{"id":1713,"date":"2026-05-04T15:04:59","date_gmt":"2026-05-04T18:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/?p=1713"},"modified":"2026-05-05T07:41:48","modified_gmt":"2026-05-05T10:41:48","slug":"termodinamica-do-desmonte-de-rochas-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/2026\/05\/04\/termodinamica-do-desmonte-de-rochas-parte-1\/","title":{"rendered":"Termodin\u00e2mica do desmonte de rochas &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"\n<p>Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o o desmonte de rocha \u00e9 fundamentado no gerenciamento da energia de liga\u00e7\u00e3o de um \u00e1tomo de nitrog\u00eanio. O Nitrato de Amonia, se me lembro bem, libera a energia de suas liga\u00e7\u00e3o covalentes dos ions \\( NH_4^+\\) e \\(NO_3^-\\) quando em regime de detona\u00e7\u00e3o. \u00c9 destas reconfigura\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que provem toda a energia que usamos. Parte dela est\u00e1 associada \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o do material desmontrado. Abrir fraturas consome (muita) energia. Parte do trabalho \u00e9 gasto na oscila\u00e7\u00e3o do material circundante, causada pela passagem de perturba\u00e7\u00f5es: ondas P, S, Love, Rayleigh, Lamb e Stoneley s\u00e3o alguns exemplos. Ainda existe a parcela que \u00e9 transformada em calor, grande parte atrav\u00e9s das for\u00e7as viscosas atreladas ao atrito interno do material, que transformam parte da energia coerente de uma oscila\u00e7\u00e3o em energia irrecuper\u00e1vel, e nesta parte somos cumplices do aumento da enrtropia do universo, fornecendo, inexoravelmente, nossa contribui\u00e7\u00e3o.<br>O uso da termodin\u00e2mica para entender e, por conseguinte, aplicar o conhecimento da an\u00e1lise da energia entregue ao meio por uma coluna de explosivos \u00e9 fundamental. \u00c9 deste primeiro conjunto de conceitos f\u00edsicos que nascem, acreditem, todas as teorias de fragmenta\u00e7\u00e3o, flyrock, formato de pilha, vibra\u00e7\u00f5es, sobrepress\u00e3o ac\u00fasitica, temporiza\u00e7\u00e3o \u00f3tima e disposi\u00e7\u00e3o espacial \u00f3tima (malha de perfura\u00e7\u00e3o). Sem entender como a energia \u00e9 entregue ao meio \u00e9 imposs\u00edvel prever sua rea\u00e7\u00e3o. Seja na an\u00e1lise da solicita\u00e7\u00e3o do meio em regime de choque \u00e0 media\u00e7\u00e3o entre press\u00e3o de detona\u00e7\u00e3o e velocidade de part\u00edcula feita pelas imped\u00e2ncias dos meios, a termodin\u00e2mica est\u00e1 presente como fornecedora de modelos f\u00edsicos.<br>A compreens\u00e3o dos conceitos apresentados neste pequeno texto pode te dar um combust\u00edvel enorme para otimizar a sua produ\u00e7\u00e3o. Pode ser pelo caminho da an\u00e1lise exerg\u00e9tica de toda a sua cadeia produtiva: desmonte-&gt;carga-&gt;transporte-&gt;britagem(moagem)-&gt;beneficiamento, ou apenas no processo do desmonte, entender como a energia se transforma e os limites de sua disponibilidade para trabalho \u00fatil \u00e9, no final de tudo, o que importa.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos textos cl\u00e1ssicos introduzem este assunto com o uso da analogia de um pist\u00e3o comprimindo um meio gasoso. Acredito que esta abordagem \u00e9 emprestada do estudo de escoamentos compressivos e regimes de choque. Os livrros <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Blasting-Explosives-Engineering-Anders-Persson\/dp\/084938978X\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=2GDMCR3CZUHP0&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.AlfnxNEXZxXK1lh9aIHNr9qbEXChArPCmx_oMPMVxlc0dRUCf4dy9gi-Fm0kHzyI5agfxgzgX64XRsx_TvHFMbYe_r6qMm3_yuqRiUq9ACZIYW1U3bg9D-12GGU9fk1X2oBLFzBpAHH3bwMY4jAsXoR0K3YMfuzhfGlGqE-dSCtVOPqdeyobpRnvK22RF5H-YTavMPQZmpPp4_n1oK7_mlmHpGls3yB2U5oE7BK7r8sZLxkaaDVu9evxnJyu8SqIZsE9KWS9Oa6p_Tc80XbKvqJd-TecaKKnpJQUv0-Uc_k.cZseYgoXvhK5yVKe85IISA6yZIaEISJDU0OUDZRaupM&amp;dib_tag=se&amp;keywords=Rock+blasting+and+explosives+engineering&amp;qid=1777567138&amp;sprefix=rock+blasting+and+explosives+engineering%2Caps%2C217&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.25548f35-0de7-44b3-b28e-0f56f3f96147\">Rock Blasting and Explosives Engineering<\/a><\/em>, <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Physics-Shock-High-Temperature-Hydrodynamic-Phenomena\/dp\/0486420027\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=2DEIFU7LJY2EO&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.iWPE2zjgE1zcaXV7HDPWClLY3aXlTY9Z_NOYMWWCx8hHNF4W80BJrY5VIV-e_01ypwWePnM4Htrt9upmvm4DpwVP1KHe4Jl3-KCEQ_gfdHEy0Je1yrL_NNYQakYWZ214E7tcP_LnxTks7F1UzWdxHHIq0DIUy2zEiCrq0Nu0OhkTJD6uRTlWYiRqNEnVhJ5YzBcc12zZKNMzT32ZuzGw8FqyQYZK4W6UZaDcevdjXdbuHt79wU3AOKLoW0Uf_Wbze9nQfp3cTHPCloNUY8VqTsJogpHszeiBh3R5yZ4EEpQ.HFVcR8f0SvyHUwEKJGvZofIFnLpFhl1AYscOAzNcTHk&amp;dib_tag=se&amp;keywords=shock+wave&amp;qid=1777567417&amp;sprefix=shock+wave%2Caps%2C230&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.fcd6d665-32ba-4479-9f21-b774e276a678\">Physics of Shock Waves and High-Temperature Hydrodynamic Phenomena<\/a><\/em> e <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Detonation-Theory-Experiment-Wildon-Fickett\/dp\/0486414566\/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=1DHVPOMGY1P5H&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.OeKPPFw-xjDBMnXGLo516bjk-1LPL6GX_jRl6_TO3682sK110yow9BCGQ9O1aI84SQMeDpjg9ztynYMZ8dv2QCHX3PA8XW3dC84ViLrX5jq674doWk_g3mpZ-NOV7KppiMGG6ANlupW9ohNJLnUVM1QFwT--LmGypwo_hctjIwHFcmAzvi7-2h0olaraykCdmlTbuGk86Msn1sAjM-5SuVhIAE2gpCgNcRrPstWDstTf7ZZuh3hJVlvJTcsqVJZOXvDhU7I_QbuxxMnYiJOgyqyrqutJinT8l8ekEGy6FZ0.WjH4HwnyYwgrcPHjTf0m5cBgpQTBQpIszyqFOPOy7Hg&amp;dib_tag=se&amp;keywords=Detonation&amp;qid=1777567476&amp;sprefix=detonation%2Caps%2C243&amp;sr=8-2&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.6121c6c4-c969-43ae-92f7-cc248fc6181d\">Detonation: Theory and Experiment&nbsp;<\/a><\/em>s\u00e3o alguns que conhe\u00e7o que usam a analogia do pist\u00e3o. O indispens\u00e1vel livro de Paul W. Cooper, <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Explosives-Engineering-Paul-W-Cooper\/dp\/0471186368\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=1J0MOYPB2P45W&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.nskQTjSQT6pPqwA_E5lq7B5Zqmw3RhVw9k5AC3kPiThqSzdNKCp4Zwi7Fbfk3bnP_6yFr6ik_QsQ_4FpPQ7oO3zyAIXyhTpLHcl7WwBDsJG3z9PrevGpzPumq7bd8-8H1k2O_N2zln-Jo49EGpKuaK2Gfa4xgzDaZJjDNSXgJAg.QbHy_mbClr1zB-El3aAbeTrHMnAdojqzENyvBewSVlQ&amp;dib_tag=se&amp;keywords=cooper+explosives+engineering&amp;qid=1777567899&amp;sprefix=cooper+explosives+engineerin%2Caps%2C319&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.25548f35-0de7-44b3-b28e-0f56f3f96147\">Explosives Engineering,<\/a><\/em> j\u00e1 tem uma abordagem mais, digamos, contundente, deduzindo as equa\u00e7\u00f5es de salto de <em><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rankine%E2%80%93Hugoniot_conditions\">Rankine-Hugoniot<\/a><\/em>, que \u00e9 nosso objetivo principal aqui, de uma maneira mais direta, sem tanto apelo a simplifica\u00e7\u00f5es. Acho que para nosso prop\u00f3sito um meio termo \u00e9 justo. Nem come\u00e7ar pelo uso de uma escalada de met\u00e1foras nem por uma abordagem puramente f\u00edsica e demasiada densa em formalismo matem\u00e1tico. Mas mesmo assim, para compreender grande parte dos conceitos apresentados neste texto voc\u00ea deve ter um conhecimento suficiente de conceitos relativos a termodin\u00e2mica b\u00e1sica. <br>Observe a figura abaixo, uma coluna de explosivo em um furo. Coisa do dia-a-dia para n\u00f3s. Acho que \u00e9 mais f\u00e1cil come\u00e7ar direto deste ponto. Tudo o que est\u00e1 em verde representa o material explosivo. A linha vermelha mostra o ponto de inicia\u00e7\u00e3o da massa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"752\" height=\"76\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/CoisaGel_2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1736\" style=\"aspect-ratio:9.896056026538886;width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/CoisaGel_2.png 752w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/CoisaGel_2-300x30.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Verde: material explosivo<br>Faixa vermelha: ponto de inicia\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O que acontece quando voc\u00ea inicia o furo \u00e9 mais ou menos isso que mostra a anima\u00e7\u00e3o abaixo, considerando um sistema idealizado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"76\" style=\"aspect-ratio: 744 \/ 76;\" width=\"744\" controls src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/det_furo.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sistema fechado e isolado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Existem apenas tr\u00eas maneiras da energia cruzar as fronteiras de um sistema: por fluxo de massa, calor e trabalho. Depois de iniciada a massa explosiva, a energia pode ser entregue ao maci\u00e7o apenas atrav\u00e9s destas tre\u015d maneiras. Uma delas \u00e9 totalmente in\u00fatil \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o: o calor. O fluxo de massa carregando energia para fora do volume de controle pode n\u00e3o ser uma coisa positiva, quando, por exemplo, os gases escapam por uma ou mais fraturas pr\u00e9-existentes, levando consigo parte da energia que poderia ser aproveitada na fragmenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os trabalhos associados a expans\u00e3o dos gases transferindo momento ao material fragmentado ou mesmo sendo consumido na abertura de fraturas e o trabalho imposto pelo regime de choque ao meio possuem papeis distintos, mas ao mesmo tempo complementares, na fragmenta\u00e7\u00e3o e no lan\u00e7amento do material. Neste texto trataremos primeiro dos eventos imediatamente antes que a energia possa cruzar a fronteira. Isso significa que vamos analisar o potencial de energia que podemos entregar ao meio. Se, ap\u00f3s isso, essa energia ser\u00e1 convertida em trabalho \u00fatil \u00e9 outra hist\u00f3ria, mas o inicio, o cap\u00edtulo um da saga come\u00e7a na an\u00e1lise termodin\u00e2mica da detona\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuando com a figura exemplo, vamos observar algumas <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sistema_(f%C3%ADsica)#Sistema_termodin%C3%A2mico\">vari\u00e1veis de estado<\/a> e adotar um sistema de coordenadas qualquer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"328\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-1024x328.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1755\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-1024x328.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-300x96.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-768x246.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-1536x492.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Lagangeana-2048x656.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A frente que se desloca com velocidade \\(\\vec{V} \\) no sentido horizontal para a esquerda \u00e9 o famos plano de Chapman-Jouguet (CJ). Recebe esse nome devido ao f\u00edsico brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chapman%E2%80%93Jouguet_condition\">David Chapman e o engenheiro franc\u00eas \u00c9mile Jouguet<\/a> que no come\u00e7o do s\u00e9culo XX estudaram e descreveram a f\u00edsica da detona\u00e7\u00e3o. As vari\u00e1veis de estado mostradas na figura possuem valores antes da passagem de CJ e depois. Estas vari\u00e1veis s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(\\rho \\rightarrow \\) Densidade de massa<\/li>\n\n\n\n<li>\\(u \\rightarrow \\) Velocidade de part\u00edcula<\/li>\n\n\n\n<li>\\(T \\rightarrow \\) Temperatura<\/li>\n\n\n\n<li>\\(p \\rightarrow \\) Press\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>\\(e \\rightarrow \\) Energia espec\u00edfica interna<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A figura acima \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o idealizada com intuito did\u00e1tico de mostrar a situa\u00e7\u00e3o mostrada na figura abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"734\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ibe_det-1024x734.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1790\" style=\"width:564px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ibe_det-1024x734.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ibe_det-300x215.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ibe_det-768x550.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ibe_det.png 1098w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cartucho de emuls\u00e3o sendo detonado. N\u00e3o me lembro de onde consegui esta imagem. J\u00e1 pe\u00e7o desculpas por n\u00e3o colocar os devidos cr\u00e9ditos. Se voc\u00ea \u00e9 o dono desta imagem, por favor aceite primeiramente minhas desculpas e envie-me um email se quiser que eu coloque os cr\u00e9ditos ou retire a imagem.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na figura acima podemos ver a inicia\u00e7\u00e3o de um cartucho de emuls\u00e3o alguns microsegundos ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o da espoleta de inicia\u00e7\u00e3o. Na figura abaixo podemos observar o plano de CJ durante a detona\u00e7a\u00f5 e um cordel detonante NP-10.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"542\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-1024x542.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1791\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-1024x542.jpeg 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-300x159.jpeg 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-768x407.jpeg 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-1536x813.jpeg 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35-720x380.jpeg 720w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-02-07-at-17.29.35.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cordel detonante detonando. Cr\u00e9ditos: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@BallisticHighSpeed\">https:\/\/www.youtube.com\/@BallisticHighSpeed<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na imagem acima voc\u00ea pode observar que o plano de CJ, na realidade, n\u00e3o \u00e9 bem um plano, mas um pequeno volume de rea\u00e7\u00e3o. Mas para nossas dedu\u00e7\u00f5es aqui, considerar um plano n\u00e3o traz muita dificuldade e fere pouco a verdade. <\/p>\n\n\n\n<p>O subindice 0 nas vari\u00e1veis de estado indica que o material ainda n\u00e3o sofreu altera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o as propriedades do explosivo intacto, que ainda n\u00e3o foi iniciado. J\u00e1 o subindice 1 indica que as propriedades foram alteradas pela passagem do plano CJ, ou seja, algo aconteceu no material que alterou suas propriedades. Este &#8220;algo aconteceu com o material&#8221; \u00e9 o que nos interessa. Veja, poder\u00edamos partir de uma an\u00e1lise qu\u00edmica, at\u00f4mica, considerando um material metaest\u00e1vel como uma mol\u00e9cula de explosivos e descrever suas rea\u00e7\u00f5es e consequentes reconfigura\u00e7\u00f5es das liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Certamente chegar\u00edamos ao mesmo local. Mas, podemos adotar uma esp\u00e9cie de atalho e poupar muito trabalho. Este caminho \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o das leis de conserva\u00e7\u00e3o de massa, momento e energia. Podemos tratar de certa forma a decomposi\u00e7\u00e3o da massa explosiva dentro de um furo como um escoamento compressivo. Para isso \u00e9 melhor utilizar uma abordagem Euleriana. Explico. Na figura acima quando inserimos um sistema de coordenadas, se quisermos, por exemplo, verificar a varia\u00e7\u00e3o de momento ou de energia no nosso sistema, devemos observar cada mol\u00e9cula, ou seja, medir a propriedade que queremos de cada parte que constitui nosso sistema. Mesmo quantidades pequenas, por exemplo,  80 gramas de Nitrato de Amonia, que equivalem a aproxidamente 1 mol desta subst\u00e2ncia, ter\u00edamos que analisar uma ordem de grandeza de \\(6.10^{23}\\) mol\u00e9culas, medindo individualmente seus momentos e energia e verificando a intera\u00e7\u00e3o entre elas. Este tipo de abordagem, fixando um referencial e observando cada componente do sistema em rela\u00e7\u00e3o a ele, chamamos de abordagem Lagrangeana. Por outro lado, se fixamos um local, um volume no espa\u00e7o e observamos o que acontece com o material que por ele entra e sai, focamos nossa aten\u00e7\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es que ocorrem dentro deste volume. No nosso caso, isso \u00e9 equivalente a fixar um sistema de coordenadas sobre o plano CJ. Agora, estamos parados sobre o plano CJ e o que observamos? Vemos a massa explosiva se aproximar do nosso referencial a uma velocidade \\(\\vec{V}\\) se assumimos que sua velocidade inicial \u00e9 \\(u_0 = 0\\). Este tipo de abordagem recebe o nome de Euleriana. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"328\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-1024x328.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1773\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-1024x328.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-300x96.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-768x246.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-1536x492.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sist_coo_Euleriano-2048x656.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Existe toda uma discuss\u00e3o um pouco mais profunda sobre referencias Eulerianos e Lagrangeanos, seja no ambito da Mec\u00e2ncia dos Flu\u00eddos ou mesmo na Mec\u00e2nica Estatistica voc\u00ea vai se deparar com este tipo de situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vamos nos aprofundar nestes detalhes por aqui. Basta sabermos que agora estamos analisando a decomposi\u00e7\u00e3o da massa explosiva observando o que acontece dentro de um volume de controle e observamos a massa explosiva entrar neste volume com uma velocidade:<br>\\[<br>v_0 = &#8211; V &#8211; u_0 = &#8211; V &#8211; 0 = &#8211; V<br>\\]<br>E sair deste volume com uma velocidade:<br>\\[<br>v_1 = &#8211; (V + u_1)<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter desconfiado que \\(V\\) \u00e9 a famosa VoD Velocity of Detonation, ou velocidade de detona\u00e7\u00e3o. Neste momento voc\u00ea deve se convencer das duas equa\u00e7\u00f5es acima. Ela s\u00e3o simples, representam apenas a velocidade relativa em rela\u00e7\u00e3o ao referecial sobre o plano CJ. Se a massa explosiva estava em repouso imediatamente antes da sua rea\u00e7\u00e3o ent\u00e3o \\(u_0=0\\). Ap\u00f3s a rea\u00e7\u00e3o, os produtos resultantes s\u00e3o acelerados at\u00e9 uma velocidade \\(v_1\\) em rela\u00e7\u00e3o ao plano CJ. O sinal negativo indica apenas que escolhemos o sentido positivo orientado para a direita enquanto a massa explosiva se aproxima em sentido a esquerda. Isso n\u00e3o tem import\u00e2ncia, poder\u00edamos ter escolhido qualquer outra orienta\u00e7\u00e3o. <br>As velocidades de part\u00edcula \\(u_0\\) e \\(u_1\\) s\u00e3o as mesmas que usamos no contexto de sismografia? O conceito sim, mas n\u00e3o exatamente a mesma coisa. Aqui, voc\u00ea pode enxergar \\(u_0\\) e \\(u_1\\) como a velocidade do fluxo. Em sismografia, voc\u00ea deve entende-las como a velocidade de oscila\u00e7\u00e3o do terreno no ponto de medi\u00e7\u00e3o. No final das contas elas est\u00e3o associadas a parcela de energia cin\u00e9tica dos nossos modelos, nisso elas elas possuem a mesma conota\u00e7\u00e3o: s\u00e3o um dos graus de liberdade dos sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe a figura abaixo. Vamos agora definir o nosso volume de controle e para isso vamos usar a conserva\u00e7\u00e3o da massa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"233\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-1024x233.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1788\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-1024x233.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-300x68.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-768x174.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-1536x349.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/vol_control-2048x465.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> Como as densidades s\u00e3o em princ\u00edpio diferentes em cada lado, o comprimento \\( l_0\\) n\u00e3o tem o mesmo valor de \\(l_1\\) considerando uma mesma \u00e1rea de se\u00e7\u00e3o transversal \\(A\\). Se consideramos que o volume, \\(\\beta_0\\), de material explosivo ao lado de \\(l_0\\) contem a mesma massa (preste aten\u00e7\u00e3o: massa) que o volume, \\(\\beta_1\\), correspondente ao comprimento \\( l_1\\), que \u00e9 o volume ocupado pelos gases p\u00f3s rea\u00e7\u00e3o, temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\rho_0 = \\frac{m}{\\beta_0}=\\frac{m}{A l_0}= \\frac{m}{AtV}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\rho_1 = \\frac{m}{\\beta_1}=\\frac{m}{A l_1}= \\frac{m}{At(V-u_1)}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\rho_0 A t V = \\rho_1 A t (V-u_1) <br>\\\\<br>\\\\<br>\\frac{\\rho_1}{\\rho_0}=\\frac{V}{V-u_1} = \\frac{1}{1-\\frac{u_1}{V}}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\text{ ou ainda, como \u00e9 mais classicamente conhecida esta equa\u00e7\u00e3o:}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\rho_1 d_1 = \\rho_0 V<br>\\end{align*}<br>\\] <br>Nas dedu\u00e7\u00f5es acima \\(t\\) \u00e9 o tempo. Uma observa\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o pode passar despercebida: estamos trabalhando com um sistema isolado e fechado, por enquanto. Isso significa que nada, nem materia nem energia, passa pela fronteira em azul.<br>Esta equa\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira das tr\u00eas equa\u00e7\u00f5es conhecidas como Equa\u00e7\u00f5es de Salto de Rankine-Hugoniot e provem diretamente da conserva\u00e7\u00e3o de massa. <\/p>\n\n\n\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o de momento na demonstra\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica vem diretamente da aplica\u00e7\u00e3o da<br>segunda lei de Newton que diz que a for\u00e7a resultante sobre um corpo \u00e9 igual a taxa de<br>varia\u00e7\u00e3o temporal do momento linear deste corpo.<br>A vari\u00e1vel de estado que podemos usar para extrair a for\u00e7a atuante sobre a massa de<br>controle \u00e9 a press\u00e3o. Da defini\u00e7\u00e3o can\u00f4nica de press\u00e3o temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>p=\\frac{F}{A} \\rightarrow F = pA<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, a for\u00e7a resultante, liquida, atuante sobre a nossa massa de controle \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mrow><msub><mi>p<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mi>A<\/mi><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>p<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>A<\/mi><mo>=<\/mo><mfrac><mrow><mi>m<\/mi><msub><mi>u<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo>\u2212<\/mo><mi>m<\/mi><msub><mi>u<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><\/mrow><mi>t<\/mi><\/mfrac><\/mrow><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\tp_1A &#8211; p_0A = \\frac{m u_1 &#8211; m u_0}{t}\n<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>O termo, \\(\\frac{m_1u_1 &#8211; m_0u_0}{t}\\), representa a varia\u00e7\u00e3o do momento linear.<br>Da conserva\u00e7\u00e3o da massa sabemos que:<br>\\[<br>m_0 = \\rho_0 V tA<br>\\\\<br> m_1 = \\rho_1(V &#8211; u_1) tA<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Substituindo:<br>\\[<br>p_1A &#8211; p_0A = \\frac{m_1u_1 &#8211; m_0u_0}{t}<br>\\\\<br>p_1 A &#8211; p_0 A = \\frac{\\rho_1(V-u_1) t Au_1 &#8211; \\rho_0VtAu_0}{t}<br>\\\\<br>p_1-p_0=\\rho_1(V-u_1) u_1 &#8211; \\rho_0 V u_0<br>\\]<br>Podemos usar:<br>\\[<br>\\rho_0 (V-u_0)  = \\rho_1 (V-u_1)<br>\\]<br>E obter a equa\u00e7\u00e3o final:<br>\\[<br>p_1-p_0=\\rho_1(V-u_1)u_1 &#8211; \\rho_0Vu_0<br>\\\\<br>p_1-p_0=\\rho_0 (V-u_0)u_1 &#8211; \\rho_0Vu_0<br>\\\\<br>p_1=p_0+\\rho_0(Vu_1 &#8211; u_0 u_1 &#8211; V u_0)<br>\\\\<br>p_1=\\rho_0 V u_1<br>\\]<br>Existem algumas abordagens para a conserva\u00e7\u00e3o de energia. <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Explosives-Engineering-Paul-W-Cooper\/dp\/0471186368\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=Y5HPG29N8ZVO&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.QUloWskPdPenVr4TnNw6Weq0grxhu9yHXxTDTNRxb7ySlmeqaUX2ejJnCSmZ-Qp4PA2nnjeeP5emyDknVqq_iJB1VSUGmf0JBBXmM1MidQbS6wzEuRXjiH_OxbAYUOk77d8sihhWL-aN38eOOOnFFlpTiz4Kk8SWcZVMezLUBsgI71IRwNk1bWLyZOi0js4X3Qz82MW8uSdRjywtfo02c7TgBpeHDnc87WumpYKDLuHqGoQTtvz5gmhNNXBbvUosvNakfh_b5x0AsR5VX7WubHxp9jJ96jCv0jaCC_7qrJg.yRdLcbQgOR0Cl570yuPGew6Vg0ErPoG254f78upoRo4&amp;dib_tag=se&amp;keywords=explosives+engineering&amp;qid=1777843165&amp;sprefix=explosives+engineering%2Caps%2C250&amp;sr=8-1\">Cooper<\/a>, por exemplo, parte da<br>an\u00e1lise da pot\u00eancia sobre a massa de controle antes e depois do choque. <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Physics-Shock-High-Temperature-Hydrodynamic-Phenomena\/dp\/0486420027\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=X0GQ1JW251AT&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.lO-qqKNUDe1SIoPdbHZ_6NJwCVWeFdwFD7pLDliVavYBAVq3g8PUzbDYK4bqxIvRxr9U6shDdnyOtRqRJY-fYw.hbp20fNh7ZuV_hyfPVjRoLmnvrRbO6dV6tOARUn67GU&amp;dib_tag=se&amp;keywords=Physics+of+Shock+Waves+and+High-Temperature+Hydrodynamic+Phenomena&amp;qid=1777843269&amp;sprefix=physics+of+shock+waves+and+high-temperature+hydrodynamic+phenomena%2Caps%2C219&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.fcd6d665-32ba-4479-9f21-b774e276a678\">Zeldovich &amp; Rayzer (Physics of Shock Waves and High-Temperature Hydrodynamic Phenomena)<\/a> partem do conceito de entalpia:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>h = \\epsilon + \\frac{p}{\\rho}<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Na equa\u00e7\u00e3o acima, \\(h\\) \u00e9 a entalpia especifica, ou seja, entenda-a como &#8220;por massa&#8221;. A vari\u00e1vel \\(\\epsilon\\) \u00e9 a energia espec\u00edfica interna da subst\u00e2ncia e \\(\\frac{P}{\\rho}\\) \u00e9 o trabalho espec\u00edfico necess\u00e1rio para que a subst\u00e2ncia ocupe seu lugar no mundo. \u00c9 o mesmo que \\(\\frac{pdV}{m}\\), ou seja o trabalho de expans\u00e3o por unidade de massa, mas ao inv\u00e9s de utilizarmos o volume, usamos a densidade de massa. Podemos escrever:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>\\epsilon_1+\\frac{p_1}{\\rho_1} + \\frac{u_1^2}{2} = \\epsilon_0 + \\frac{p_0}{\\rho_0} + \\frac{u_0^2}{2}<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Esta ultima equa\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 que a aplica\u00e7\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o de energia: no nosso sistema fechado e isolado, a energia que havia antes da incia\u00e7\u00e3o da massa explosiva \u00e9 exatamente a mesma dispon\u00edvel ap\u00f3s a detona\u00e7\u00e3o. Parece razo\u00e1vel supor que \\(\\epsilon_1\\) seja menor que \\(\\epsilon_0\\), pois toda a energia necess\u00e1ria para expandir os produtos resultantes da detona\u00e7\u00e3o, \\(\\frac{p_1}{\\rho_1} \\) bem como a utilizada a impor movimento ao fluxo, \\(\\frac{u_1^2}{2}\\), tem como \u00fanica fonte a energia espec\u00edfica interna da massa explosiva \\(\\epsilon_0\\). Isso \u00e9 exatamente o que dissemos na introdu\u00e7\u00e3o deste estudo que o desmonte de rochas trata sobre gerenciar a energia contida na liga\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da subst\u00e2ncia explosiva, ou seja podemos escrever sem medo:<br>\\[<br>\\epsilon_1+\\frac{p_1}{\\rho_1} + \\frac{u_1^2}{2} = \\epsilon_0 + \\frac{0}{\\rho_0} + \\frac{0^2}{2}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\epsilon_1+\\frac{p_1}{\\rho_1} + \\frac{u_1^2}{2} = \\epsilon_0<br>\\]<br>Ou seja, a varia\u00e7\u00e3o da energia espec\u00edfica interna do material explosivo consiste exatamente na energia que disponibilizamos \u00e0 velocidade do fluxo bem como ao trabalho necess\u00e1rio para a expans\u00e3o do mesmo:<br>\\[<br>\\epsilon_1 &#8211; \\epsilon_0 = &#8211; (\\frac{p_1}{\\rho_1}  + \\frac{u_1^2}{2}) <br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Se utilizarmos as dedu\u00e7\u00f5es feitas na conserva\u00e7\u00e3o de massa e momento, podemos chegar a express\u00e3o cl\u00e1ssica:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mrow><msub><mi>\u03f5<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>\u03f5<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mo>=<\/mo><mfrac><mn>1<\/mn><mn>2<\/mn><\/mfrac><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><msub><mi>p<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>p<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><\/mrow><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\t\t\\epsilon_1-\\epsilon_0 = \\frac{1}{2}(p_1-p_0)(\\nu_0 -\\nu_1)\t\t<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Aqui, \\(\\nu_0\\) e \\(\\nu_1\\) s\u00e3o os volumes espec\u00edficos (\\(\\nu = \\frac{1}{\\rho}\\)).<\/p>\n\n\n\n<p>As equa\u00e7\u00f5es:<br>\\[<br>    \\frac{\\rho_1}{\\rho_0}=\\frac{V}{V-u_1}=\\frac{1}{1-\\frac{u_1}{V}}<br>    \\\\<br>    p_1=\\rho_0 V u_1<br>    \\\\<br>    \\epsilon_1-\\epsilon_0 = \\frac{1}{2}(p_1-p_0)(\\nu_0 -\\nu_1)<br>\\]<br>descrevem os poss\u00edveis estados do sistema, sejam eles iniciais ou finais. Se obedecemos a conserva\u00e7\u00e3o de massa, momento e energia, obrigatoriamente nosso sistema evolui aos estados finais dados sobre os locus representados por estas curvas. Estas equa\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas como as equa\u00e7\u00f5es de salto de Rankine-Hugoniot. Podemos chegar nelas de uma maneira um pouco mais rigorosa usando o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teorema_de_transporte_de_Reynolds\">Teorema de Transporte de Reynolds.<\/a> Relembrando das suas aulas de mec\u00e2nica dos flu\u00eddos:<br>\\[<br>\\frac{d}{dt}B_{sistema} = \\frac{\\partial}{\\partial t}\\int_{Vc}\\zeta \\rho dV + \\int_{sc}\\zeta \\rho \\vec{v} \\cdot\\hat{n} dA<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \\(B\\) \u00e9 qualquer propriedade extensiva do nosso sistema e o termo \\(\\zeta\\) \u00e9 a propriedade intensiva relacionada a \\(B\\) na qual queremos observar a varia\u00e7\u00e3o dentro do volume de controle. Por exemplo, se queremos estudar o fluxo de massa sobre o volume de controle teremos \\(\\zeta = 1\\), dado que a propriedade massa espec\u00edfica do nosso sistema s\u00f3 pode ser a unidade, \\(\\frac{m}{m}=1\\). Por outro lado, se queremos analisar o fluxo de momento sobre o nosso volume de controle ent\u00e3o \\(\\zeta = v\\), dado que:<br>\\[<br>p=mv<br>\\\\<br>\\frac{p}{m}=v<br>\\]<br>Ou seja, a velocidade do nosso fluxo indica a quantidade de momento por unidade de massa que nosso sistema transporta. Para a energia, podemos substiuir o lado esquerdo pela primeira Lei da Termodin\u00e2mica em raz\u00e3o do fluxo de calor e trabalho e construir algo assim:<br>\\[<br>\\dot{Q} &#8211; \\dot{W} = \\frac{\\partial}{\\partial t} \\int_{Vc}\\rho\\biggl[\\frac{v^2}{2} + gz + \\epsilon\\biggr]dV + \\int_{sc} \\biggl[\\frac{v^2}{2} + gz + \\epsilon\\biggr] \\rho \\vec{v} \\cdot\\hat{n} dA<br>\\]<br>Os termos \\(\\biggl[\\frac{v^2}{2} + gz + \\epsilon\\biggr]\\) representam as energias espec\u00edficas (por massa!) cin\u00e9tica, potencial e interna.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Volte agora um pouco acima no texto e observe a imagem do cordel detonando. Agora, olhando para a equa\u00e7\u00e3o <br>\\[<br>\\epsilon_1-\\epsilon_0 = \\frac{1}{2}(p_1-p_0)(\\nu_0 -\\nu_1)<br>\\]<br>n\u00e3o parece que falta algo? Veja, esta equa\u00e7\u00e3o considera a passagem de uma frente de choque que por si mesma altera as propriedades do flu\u00eddo, no caso a massa explosiva. Mas nas imagens o que vemos \u00e9 uma frente de choque reativa, ou seja, causada pela rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da massa e que libera luz e calor. Se quisermos ser fiel a conserva\u00e7\u00e3o de energia levando em conta a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da massa, devemos incluir esta energia liberada em forma de calor:<br>\\[<br>\\epsilon_1-\\epsilon_0 = \\frac{1}{2}(p_1-p_0)(\\nu_0 -\\nu_1) + Q<br>\\]<br>Esta inclus\u00e3o do termo \\(Q\\) transforma a equa\u00e7\u00e3o no que se conhece como curva Hugoniot Reativa. Quando \\(Q\\) n\u00e3o est\u00e1 presente, a Hugoniot \u00e9 dira n\u00e3o reativa. <br>Esta energia, $atex Q$, n\u00e3o pode ser inferida apenas pelas implica\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de massa,<br>momento e enrergia ela depende unicamente da rea\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo e que acompanha<br>a frente de choque. \u00c9 prov\u00e1vel que Q seja uma fun\u00e7\u00e3o da temperatura, press\u00e3o e outras vari\u00e1veis termodin\u00e2micas. Mas, para aproxima\u00e7\u00f5es, podemos usar uma valor constante de Q e o que isso faz \u00e9 deslocar lateralmente o gr\u00e1fico da Hugoniot n\u00e3o-reativa, por exemplo, nos planos P \u2212 \u03bd, U \u2212 u e P \u2212 u.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diversos diagramas entre as vari\u00e1veis de estado densidade, volume espec\u00edfico,<br>velocidade de part\u00edcula, velocidade de choque e press\u00e3o associados as equa\u00e7\u00f5es de salto de<br>Rankine-Hugoniot.<br>Ao plotarmos uma Hugoniot n\u00e3o-reativa e outra reativa em um diagrama P \u2212 \u03bd temos<br>algo como o mostrado na figura abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"870\" height=\"635\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1818\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots.png 870w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots-300x219.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots-768x561.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Voltemos nossa aten\u00e7\u00e3o para as equa\u00e7\u00f5es de Rayleigh que deduzimos pela conserva\u00e7\u00e3o de massa e momento:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>\\frac{\\rho_1}{\\rho_0}=\\frac{V}{V-u_1}=\\frac{1}{1-\\frac{u_1}{V}}<br>\\\\<br>\\\\<br>p_1=\\rho_0 V u_1<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Se denominamos \\(j\\) o fluxo de massa atraves do nosso volume de controle e isolamos \\(u_1\\):<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\frac{\\rho_1}{\\rho_0} = \\frac{V}{V &#8211; u_1}<br>\\\\<br>\\\\<br>\\rho_1(V-u_1) = \\rho_0 V = j<br>\\\\<br>\\\\<br>u_1=V(1 &#8211; \\frac{\\rho_0}{\\rho_1}) = V(1 &#8211; \\frac{\\nu_1}{\\nu_0})<br>\\end{align*}<br>\\]<br>e eliminamos o termo \\(u_1\\) da equa\u00e7\u00e3o resultante da conserva\u00e7\u00e3o de momento linear:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>p_1= \\rho_0 V u_1<br>\\\\<br>\\\\<br>p_1= \\rho_0 V^2(1 &#8211; \\frac{\\nu_1}{\\nu_0})<br>\\\\<br>\\\\<br>p_1=j^2(\\nu_1-\\nu_0)<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Esta \u00e9 a forma cl\u00e1ssica da reta de Rayleigh entre dois estados. As retas de Rayleigh podem cruzar uma curva de Hugoniot em diversos pontos. Estes pontos podem ter algum significado f\u00edsico ou n\u00e3o. Mas existe um ponto em especial onde uma reta de Rayleigh toca apenas um ponto da curva de Hugoniot reativa e outro dois da n\u00e3o-reativa, ou seja onde ela tangencia a curva reativa. Veja a figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><br><br><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"870\" height=\"635\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots_reta_rayleigh.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1841\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots_reta_rayleigh.png 870w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots_reta_rayleigh-300x219.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hugoniots_reta_rayleigh-768x561.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O ponto B na figura \u00e9 o famos\u00edssimo ponto de Chapman-Jouguet. Provavelmente seu explosivo detona inicialmente com a velocidade associada ao estado CJ \\((p_{cj};\\nu_{cj})\\). O ponto de Chapman-Jouguet te mostra onde realmente come\u00e7a a sua detona\u00e7\u00e3o. O ponto A representa o estado inicial do seu explosivo. O ponto C indica em qual estado de press\u00e3o e volume espec\u00edfico come\u00e7a a rea\u00e7\u00e3o. Veja que a press\u00e3o no ponto C, assim como a densidade de massa, \u00e9 maior que a press\u00e3o e densidade do ponto B. Este pico de press\u00e3o e densidade \u00e9 chamado de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ZND_detonation_model\">pico de vonNewman dentro do modelo ZND de<br>detona\u00e7\u00e3o (Zeldovich,von Neumann, D\u00f6ring)<\/a>. Representa um pico curto e n\u00e3o descreve completamente a descarga de press\u00e3o. Frequentemente \u00e9 ignorado, pois indica apenas a press\u00e3o inicial ao regime de choque, sendo a press\u00e3o e densidade do ponto B as realmente utilizadas na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>No ponto de Chapman-Jouguet os produtos da detona\u00e7\u00e3o possuem velocidade s\u00f4nica. Conforme dita a teoria cl\u00e1ssica de pequenas perturba\u00e7\u00f5es se deslocando em um meio adiabaticamente, ou seja, sem perder ou ganhar energia na forma de calor a cada intera\u00e7\u00e3o, a velocidade s\u00f4nica do meio corresponde a EDP:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>c^2= \\Biggl(\\frac{\\partial p}{\\partial \\rho}\\Biggr)_S<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>A vari\u00e1vel \\(c\\) \u00e9 a velocidade do som e varia conforme o n\u00edvel de press\u00e3o, \\(p\\), e a densidade do meio, \\(\\rho\\). O subindice \\(S\\) indica que estamos lidando em um processo a entropia constante. <br>Agora, vamos voltar a equa\u00e7\u00e3o da reta de Rayleigh do plano \\(P \u2212 \\nu\\):<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>p_1=j^2(\\nu_0 &#8211; \\nu_1)<br>\\]<br>e observar que, considerando \\(\\nu_1\\) como vari\u00e1vel e \\(\\nu_0\\) constante, a inclina\u00e7\u00e3o desta reta \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mrow><mfrac><mi>d<\/mi><mrow><mi>d<\/mi><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><\/mrow><\/mfrac><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><msup><mi>j<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>=<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">\u2212<\/mo><msup><mi>j<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo>=<\/mo><mo form=\"prefix\" 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style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msup><mi>c<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo>=<\/mo><msub><mrow><mo fence=\"true\" form=\"prefix\">(<\/mo><mfrac><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>P<\/mi><\/mrow><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>\u03c1<\/mi><\/mrow><\/mfrac><mo fence=\"true\" form=\"postfix\">)<\/mo><\/mrow><mi>S<\/mi><\/msub><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>\u03bd<\/mi><mo>=<\/mo><mfrac><mn>1<\/mn><mi>\u03c1<\/mi><\/mfrac><mo>\u2234<\/mo><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" 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fence=\"true\" form=\"postfix\">)<\/mo><\/mrow><mi>S<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mrow><mo fence=\"true\" form=\"prefix\">(<\/mo><mfrac><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>P<\/mi><\/mrow><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>\u03bd<\/mi><\/mrow><\/mfrac><mo fence=\"true\" form=\"postfix\">)<\/mo><\/mrow><mi>S<\/mi><\/msub><msub><mrow><mo fence=\"true\" form=\"prefix\">(<\/mo><mfrac><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>\u03bd<\/mi><\/mrow><mrow><mi>\u2202<\/mi><mi>\u03c1<\/mi><\/mrow><\/mfrac><mo fence=\"true\" form=\"postfix\">)<\/mo><\/mrow><mi>S<\/mi><\/msub><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mrow><mo fence=\"true\" 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\t\\left(\\frac{\\partial P}{\\partial \\rho}\\right)_S = -\\nu^2\\left(\\frac{\\partial P}{\\partial \\nu}\\right)_S = c^2\n\t \t\\\\\n\t \t\\left(\\frac{\\partial P}{\\partial \\nu}\\right)_S = -\\frac{c^2}{\\nu^2}\n\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Juntando tudo:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mfrac><msup><mi>c<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><msubsup><mi>\u03bd<\/mi><mn>1<\/mn><mn>2<\/mn><\/msubsup><\/mfrac><mo>=<\/mo><mfrac><msup><mi>V<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><msubsup><mi>\u03bd<\/mi><mn>0<\/mn><mn>2<\/mn><\/msubsup><\/mfrac><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mfrac><mi>c<\/mi><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><\/mfrac><mo>=<\/mo><mfrac><mi>V<\/mi><msub><mi>\u03bd<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><\/mfrac><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\t\\frac{c^2}{\\nu_1^2}=\\frac{V^2}{\\nu_0^2}\n\t\t\\\\\n\t\t\\frac{c}{\\nu_1}=\\frac{V}{\\nu_0}\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Da conserva\u00e7\u00e3o de massa:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mi>V<\/mi><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>u<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>V<\/mi><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mfrac><mrow><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\" lspace=\"0em\" 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style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>c<\/mi><mo>=<\/mo><mi>V<\/mi><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>u<\/mi><mn>1<\/mn><\/msub><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\t\\frac{c}{\\nu_1} = \\frac{V}{\\nu_0}\n\t\t\\\\\n\t    \\frac{c}{\\nu_1} = \\frac{(V-u_1)}{\\nu_1}\n\t    \\\\\n\t    c = V &#8211; u_1\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>A constata\u00e7\u00e3o acima diz que todo produto gerado ap\u00f3s a rea\u00e7\u00e3o possui velocidade menor<br>que a VOD, ou seja, n\u00e3o consegue enviar informa\u00e7\u00e3o \u00e0 frente de choque. Isso, de certa forma,<br>faz a rea\u00e7\u00e3o autossustentada: \u00e9 independente de qualquer informa\u00e7\u00e3o ou interfer\u00eancia dos produtos gerados. Cabe agora tentar estimar a evolu\u00e7\u00e3o e a transfer\u00eancia da press\u00e3o a partir do ponto de Chapman-Jouguet (PCJ ) j\u00e1 que a partir dele existe um regime de detona\u00e7\u00e3o. Podemos continuar assumindo a expans\u00e3o a partir do ponto CJ como isentr\u00f3pica, que \u00e9 uma abordagem cl\u00e1ssica, encontrada, por exemplo, em <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Blasting-Explosives-Engineering-Anders-Persson\/dp\/084938978X\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=UFI7T89PF0PC&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.-TEo0CVyTxKahdfR7po24zVvcvApEoO19_X_98AnxMPoPtdf1EpOC3iyAVxB6Sl8FgkHyhu0_SWOpZDOZgYQug037vFvfU9c4-rcWbtBr76BBwhduDG4Uj6Y_nn_SuDVfw9gMjsOmgvQynGwVxZItNGkgooencjyElS6NYmSGT4jNKJocTk5t1xZwfsBuOKgdO9_143ShOrehGXL8FqjKcOxtYYAnXvtmbxEV6-xkBaZKmr9J4bJl-EWZFJovfWpWyaR3uPLzKxa6SHgoMR48JbBpcl891J6lzJVQ-hIGD0.Oh3aveGrO_SWV6XdCi9ki3KruFNIZoAjWnrkPW0dWbo&amp;dib_tag=se&amp;keywords=rock+blasting+and&amp;qid=1777913045&amp;sprefix=rock+blasting+an%2Caps%2C232&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.25548f35-0de7-44b3-b28e-0f56f3f96147\">Persson, Holmberg e Lee (Rock Blasting and Explosives Engineering)<\/a>. Ou podemos usar alguma <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Equation_of_state\">equa\u00e7\u00e3o de estado como JWL (Jones-Wilkins-Lee) ou a BKW (Becker-Kistiakowsky-Wilson),<\/a> para citar apenas duas.<br>Vamos pelo caminho cl\u00e1ssico e continuar com uma expans\u00e3o isentr\u00f3pica:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>PV^\\gamma = cte<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Linearizando:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\ln(PV)^\\gamma = cte<br>\\\\<br>\\\\<br>\\ln(P) + \\gamma \\ln(V) =cte<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Derivando:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\frac{dP}{P} + \\gamma\\frac{dV}{V} = 0<br>\\\\<br>\\frac{dP}{dV} = -\\gamma\\frac{P}{V}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Esta ultima equa\u00e7\u00e3o corresponde a inclina\u00e7\u00e3o local da isentr\u00f3pica no diagrama \\(P &#8211; V\\). No ponto CJ, temos:<br>\\[<br>\\Biggl(\\frac{dP}{dV}\\Biggr)_{CJ}=-\\gamma\\frac{P_{CJ}}{V_{CJ}}<br>\\]<br>Agora, a inclina\u00e7\u00e3o da reta de Rayleigh no diagrama \\(P- V\\), dados dois estados iniciais e finais \u00e9:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\frac{P_1 &#8211; P_0}{V_1-V_0}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Logo, pela condi\u00e7\u00e3o de tangencia devemos ter:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>-\\gamma\\frac{P_{CJ}}{V_{CJ}} = \\frac{P_{CJ} &#8211; P_0}{V_{CJ}-V_0}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Reorganizando e considerando que \\(P_0 = 0\\):<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>-\\gamma\\frac{P_{CJ}}{V_{CJ}} = \\frac{P_{CJ}}{V_{CJ}-V_0}<br>\\<br>\\gamma \\frac{P_{CJ}}{V_{CJ}} = \\frac{P_{CJ}}{V_0-V_{CJ}}<br>\\<br>V_{CJ}(1+\\gamma) = \\gamma V_0<br>\\<br>V_{CJ} = \\frac{\\gamma}{1+\\gamma}V_0<br>\\<br>\\frac{V_{CJ}}{V_0} = \\frac{\\gamma}{1+\\gamma}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>E como \\(\\rho = \\frac{1}{v}\\) :<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>\\frac{\\rho_{CJ}}{\\rho_0} = \\frac{V_0}{V_{CJ}} = \\frac{\\gamma + 1}{\\gamma}<br>\\<br>\\rho_{CJ} = \\rho_0 \\frac{\\gamma + 1}{\\gamma}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Agora, na reta final, partimos da reta de Rayleigh:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>P_{CJ} = j^2(V_0-V_{CJ})<br>\\\\<br>P_{CJ} = \\frac{D^2}{V_0^2}(V_0-\\frac{\\gamma}{1+\\gamma}V_0)<br>\\\\<br>P_{CJ} = \\frac{D^2}{V_0^2}\\biggl(\\frac{V_0}{\\gamma + 1}\\biggr)<br>\\\\<br>P_{CJ} = \\frac{D^2}{V_0(\\gamma + 1)}<br>\\\\<br>P_{CJ} = \\frac{\\rho_0 D^2}{\\gamma + 1}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>A partir daqui entram as simplifica\u00e7\u00f5es comuns na engenharia. Para a maioria dos explosivos com \\(\\rho &gt; 1g.cm^{-3}\\), \\(\\gamma_{CJ} \\approx 3\\), que resulta em:<br>\\[<br>\\begin{align*}<br>P_{CJ} = \\frac{\\rho_0 D^2}{4}<br>\\end{align*}<br>\\]<br>Esta \u00e9 a equa\u00e7\u00e3o da estimativa da press\u00e3o de detona\u00e7\u00e3o. Ela possui uma boa aproxima\u00e7\u00e3o quando o comportamento da detona\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pr\u00f3ximo do ideal.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o \\(P_{CJ}\\) pode ser encarada como um estado imediatamente ap\u00f3s a inicia\u00e7\u00e3o do regime de detona\u00e7\u00e3o. A partir do estado definido pela \\(P_{CJ}\\) o meio pode sofrer uma press\u00e3o maior ou menor, dependendo das imped\u00e2ncias. A princ\u00edpio pode ser tentador utilizar a \\(P_{CJ}\\) e encarar a intera\u00e7\u00e3o explosivo-rocha na interface como similar a um impacto entre dois materiais distintos. Como quando um proj\u00e9til atinge uma chapa de um metal qualquer. Mas essa abordagem ignora a intera\u00e7\u00e3o entre a r\u00e1pida expans\u00e3o dos gases e a resposta do meio a essa expans\u00e3o, tratando-a como um esfor\u00e7o meramente pontual com um pico de press\u00e3o dado por \\(P_{CJ}\\). <br>Vejamos como <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Explosives-Engineering-Paul-W-Cooper\/dp\/0471186368\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=2XACN9JGK7CEY&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.QUloWskPdPenVr4TnNw6Weq0grxhu9yHXxTDTNRxb7ySlmeqaUX2ejJnCSmZ-Qp4PA2nnjeeP5emyDknVqq_iGFPXzuv50viKa_6kLoZjtP1lZWwIda8binKZ8XRUGGIkYtXcpB9RC3PzF69tIyTHVpTiz4Kk8SWcZVMezLUBsgI71IRwNk1bWLyZOi0js4X3Qz82MW8uSdRjywtfo02c43iabG5mAboQnyxIK-FMY_S6EVEi1U2smoHJIU2sI3etC7XVjjpJauDNSy2QWbVzVgwWdV6Xp1jfRMIKNKS1EY.rxgRswfrvxxQ4h35AweuNvb-nrKYbsvV2QOf-Zpdo8U&amp;dib_tag=se&amp;keywords=explosives+engineering&amp;qid=1777914322&amp;sprefix=explosives+engineerin%2Caps%2C230&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.25548f35-0de7-44b3-b28e-0f56f3f96147\">Cooper (Explosives Engineering)<\/a> trata essa quest\u00e3o, mas antes de mais nada, Cooper, ao inv\u00e9s de utilizar a equa\u00e7\u00e3o simplificada da press\u00e3o de detona\u00e7\u00e3o no ponto CJ, utiliza um modelo emp\u00edrico, oriundo de um <em>best fitting<\/em> de medi\u00e7\u00f5es feitas de densidade inicial, VOD e \\(P_{CJ}\\) de 199 amostras de diversos explosivos. Foram diversas combina\u00e7\u00f5es de explosivos testadas: ANFO, TNT, Baratol, HMX, RDX, Pentolite, PETN, Composi\u00e7\u00e3o B e muitos outros. Al\u00e9m de diversas densidades iniciais de uma mesma formula\u00e7\u00e3o. Cooper mediu diretamente a \\(P_{CJ}\\). Mas, mais do que isso, ele chegou a uma rela\u00e7\u00e3o entre a densidade de massa no estado de CJ e a densidade inicial dos explosivos:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><mn>1,386<\/mn><msubsup><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><mn>0,96<\/mn><\/msubsup><\/mrow><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\rho_{CJ}=1,386\\rho_0^{0,96}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Depois, atrav\u00e9s de uma \u00e1lgebra elementar com o uso das equa\u00e7\u00f5es de Rankine para a conserva\u00e7\u00e3o de massa e momento, juntou tudo:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"right\" class=\"tml-jot\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>V<\/mi><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mi>V<\/mi><mo>\u2212<\/mo><msub><mi>u<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>u<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><mi>V<\/mi><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">(<\/mo><mn>1<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mfrac><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msub><mi>\u03c1<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><\/mfrac><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>V<\/mi><msub><mi>u<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>V<\/mi><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">(<\/mo><mi>V<\/mi><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">(<\/mo><mn>1<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mfrac><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msub><mi>\u03c1<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><\/mfrac><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">)<\/mo><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msup><mi>V<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">(<\/mo><mn>1<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mfrac><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msub><mi>\u03c1<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><\/mfrac><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msup><mi>V<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">(<\/mo><mn>1<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mfrac><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mrow><mn>1,386<\/mn><msubsup><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><mn>0,96<\/mn><\/msubsup><\/mrow><\/mfrac><mo fence=\"true\" symmetric=\"true\" minsize=\"2.4em\" maxsize=\"2.4em\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msup><mi>V<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>1<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mn>0,7215<\/mn><msubsup><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><mn>0,04<\/mn><\/msubsup><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><\/mrow><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align*}\n\\rho_0 V=\\rho_{CJ}(V-u_{CJ})\n\\\\\n\\\\\nu_{CJ}= V \\biggl(1 &#8211; \\frac{\\rho_0}{\\rho_{CJ}}\\biggr)\n\\\\\n\\\\\nP_{CJ} = \\rho_0Vu_{CJ}\n\\\\\n\\\\\nP_{CJ} = \\rho_0V\\biggl(V \\biggl(1 &#8211; \\frac{\\rho_0}{\\rho_{CJ}}\\biggr)\\biggr)\n\\\\\n\\\\\nP_{CJ} = \\rho_0V^2\\biggl(1 &#8211; \\frac{\\rho_0}{\\rho_{CJ}}\\biggr)\n\\\\\n\\\\\nP_{CJ} = \\rho_0V^2\\biggl(1 &#8211; \\frac{\\rho_0}{1,386\\rho_0^{0,96}}\\biggr)\n\\\\\n\\\\\nP_{CJ} = \\rho_0V^2(1 &#8211; 0,7215\\rho_0^{0,04})\n\\end{align*}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo Cooper, para os dados da \u00e9poca e comparando com os resultados de diversas EOS carregadas em c\u00f3digos termodin\u00e2micos dispon\u00edveis, o seu modelo de <em>best fitting<\/em> entregava resultados em m\u00e9dia 5% diferentes dos resultados experimentais, enquanto os c\u00f3digos carregados com alguma EOS entregavam um erro de 7% a 9%.<br>O passo natural seguinte seria comparar a Hugoniot dos estados poss\u00edveis dos produtos resultantes da detona\u00e7\u00e3o, a partir do estado CJ e considerando uma expans\u00e3o isentr\u00f3pica, com a Hugoniot caracter\u00edstica do material que sofre o choque. Para o material da interface, pode-se usar a rela\u00e7\u00e3o linear entre a velocidade de choque, \\(U_s\\) e a velocidade de part\u00edcula $u$, que \u00e9 quase universal para materiais s\u00f3lidos:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mrow><msub><mi>U<\/mi><mi>s<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><mi>c<\/mi><mo>+<\/mo><mi>s<\/mi><mi>u<\/mi><\/mrow><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\tU_s = c + su<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Os termos da equa\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(U_s\\) &#8211; velocidade de choque.<\/li>\n\n\n\n<li>\\(c\\) &#8211; velocidade s\u00f4nica do meio.<\/li>\n\n\n\n<li>\\(s\\) &#8211; constante adimensional, que \u00e9 caracter\u00edstica de cada material.<\/li>\n\n\n\n<li>\\(u\\) &#8211; velocidade de part\u00edcula.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esta equa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem conhecida na seara da resist\u00eancia dos materiais. Existem diversas tabelas dispon\u00edveis para valores de \\(c\\) e \\(s\\). Voc\u00ea pode encontrar Hugoniots para algumas rochas na famosa e hist\u00f3rica publica\u00e7\u00e3o dos <a href=\"https:\/\/sgp.fas.org\/othergov\/doe\/lanl\/docs1\/shd.pdf\">laborat\u00f3rios de Los Alamos<\/a> e no pequeno paper de 1961 da <a href=\"https:\/\/www.osti.gov\/biblio\/4038468\">Universidade da California<\/a>. Ambos s\u00e3o de acesso livre.<\/p>\n\n\n\n<p>Combinando com a equa\u00e7\u00e3o de Rankine para a conserva\u00e7\u00e3o de momento:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"right\" class=\"tml-jot\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><msub><mi>U<\/mi><mi>s<\/mi><\/msub><mi>u<\/mi><mo stretchy=\"false\">\u2192<\/mo><msub><mi>U<\/mi><mi>s<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><mfrac><mi>P<\/mi><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>u<\/mi><\/mrow><\/mfrac><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mfrac><mi>P<\/mi><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>u<\/mi><\/mrow><\/mfrac><mo>=<\/mo><mi>c<\/mi><mo>+<\/mo><mi>s<\/mi><mi>u<\/mi><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>u<\/mi><mi>c<\/mi><mo>+<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>s<\/mi><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><\/mrow><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align*}\nP = \\rho_0U_su \\rightarrow U_s = \\frac{P}{\\rho_0u}\n\\\\\n\\\\\n\\frac{P}{\\rho_0u} = c + su\n\\\\\n\\\\\nP = \\rho_0uc + \\rho_0su^2\n\\end{align*}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo passo seria comparar as duas Hugoniots em um diagrama \\(P-u\\) e observar o ponto de interse\u00e7\u00e3o onde as press\u00f5es e as velocidades de part\u00edcula se igualam. Mas o problema \u00e9 justamente encontrar a Hugoniot dos produtos em expans\u00e3o isentr\u00f3pica a partir do ponto de CJ. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de c\u00f3digos termodin\u00e2micos alimentados coma alguma EOS, como a equa\u00e7\u00e3o de estado de Jones-Wilkins-Lee (JWL), ou BKW (Becker-Kistiakowsky-Wilson) ou qualquer outra (menos $PV=nRT$, por favor!).<br>Para contornar essa situa\u00e7\u00e3o, Cooper mostra um estudo onde diversos materiais foram submetidos a detona\u00e7\u00e3o da mesma quantidade de um explosivo, cujo ponto CJ \u00e9 conhecido, e os valores de estado \\(P-u\\) s\u00e3o plotados. O <em>fitting<\/em> destes dados mostrou uma forte correla\u00e7\u00e3o em dois setores:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>\\frac{P}{P_{CJ}}= 2,412 &#8211; 1,7315\\biggl(\\frac{u}{u_{CJ}}\\biggr) + 0,3195\\biggl(\\frac{u}{u_{CJ}}\\biggl)^2<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Para valores de press\u00e3o reduzida, \\(\\frac{P}{P_{CJ}}\\) acima de 0,08, atingindo um coeficiente de correla\u00e7\u00e3o de 0,987. E a equa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\[<br>\\frac{P}{P_{CJ}}=235\\biggl(\\frac{u}{u_{CJ}}\\biggr)^{-8,71}<br>\\]<\/p>\n\n\n\n<p>Para valores de press\u00e3o reduzida \\(\\frac{P}{P_{CJ}} &lt; 0,08\\), atingindo um coeficiente de correla\u00e7\u00e3o de 0,898.<br>Os coeficientes destas duas express\u00f5es est\u00e3o calibrados para as entradas de velocidade em \\(km\/s\\), densidade em \\(g\/cm^3\\) e press\u00e3o em \\(GPa\\).<br>Com estas duas equa\u00e7\u00f5es, pode-se estimar uma Hugoniot para os produtos em expans\u00e3o conhecendo-se a VOD, a press\u00e3o no ponto CJ e a densidade inicial do explosivo. Por exemplo, para um explosivo qualquer com os seguintes valores:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"right\" class=\"tml-jot\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mo>=<\/mo><mn>1,15<\/mn><mi>g<\/mi><mi>.<\/mi><mi>c<\/mi><msup><mi>m<\/mi><mrow><mo lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">\u2212<\/mo><mn>3<\/mn><\/mrow><\/msup><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>V<\/mi><mi>O<\/mi><mi>D<\/mi><mo>=<\/mo><mn>4,5<\/mn><mi>k<\/mi><mi>m<\/mi><mi>.<\/mi><msup><mi>s<\/mi><mrow><mo lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">\u2212<\/mo><mn>1<\/mn><\/mrow><\/msup><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><mn>6,4<\/mn><mi>G<\/mi><mi>P<\/mi><mi>a<\/mi><\/mrow><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\t\\begin{align*}\n\t\t\\rho_0=1,15g.cm^{-3}\n\t\t\\\\\n\t\tVOD = 4,5km.s^{-1}\n\t\t\\\\\n\t\tP_{CJ} = 6,4GPa\n\t\\end{align*} <\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>ter\u00edamos uma velocidade de part\u00edcula \\(u_{CJ}\\), obtida pela equa\u00e7\u00e3o de Rankine dada pela conserva\u00e7\u00e3o de momento:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>u<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><mfrac><msub><mi>P<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mrow><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>D<\/mi><\/mrow><\/mfrac><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>u<\/mi><mrow><mi>C<\/mi><mi>J<\/mi><\/mrow><\/msub><mo>=<\/mo><mfrac><mn>6,4<\/mn><mrow><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\" lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">(<\/mo><mn>1,15<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>4,5<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\" lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">)<\/mo><\/mrow><\/mfrac><mo>\u2248<\/mo><mn>1,23<\/mn><mi>k<\/mi><mi>m<\/mi><mi>\/<\/mi><mi>s<\/mi><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\t\\begin{align}\n\t\tu_{CJ}= \\frac{P_{CJ}}{\\rho_0 D}\n\t\t\\\\\n\t\t\\\\\n\t\tu_{CJ}=\\frac{6,4}{(1,15)(4,5)} \\approx 1,23km\/s\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Substituindo este valor de velocidade de part\u00edcula, conjuntamente com os valores de VOD e densidade:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>2,412<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>6,4<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>\u2212<\/mo><mn>1,7315<\/mn><mfrac><mn>6,4<\/mn><mn>1,23<\/mn><\/mfrac><mi>u<\/mi><mo>+<\/mo><mn>0,3195<\/mn><mfrac><mn>6,4<\/mn><msup><mn>1,23<\/mn><mn>2<\/mn><\/msup><\/mfrac><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><mn>15,4368<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mn>9<\/mn><mi>u<\/mi><mo>+<\/mo><mn>1,35<\/mn><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\t\\begin{align}\n\t\tP = (2,412)(6,4) &#8211; 1,7315\\frac{6,4}{1,23}u + 0,3195\\frac{6,4}{1,23^2}u^2\n\t\t\\\\\n\t\t\\\\\n\t\tP = 15,4368 &#8211; 9u + 1,35u^2\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Esta  \u00faltima express\u00e3o \u00e9 a sua Hugoniot dos produtos em expans\u00e3o para o seu explosivo espec\u00edfico.<br>Agora, imagine que temos um material em contato com este explosivo com as seguintes caracter\u00edsticas: <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"right\" class=\"tml-jot\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>\u03c1<\/mi><mo>=<\/mo><mn>2,8<\/mn><mi>g<\/mi><mi>.<\/mi><mi>c<\/mi><msup><mi>m<\/mi><mrow><mo lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">\u2212<\/mo><mn>3<\/mn><\/mrow><\/msup><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>c<\/mi><mo>=<\/mo><mn>5<\/mn><mi>k<\/mi><mi>m<\/mi><mi>.<\/mi><msup><mi>s<\/mi><mrow><mo lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">\u2212<\/mo><mn>1<\/mn><\/mrow><\/msup><\/mrow><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>s<\/mi><mo>=<\/mo><mn>1,6<\/mn><\/mrow><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align*}\n\t\t\\rho = 2,8g.cm^{-3}\n\t\t\\\\\n\t\tc = 5km.s^{-1}\n\t\t\\\\\n\t\ts = 1,6\n\t\\end{align*}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Isso nos fornece um sistema formado pelas duas Hugoniots:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><mn>15,4368<\/mn><mo>\u2212<\/mo><mn>9<\/mn><mi>u<\/mi><mo>+<\/mo><mn>1,35<\/mn><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mi>P<\/mi><mo>=<\/mo><mn>14<\/mn><mi>u<\/mi><mo>+<\/mo><mn>4,48<\/mn><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\tP = 15,4368 &#8211; 9u + 1,35u^2\n\t\t\\\\\n\t\tP = 14u + 4,48u^2\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Para encontrar a solu\u00e7\u00e3o basta igualar as press\u00f5es e resolver para \\(u\\), trivial. No nosso caso em particular equivale a encontrara as ra\u00edzes de:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><mn>3,13<\/mn><msup><mi>u<\/mi><mn>2<\/mn><\/msup><mo>+<\/mo><mn>23<\/mn><mi>u<\/mi><mo>\u2212<\/mo><mn>15,4368<\/mn><mo>=<\/mo><mn>0<\/mn><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\t3,13u^2+23u-15,4368=0\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico abaixo mostra a plotagem das duas curvas Hugoniots, o ponto CJ do explosivo e a interse\u00e7\u00e3o das duas curvas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"870\" height=\"635\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/duas_hugoniots.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1859\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/duas_hugoniots.png 870w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/duas_hugoniots-300x219.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/duas_hugoniots-768x561.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>No ponto \\(A\\) temos \\((P_A;u_A) \\approx (10,4GPa;0,62km.s^{-1})\\).<br>J\u00e1 no ponto CJ temos \\((P_{CJ};u_{CJ}) \\approx (6,4GPa;1,23km.s^{-1})\\).<br>Veja que o explosivo &#8220;entrega&#8221; imediatamente \u00e0 interface \\( 6,4GPa\\), mas o meio responde com uma press\u00e3o de \\(10,4GPa\\), por\u00e9m ao custo de uma diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de velocidade de part\u00edcula.<br>Esse aumento, ou diminui\u00e7\u00e3o, da press\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o ao ponto de CJ se deve a diferen\u00e7a entre as imped\u00e2ncias do meio e do explosivo. <br>No nosso exemplo anterior, temos as seguintes imped\u00e2ncias:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>Z<\/mi><mi>e<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mn>0<\/mn><\/msub><mi>D<\/mi><mo>=<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>1150<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>\u2217<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>4500<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>=<\/mo><mn>5,17<\/mn><mi>M<\/mi><mi>r<\/mi><mi>a<\/mi><mi>y<\/mi><mi>l<\/mi><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>Z<\/mi><mi>r<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><msub><mi>\u03c1<\/mi><mi>r<\/mi><\/msub><mi>c<\/mi><mo>=<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>2800<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>\u2217<\/mo><mo form=\"prefix\" stretchy=\"false\">(<\/mo><mn>5000<\/mn><mo form=\"postfix\" stretchy=\"false\">)<\/mo><mo>=<\/mo><mn>14<\/mn><mi>M<\/mi><mi>r<\/mi><mi>a<\/mi><mi>y<\/mi><mi>l<\/mi><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\tZ_{e}=\\rho_0D = (1150) *(4500) = 5,17 Mrayl\n\t\t\\\\\n\t\tZ_{r}=\\rho_rc = (2800) *(5000) = 14 Mrayl\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>E sempre que a imped\u00e2ncia do meio for maior, a press\u00e3o entregue ser\u00e1 maior. No outro caso, se a imped\u00e2ncia do meio for menor que a do explosivo, a press\u00e3o efetiva entregue ser\u00e1 menor. A rela\u00e7\u00e3o inversa vale para a velocidade de part\u00edcula: maior imped\u00e2ncia do meio em rela\u00e7\u00e3o ao explosivo, menos velocidade de part\u00edcula e vice-versa. Nos rar\u00edssimos casos onde as imped\u00e2ncias se igualam, fisicamente o sistema n\u00e3o &#8220;enxerga&#8221; a interface e o contato explosivo-rocha \u00e9 tratado como um meio cont\u00ednuo. Neste caso, n\u00e3o temos um reflex\u00e3o de onda para dentro do furo, que \u00e9 o que acontece no caso de imped\u00e2ncias distintas, mas a total transfer\u00eancia de energia do explosivo \u00e0 rocha.<br>Agora, voltemos a equa\u00e7\u00e3o Hugoniot dos s\u00f3lidos aplicada ao nosso exemplo em particular:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-math\"><math display=\"block\"><semantics><mtable displaystyle=\"true\" columnalign=\"left right right\" class=\"tml-jot\" style=\"width:100%;\"><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>U<\/mi><mi>s<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><mi>c<\/mi><mo>+<\/mo><mi>s<\/mi><mi>u<\/mi><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><mtr><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding-left:1em;padding-right:0em;\"><mrow><msub><mi>U<\/mi><mi>s<\/mi><\/msub><mo>=<\/mo><mn>5<\/mn><mo>+<\/mo><mn>1,6<\/mn><mo>\u2217<\/mo><mn>0,62<\/mn><mo>\u2248<\/mo><mn>6<\/mn><mi>k<\/mi><mi>m<\/mi><mi>.<\/mi><msup><mi>s<\/mi><mrow><mo lspace=\"0em\" rspace=\"0em\">\u2212<\/mo><mn>1<\/mn><\/mrow><\/msup><\/mrow><\/mtd><mtd class=\"tml-right\" style=\"padding:0;width:50%;padding-left:0em;padding-right:0em;\"><mtext><span class=\"tml-eqn\"><\/span><\/mtext><\/mtd><\/mtr><\/mtable><annotation encoding=\"application\/x-tex\">\\begin{align}\n\t\tU_s=c+su\n\t\t\\\\\n\t\tU_s = 5 + 1,6*0,62 \\approx 6km.s^{-1}\n\t\\end{align}<\/annotation><\/semantics><\/math><\/div>\n\n\n\n<p>Neste regime, no inicio da interface explosivo-rocha, a velocidade da onda de choque no material \u00e9 muito maior que sua velocidade s\u00f4nica, fato que, de certa forma, caracteriza um regime de choque. <br>\u00c9 prov\u00e1vel que enquanto durar o regime de choque (apenas a alguns metros ou cent\u00edmetros de dist\u00e2ncia da carga explosiva) o material sofra algum n\u00edvel de pulveriza\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s isso, o regime de choque atenua para meras propaga\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas, ou seja, ondas de tens\u00e3o. E isso \u00e9 uma das raz\u00f5es por que voc\u00ea n\u00e3o deve dizer que as capta\u00e7\u00f5es sismogr\u00e1ficas realizadas a dezenas ou centenas de metros do seu desmonte est\u00e3o captando &#8220;ondas de choque&#8221;.<br>O modelo desenvolvido aqui utiliza rela\u00e7\u00f5es emp\u00edricas obtidas de dados de laborat\u00f3rio para circunavegar o oceano de dificuldade para a obten\u00e7\u00e3o tanto da Hugoniot do material circundante ao explosivo quanto do pr\u00f3prio explosivo. \u00c9 uma aproxima\u00e7\u00e3o bastante razo\u00e1vel e serve para mostrar que a rela\u00e7\u00e3o entre explosivo-rocha \u00e9 mais importante no estudo do problema do que simplesmente os estados obtidos no ponto de Chapman-Jouguet. Observe, por exemplo, que se voc\u00ea deseja calibrar algum modelo preditivo de previs\u00f5es de vibra\u00e7\u00f5es, os resultados de velocidade de part\u00edcula aqui obtidos s\u00e3o um bom &#8220;chute&#8221; inicial. E a press\u00e3o CJ, por ela mesma, n\u00e3o significa muita coisa no que diz respeito ao controle de vibra\u00e7\u00f5es. Se, por exemplo, voc\u00ea tem dados de campo pr\u00f3ximo para um modelo cl\u00e1ssico baseado em dist\u00e2ncia escalonada, pode inferir outros coeficiente de atenua\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o desde a interface explosivo-rocha at\u00e9 o seu ponto de medi\u00e7\u00e3o em campo pr\u00f3ximo.<br>Para simula\u00e7\u00e3o mais precisas, devemos considerar a detona\u00e7\u00e3o como um fluxo em 3D (n\u00e3o em 1D, como fizemos) e para os s\u00f3lidos da interface, talvez o uso da equa\u00e7\u00e3o de estado de Mie-Gruneisen apresente resultados mais precisos.<br>Fato \u00e9 que o come\u00e7o da itera\u00e7\u00e3o explosivo-rocha alimenta o caminho da energia. por exemplo, em rochas com comportamento fragil, talvez o regime de choque seja muito mais seu amigo na busca da fragmenta\u00e7\u00e3o \u00f3tima. Adequar tempo e malha para otimizar o regime de choque \u00e9 uma boa estrat\u00e9gia. Por outro lado, se existem mecanismos dissipativos fortes atuantes, como vesiculas ou outras condi\u00e7\u00f5es que possam ocasionar uma atenua\u00e7\u00e3o significativa do regime de choque, talvez o mecanismo de ruptura por flex\u00e3o, ou seja, aproveitar melhor o trabalho de expans\u00e3o dos produtos resultantes seja a melhor estrat\u00e9gia e adequar sua malha e temporiza\u00e7\u00e3o para tal comportamento pode ser bastante produtivo. <br>Espero que eu tenha mostrado que o desmonte de rochas \u00e9 muito mais do que frases cheias de clich\u00eas e jarg\u00f5es. Existe muita f\u00edsica e engenharia por tr\u00e1s. Isto que aqui est\u00e1, neste pequeno texto, \u00e9 apenas a ponta do iceberg. Em textos futuros vamos partir dos pontos aqui explorados e entrar nas teorias de fragmenta\u00e7\u00e3o, crateramento e detona\u00e7\u00f5es de cargas desacopladas. Vamos precisar destas bases, mas do jeito que aqui est\u00e3o, com as visceras expostas as cr\u00edticas.<br>Valeu!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o o desmonte de rocha \u00e9 fundamentado no gerenciamento da energia de liga\u00e7\u00e3o de um \u00e1tomo de nitrog\u00eanio. O Nitrato de Amonia, se me lembro bem, libera a energia de suas liga\u00e7\u00e3o covalentes dos ions \\( NH_4^+\\) e \\(NO_3^-\\) quando em regime de detona\u00e7\u00e3o. \u00c9 destas reconfigura\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que provem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1713"}],"version-history":[{"count":136,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1864,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions\/1864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}