/graficoLOGLOGexemplo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1112\" style=\"width:699px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/graficoLOGLOGexemplo.png 947w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/graficoLOGLOGexemplo-300x169.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/graficoLOGLOGexemplo-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 947px) 100vw, 947px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Agora, vou te mostrar dois caminhos. Eles levam ao mesmo lugar. Escolha aquele que mais lhe agradar.<br>Na figura abaixo fiz uso das f\u00f3rmulas de Excel:<br><strong>INTERCEP\u00c7\u00c3O<\/strong> &#8211; calcula o intercepto com base em dados x,y da reta de melhor ajuste.<br><strong>INCLINA\u00c7\u00c3O<\/strong> &#8211; calcula o coeficiente angular da reta de melhor ajuste de dados x,y.<br><strong>RQUAD<\/strong> &#8211; calcula o coeficiente de determina\u00e7\u00e3o (j\u00e1 veremos mais adiante o significado deste n\u00famero).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"355\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/eqPPVajustada-1024x355.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1113\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/eqPPVajustada-1024x355.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/eqPPVajustada-300x104.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/eqPPVajustada-768x266.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/eqPPVajustada.png 1183w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com base nestes dados, nossa curva de melhor ajuste \u00e9 <br>\\(<br>V_r = 1042,37(DE)^{-1,32}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Outro caminho \u00e9 atrav\u00e9s do pr\u00f3prio gr\u00e1fico com o uso das linhas de tend\u00eancia. Basta selecionar os dados dentro do gr\u00e1fico e aplicar uma linha de tendencia linear. Habilite as op\u00e7\u00f5es de exibi\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o e do valor do coeficiente de determina\u00e7\u00e3o \\(R^2\\).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"925\" height=\"533\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/linhaTendencia.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1115\" style=\"width:691px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/linhaTendencia.png 925w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/linhaTendencia-300x173.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/linhaTendencia-768x443.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 925px) 100vw, 925px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja que chegamos no mesmo lugar nos dois m\u00e9todos.<br>O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Coeficiente_de_determina%C3%A7%C3%A3o\">coeficiente de determina\u00e7\u00e3o<\/a> \\(R^2\\) lhe diz como est\u00e1 a qualidade do seu modelo. Possui um valor que varia de 0 a 1. Quanto mais pr\u00f3ximo de 1, melhor o ajuste da reta. No exemplo acima o valor de 0,95 diz que nosso modelo de certa forma &#8220;explica&#8221; 95% da vari\u00e2ncia da vari\u00e1vel dependente, velocidade resultante, em fun\u00e7\u00e3o da vari\u00e1vel independente, dist\u00e2ncia escalonada. N\u00e3o \u00e9 raro encontrar curvas de previs\u00e3o de velocidade com valores de \\(R^2\\) muito baixos, menores que 0,5. Quanto menor for o valor de \\(R^2\\), pior ser\u00e1 a previs\u00e3o dada pela sua curva. Tenha sempre muito zelo e asseio na coleta dos seus dados de dist\u00e2ncia escalonada e carga explosiva para tentar manter o valor de \\(R^2\\) em n\u00edveis aceit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta curva que deduzimos acima \u00e9 a que chamamos de curva do melhor ajuste da m\u00e9dia. Se voc\u00ea observar na figura, ver\u00e1 que alguns pontos ficam acima da reta e outros, abaixo. Vamos analisar a previs\u00e3o da nossa curva e comparar os resultados com os valores medidos. Veja a tabela abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"684\" height=\"376\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelamedidaPrevista.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1121\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelamedidaPrevista.png 684w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/tabelamedidaPrevista-300x165.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Alguns valores ficam acima, outros abaixo. Uns mais distantes, outros mais pr\u00f3ximos. Na nossa aplica\u00e7\u00e3o de controle de vibra\u00e7\u00f5es, estas oscila\u00e7\u00f5es podem ser perigosas. Se nossa previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00e3o gerar um valor muito abaixo do que for efetivamente medido ent\u00e3o nosso esfor\u00e7o ter\u00e1 sido in\u00fatil. Melhor seria se pud\u00e9ssemos garantir, pelo menos em algum n\u00edvel de confian\u00e7a, que as previs\u00f5es do nosso modelo fossem regidas n\u00e3o por uma igualdade, mas por um desigualdade. Assim:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>V_r  \\leq K(DE)^{\\alpha}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>A equa\u00e7\u00e3o acima diz que o resultado, \\(V_r\\) ser\u00e1 menor ou igual ao lado direito. Isso nos daria uma certa seguran\u00e7a. Para fazer isso, precisamos reconfigurar a reta de melhor ajuste da m\u00e9dia de uma maneira que uma porcentagem dos pontos do gr\u00e1fico fique abaixo dela. O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intervalo_de_confian%C3%A7a\">intervalo de confian\u00e7a<\/a> mais comumente usado \u00e9 de 95%. E por que n\u00e3o 100%? Se voc\u00ea definir um intervalo de confian\u00e7a de 100%, ele precisa cobrir todos os poss\u00edveis valores, ou seja, incluir qualquer valor poss\u00edvel do par\u00e2metro estimado. Isso n\u00e3o oferece <em>insights<\/em> \u00fateis porque n\u00e3o restringe a incerteza de maneira pr\u00e1tica. O intervalo de 95% \u00e9 um padr\u00e3o porque ele equilibra confian\u00e7a e precis\u00e3o. Ele significa que, se voc\u00ea repetisse a amostragem m\u00faltiplas vezes, 95% das curvas de ajuste geradas conteriam o valor real do par\u00e2metro. 100% incluiria tudo e n\u00e3o teria valor preditivo, enquanto 95% equilibra confian\u00e7a e precis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Definir uma curva de 95% de confian\u00e7a no Excel \u00e9 um pouquinho chato, mas d\u00e1 pra ser feito. A melhor estrat\u00e9gia \u00e9 utilizar a fun\u00e7\u00e3o PROJ.LIN que retorna uma matriz com os par\u00e2metros que precisamos. PROJ.LIN retorna 5 linhas com as seguintes informa\u00e7\u00f5es:<br>Linha 1: Inclina\u00e7\u00e3o da reta de melhor ajuste da m\u00e9dia \\(\\alpha\\) e Intercepto \\( \\beta\\).<br>\u200bLinha 2: Erro padr\u00e3o da inclina\u00e7\u00e3o, \\(er_i\\) e erro padr\u00e3o do intercepto, \\(er_t\\).\u200b Necess\u00e1rios para o calculo dos par\u00e2metros da curva de 95%.<br>Linha 3: Coeficiente de determina\u00e7\u00e3o \\( R^2\\) e erro padr\u00e3o da vari\u00e1vel Y.<br>\u200bLinha 4: Estat\u00edstica F e n\u00famero de graus de liberdade.\u200b<br>Linha 5: A soma dos quadrados da regress\u00e3o e soma dos quadrados residuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, utilizamos a fun\u00e7\u00e3o INV.T para calcular o valor cr\u00edtico <code><em>t<\/em><\/code> da distribui\u00e7\u00e3o de Student. Os novos coeficientes da curva ser\u00e3o:<br>\\(<br>\\alpha_{95} = \\alpha \\pm (t\\, er_i)<br>\\\\<br>\\beta_{95} = \\beta \\pm (t\\,er_t)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Veja a nova tabela abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"253\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95-1024x253.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1127\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95-1024x253.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95-300x74.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95-768x190.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95-1536x379.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/curva95.png 1625w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Detalhes:<br>A fun\u00e7\u00e3o INV.T foi iniciada com o valor 0,975 (97,5%) porque consideramos 2,5% em cada lado da cauda da distribui\u00e7\u00e3o, totalizando 5% na soma das duas.<br>Calculamos nas linhas do intercepto e da inclina\u00e7\u00e3o os coeficientes tanto para uma confian\u00e7a de 95% acima quanto abaixo. Assim, a reta<br>\\(<br>Vr_{U95\\%} = 1785,06(DE)^{-1,17}<br>\\)<br>cont\u00e9m os valores abaixo dela. E a reta<br>\\(<br>Vr_{B95\\%} = 608,68(DE)^{-1,47}<br>\\)<br>contem os valores acima dela. Vamos comparar os valores previstos pela reta de 95% com os valores medidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"746\" height=\"376\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/previsaoCurva95.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1129\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/previsaoCurva95.png 746w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/previsaoCurva95-300x151.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Agora nossas previs\u00f5es est\u00e3o com um coeficiente de seguran\u00e7a. Isso pode ser facilmente visualizado na plotagem das tr\u00eas retas que definimos. A da m\u00e9dia, 95% inferiores e 95% superiores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"933\" height=\"533\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/9595.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1131\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/9595.png 933w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/9595-300x171.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/9595-768x439.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 933px) 100vw, 933px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Todos estes c\u00e1lculos podem ser feitos de maneira autom\u00e1tica mesmo no Excel. No pacote de estat\u00edstica voc\u00ea tem a op\u00e7\u00e3o direta de <em>Regress\u00e3o Linear<\/em>. Os resultados j\u00e1 lhe trar\u00e3o todos os interceptos e coeficientes de inclina\u00e7\u00e3o para as tr\u00eas retas. Mas \u00e9 sempre bom entender o que significa cada termo, coeficiente e vari\u00e1vel envolvida.<br>Este tipo de abordagem para determinar os coeficientes \\(\\alpha\\) e \\(K\\) para uma curva de 95% \u00e9 muito \u00fatil em situa\u00e7\u00f5es de desmontes muito pr\u00f3ximos a estruturas.  Por exemplo, nos desmonte do v\u00eddeo abaixo, primeiro eu determinei os coeficientes iniciais  \\(\\alpha\\) e \\(K\\) atrav\u00e9s de 25 pontos de dist\u00e2ncia escalonada que detonei em um \u00fanico fogo, isolando alguns furos com tempos de retardo grande entre eles de maneira a conseguir diferencia-los no sismograma. Com o uso de 5 sism\u00f3grafos a diversas dist\u00e2ncias, foi f\u00e1cil gerar 25 valores de dist\u00e2ncia escalonada mesmo com cargas iniciais bem pequenas. Conforme os trabalhos avan\u00e7avam, fui refinando o modelo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"720\" style=\"aspect-ratio: 1280 \/ 720;\" width=\"1280\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesa.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>E estes foram os valores medidos pelos sism\u00f3grafos:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"723\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesaNBR-1024x723.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1134\" style=\"width:601px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesaNBR-1024x723.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesaNBR-300x212.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesaNBR-768x542.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/silesaNBR.png 1062w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nestes outros desmontes abaixo, utilizei uma abordagem de busca com algoritmos gen\u00e9ticos para determinar as melhores configura\u00e7\u00f5es de malha e carga explosiva aliada a diversas possibilidades de coeficientes \\(\\alpha\\) e \\(K\\). Com isso consegui prever a provavel faixa de valores das tens\u00f5es que as estruturas ficariam expostas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1200\" style=\"aspect-ratio: 1600 \/ 1200;\" width=\"1600\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/farroupilha.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1080\" style=\"aspect-ratio: 1920 \/ 1080;\" width=\"1920\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/parai.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p>Existem ferramentas num\u00e9ricas suficientemente precisas, confi\u00e1veis e de certa forma f\u00e1ceis de serem usadas para que possamos manter as vibra\u00e7\u00f5es dos desmontes em n\u00edveis adequados. N\u00e3o existem motivos para n\u00e3o us\u00e1-las. A seguran\u00e7a da opera\u00e7\u00e3o come\u00e7a no seu correto dimensionamento, na engenharia envolvida, mas o que ocorre frequentemente \u00e9 uma certa abordagem um tanto quanto imprecisa, simpl\u00f3ria e at\u00e9 mesmo, algumas vezes, amadora no projeto de desmontes de rocha em situa\u00e7\u00f5es de controle cr\u00edtico de vibra\u00e7\u00f5es. <br>Sem querer parecer o dono da palavra final no assunto, pelo contr\u00e1rio, gostaria muito de ouvir seus coment\u00e1rios e opini\u00f5es sobre o tema. Mande um <a href=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/contato\/\">email<\/a> com cr\u00edticas, sugest\u00f5es ou mesmo se tiver alguma d\u00favida. <br>Minhas ultimas considera\u00e7\u00f5es sobre este tema, que descrevo abaixo, tem a inten\u00e7\u00e3o de levantar algum debate, ainda que singelo, sobre as pr\u00e1ticas atuais de controle e medi\u00e7\u00f5es de vibra\u00e7\u00f5es causadas por desmontes de rochas.<br><br>J\u00e1 vi muitas licen\u00e7as serem emitidas com a restri\u00e7\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es exclusivamente impostas por carga explosiva ou por altura de bancadas apenas. Conforme voc\u00ea pode ler no texto acima, a melhor maneira de restringir ou melhor dizendo, de impor certos limites regulat\u00f3rios \u00e9 atrav\u00e9s da dist\u00e2ncia escalonada. <br>Isso permite que o minerador ou quem quer que seja, tenha uma maior liberdade em trabalhar cargas, alturas e dist\u00e2ncias, facilitando a busca pela otimiza\u00e7\u00e3o da fragmenta\u00e7\u00e3o. Quanto melhor a fragmenta\u00e7\u00e3o menor ser\u00e3o as vibra\u00e7\u00f5es. Deixar uma certa liberdade guiada por uma restri\u00e7\u00e3o sensata de dist\u00e2ncias escalonadas parece ser a melhor alternativa. <br><br>Ao se adotar crit\u00e9rios de distancia escalonada e uma ou mais equa\u00e7\u00e3o de previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es consegue-se uma maior seguran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es. Em locais onde existe a conviv\u00eancia com vizinhos estas t\u00e9cnicas trazem muitas vantagens. Se voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel por um empreendimento nesta situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tem uma ou v\u00e1rias curvas de previs\u00e3o prontas, est\u00e1 perdendo tempo e provavelmente dinheiro. Curvas de previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es devidamente feitas e calibradas te permitem planejar com muito mais seguran\u00e7a a dire\u00e7\u00e3o dos seus desmontes e as demais vari\u00e1veis envolvidas:<br>&#8211; Os di\u00e2metros de perfura\u00e7\u00e3o que podem ser usados sem que a carga explosiva extrapole as previs\u00f5es do modelo.<br>&#8211; As alturas de corte em rocha que o modelo de vibra\u00e7\u00e3o prev\u00ea como seguras, devido a carga explosiva que poder\u00e1 usar.<br>&#8211; Os limites da sua lavra.<br>Al\u00e9m disso, voc\u00ea facilita a fiscaliza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. Tornando suas opera\u00e7\u00f5es mais previs\u00edveis e sem surpresas voc\u00ea certamente abrir\u00e1 um di\u00e1logo muito mais sensato com seu agente fiscalizador, pois o estar\u00e1 subsidiando com dados que lhe permitir\u00e3o tomar decis\u00f5es com muito mais seguran\u00e7a. <br><br>Caso seu caso seja voltado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil, como um projeto de desmonte urbano ou com severas restri\u00e7\u00f5es de vibra\u00e7\u00e3o, meu conselho \u00e9 que exija do seu fornecedor deste tipo de servi\u00e7o um plano de gerenciamento das vibra\u00e7\u00f5es. Este plano deve incluir o modelo adotado para o inicio das opera\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, como se chegou a conclus\u00e3o que as cargas explosivas dimensionadas gerar\u00e3o vibra\u00e7\u00f5es em n\u00edveis seguros.<br>A estrat\u00e9gia de coleta dos dados para o refinamento do modelo inicial tamb\u00e9m deve estar presente.<br>Eu j\u00e1 vi muitos planos de fogo em que, no m\u00e1ximo, estava escrito que o controle de vibra\u00e7\u00f5es seria feito com a instala\u00e7\u00e3o de um sism\u00f3grafo. Ora, isso n\u00e3o \u00e9 controlar nada, \u00e9 apenas medir. Dizer que voc\u00ea vai controlar as vibra\u00e7\u00f5es apenas porque instalou um sism\u00f3grafo \u00e9 dizer que seu m\u00e9dico vai lhe curar a febre apenas colocando o term\u00f4metro. O sism\u00f3grafo \u00e9 apenas uma ferramenta para confirmar, ou n\u00e3o, as previs\u00f5es do seu modelo de gerenciamento de vibra\u00e7\u00f5es.<br>Se for contratar consultores, cuidado com os capit\u00e3es do \u00f3bvio. Um especialista deve lhe fornecer detalhes, n\u00fameros, ainda que no inicio estejam carregados com alguma incerteza incomoda. <br>Frases aleat\u00f3rias como &#8220;devemos diminuir a carga&#8221;, &#8220;aumentar os retardos&#8221;, &#8220;o limite de vibra\u00e7\u00f5es seguro \u00e9 de x mm\/s&#8221; s\u00e3o muito vagas. Eles devem lhe fornecer a estrat\u00e9gia detalhada: qual a carga explosiva segura e por que, quais limites ou normas devem ou podem ser adotados e por que.<br><br>Quanto as normas que ditam limites certamente podem ser aprimoradas. Acredito que levantando o n\u00edvel t\u00e9cnico sobre o assunto teremos condi\u00e7\u00e3o de debater de uma maneira mais t\u00e9cnica sobre os limites que usamos e de como poderemos melhor\u00e1-los. <br><br>O texto acima contem a ponta do iceberg. \u00c9 uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o para que voc\u00ea possa seguir para um caminho mais profundo e estudar em detalhes todas as t\u00e9cnicas e m\u00e9todos apresentados. <br>Espero que lhe ajude de alguma forma!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Atualiza\u00e7\u00e3o:<br>Conforme apontado pelo meu amigo <a href=\"https:\/\/www.technoblast.com.br\/\">Eng. Luiz Eduardo da Technoblast<\/a> atualmente os geofones trabalham com LVTs &#8211; Linear Velocity Transducers e n\u00e3o com aceler\u00f4metros. Fiz essa corre\u00e7\u00e3o no texto onde eu afirmava, erroneamente, que a maioria utilizava aceler\u00f4metros. J\u00e1 foi esse o tempo.<br>Obrigado Luiz!<br><br><br><br><strong><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes desafios do desmonte de rochas \u00e9 a previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es. Saber de antem\u00e3o quais ser\u00e3o os n\u00edveis de vibra\u00e7\u00e3o sem que se tenham dados pr\u00e9vios \u00e9 um problema. Problema porque, literalmente, ataca-se essa quest\u00e3o com um enfoque estat\u00edstico, matem\u00e1tico. Ou pelo menos deveria ser este o caminho. 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