{"id":1188,"date":"2025-05-28T16:13:23","date_gmt":"2025-05-28T19:13:23","guid":{"rendered":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/?p=1188"},"modified":"2025-05-28T16:13:26","modified_gmt":"2025-05-28T19:13:26","slug":"analise-dimensional-espectro-de-resposta-e-previsao-de-frequencias-por-que-a-nbr-9653-exige-mais-do-que-os-modelos-classicos-de-previsao-de-velocidade-de-particula-oferecem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/2025\/05\/28\/analise-dimensional-espectro-de-resposta-e-previsao-de-frequencias-por-que-a-nbr-9653-exige-mais-do-que-os-modelos-classicos-de-previsao-de-velocidade-de-particula-oferecem\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise dimensional, espectro de resposta e previs\u00e3o de frequ\u00eancias: Por que a NBR 9653 exige mais do que os modelos cl\u00e1ssicos de previs\u00e3o de velocidade de part\u00edcula oferecem."},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea sabe o que uma explos\u00e3o nuclear, a an\u00e1lise do formato do seu cr\u00e2nio e um detector de bombas falso t\u00eam em comum com a an\u00e1lise sismogr\u00e1fica de desmontes para atender aos limites de vibra\u00e7\u00e3o da NBR 9653:2018?<\/p>\n\n\n\n<p>A frenologia, teoria pseudocient\u00edfica do s\u00e9culo XIX, afirmava que era poss\u00edvel identificar intelig\u00eancia, tra\u00e7os de personalidade e at\u00e9 tend\u00eancias criminosas pelas sali\u00eancias do cr\u00e2nio. Com mapas cranianos detalhados, linguagem t\u00e9cnica e instrumentos como o frenosc\u00f3pio, ela seduziu m\u00e9dicos, juristas e empres\u00e1rios. Na pr\u00e1tica, era uma forma de mascarar preconceitos sociais com verniz cient\u00edfico, oferecendo respostas simples para fen\u00f4menos complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de um s\u00e9culo depois, o mundo veria algo semelhante com o ADE 651 \u2014 um \u201cdetector de bombas\u201d vendido a governos por milhares de d\u00f3lares. O equipamento, apresentado com jarg\u00e3o t\u00e9cnico e apar\u00eancia sofisticada, era na verdade um bast\u00e3o de pl\u00e1stico com uma antena m\u00f3vel, ativada involuntariamente pelo pulso do operador. Seu uso levou \u00e0 morte de centenas de pessoas em atentados que poderiam ter sido evitados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas hist\u00f3rias nos lembram que modelos mal fundamentados, mesmo com apar\u00eancia cient\u00edfica, podem trazer s\u00e9rias consequ\u00eancias.<br>Mas o que tudo isso tem a ver com a vibra\u00e7\u00e3o gerada por um desmonte? Mais do que limitar velocidades de part\u00edcula a certos valores num\u00e9ricos, projetar desmontes para atender a a NBR 9653:2018 exige um entendimento um pouco mais profundo do que uma simples equa\u00e7\u00e3o de previs\u00e3o de velocidade de pico de part\u00edcula. Voc\u00ea precisa entender o que s\u00e3o as frequ\u00eancias de oscila\u00e7\u00e3o, por que elas importam e como elas afetam a resposta estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste texto, vamos construir, passo a passo \u2014 do sistema massa-mola amortecido \u00e0 integral de Duhamel, da an\u00e1lise dimensional ao espectro de resposta \u2014 uma abordagem cl\u00e1ssica para prever frequ\u00eancias e estimar as velocidades de part\u00edcula com modelos um pouco mais completos que os cl\u00e1ssicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso objetivo \u00e9 mostrar que projetar desmontes conforme a NBR 9653:2018 n\u00e3o \u00e9 simplesmente aplicar uma f\u00f3rmula de previs\u00e3o de PPV. \u00c9 entender como uma estrutura vibra, por que vibra, e o que acontece quando ela encontra a frequ\u00eancia errada no momento errado.<\/p>\n\n\n\n<p>E no final deste texto, retornaremos \u00e0s hist\u00f3rias da frenologia e do ADE 651 \u2014 para mostrar como met\u00e1foras ruins, modelos mal escolhidos e interpreta\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis podem gerar uma confian\u00e7a perigosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sir Taylor e a bomba.<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, quando os testes nucleares do Projeto Manhattan ainda eram segredos de Estado,  o f\u00edsico ingl\u00eas <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Geoffrey_Ingram_Taylor\">Sir Geoffrey Ingram Taylor<\/a> surpreendeu o mundo ao estimar, com not\u00e1vel precis\u00e3o, a energia liberada na explos\u00e3o da bomba at\u00f4mica \u2014 <a href=\"https:\/\/www.wtamu.edu\/~dcraig\/PHYS4340\/070119_bombscale.pdf\">apenas observando fotografias da frente de choque em expans\u00e3o publicadas em revistas populares<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem acesso a relat\u00f3rios confidenciais, f\u00f3rmulas m\u00e1gicas ou sensores sofisticados, ele usou an\u00e1lise dimensional \u2014 uma ferramenta conceitualmente simples, mas poderosa. Particularmente, a grande estrela da an\u00e1lise feita por Taylor foi o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teorema_%CF%80_de_Vaschy-Buckingham\">Teorema \\(\\pi\\) de Vaschy-Buckingham.<\/a><br>Uma pequena descri\u00e7\u00e3o deste teorema \u00e9 necess\u00e1ria para que voc\u00ea possa trilhar nosso texto sem maiores dificuldades. Sen\u00e3o vejamos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A natureza puramente f\u00edsica das coisas: nada depende de como nomeamos a massa, o comprimento ou o tempo. O Teorema \\(\\pi\\) de forma simplificada.<\/h2>\n\n\n\n<p>As leis naturais n\u00e3o dependem das unidades que escolhemos. Seja qual for o sistema de medida \u2014 metros ou polegadas, segundos ou mil\u00eanios, gramas ou toneladas \u2014 o comportamento da natureza permanece o mesmo. Naquela manh\u00e3 bem fria de inverno, o acordar descal\u00e7o e a topada do mindinho na quina da cama vai te causar a mesma dor se voc\u00ea medir a for\u00e7a aplicada no seu pobre dedinho em Newtons, Dinas ou qualquer outra unidade que queira.<br>Al\u00e9m disso, toda equa\u00e7\u00e3o f\u00edsica precisa ser dimensionalmente coerente. N\u00e3o d\u00e1 pra somar metros com segundos nem igualar uma for\u00e7a com uma dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessas constata\u00e7\u00f5es surge o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teorema_%CF%80_de_Vaschy-Buckingham\">Teorema \\(\\pi\\) de Vaschy-Buckingham<\/a>, que diz basicamente o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se um fen\u00f4meno f\u00edsico envolve \\(n\\) vari\u00e1veis com \\(k\\) dimens\u00f5es fundamentais (como massa, comprimento e tempo), ent\u00e3o ele pode ser descrito por \\( p = n\u2212k \\) combina\u00e7\u00f5es adimensionais, chamadas de \\( \\pi_1,\\pi_2,&#8230;,\\pi_p \\), de modo que:<br>\\( F(\\pi_1, \\pi_2, \\dots, \\pi_p) = 0\\)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Eu sei, esse teorema parece meio estranho na primeira vez que voc\u00ea topa com ele. E se voc\u00ea se aprofundar mais, ver\u00e1 que ele \u00e9 intimamente ligado a conceitos da algebra linear quando voc\u00ea trata as dimens\u00f5es como vetores de uma base canonica e procura pelo espa\u00e7o nulo da matriz associada as unidades do fen\u00f4meno estudado. Mas n\u00f3s n\u00e3o vamos nos aprofundar nos detalhes deste teorema, n\u00e3o \u00e9 o foco aqui.<br>A \u00faltima parte \u00e9 muito sint\u00e9tica &#8211; no sentido de trazer muito conte\u00fado em uma pequena dose:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( F(\\pi_1, \\pi_2, \\dots, \\pi_p) = 0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos tentar destrinch\u00e1-la melhor. <br>Primeiro, observe que \\(F\\) \u00e9 uma nota\u00e7\u00e3o para uma fun\u00e7\u00e3o.<br>Isso significa que \\(F\\) pega um monte de vari\u00e1veis \u2014 no nosso caso, \\(\\pi_1,\\pi_2\\dots,\\pi_p\\)\u200b \u2014 e devolve um \u00fanico valor como resposta. No caso do Teorema \\(\\pi\\), esse valor \u00e9 zero:<br>\\( F(\\pi_1, \\pi_2, \\dots, \\pi_p) = 0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Pode parecer estranho uma fun\u00e7\u00e3o &#8220;devolver zero&#8221;, mas isso \u00e9 comum na f\u00edsica. \u00c9 igual quando voc\u00ea tem uma equa\u00e7\u00e3o do tipo:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( y = 2x + 1\\rightarrow F(x,y) = y \u2212 2x \u2212 1 = 0 \\)<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que isso \u00e9 a mesma coisa \u2014 s\u00f3 escrita de outro jeito.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que s\u00e3o, afinal, esses n\u00fameros \\(\\pi\\)?<br>Eles s\u00e3o as combina\u00e7\u00f5es adimensionais que surgem a partir das vari\u00e1veis envolvidas no problema f\u00edsico que estamos estudando.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense neles como as unidades neutras do sistema: n\u00e3o importa se voc\u00ea mede em metros ou polegadas, segundos ou horas \u2014 o valor de um n\u00famero \\(\\pi\\) continua o mesmo. \u00c9 como se ele representasse a ess\u00eancia do fen\u00f4meno, sem as amarras das unidades de medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das introdu\u00e7\u00f5es ao Teorema \\(\\pi\\), o pessoal costuma usar o famoso<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Coeficiente_de_Reynolds\"> <strong>n\u00famero de Reynolds<\/strong>,<\/a> aquele que aparece na din\u00e2mica dos fluidos e decide se o escoamento \u00e9 laminar ou turbulento. Mas isso exige mais tempo, envolve viscosidade e n\u00e3o ajuda muito no que queremos aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso foco n\u00e3o \u00e9 o Teorema \\(\\pi\\) em si (e, diga-se de passagem, acho que j\u00e1 passamos por uns bons par\u00e1grafos sobre ele). O que a gente realmente quer \u00e9 entender como usar ideias simples de grandezas f\u00edsicas, como o pessoal faz no estudo das vibra\u00e7\u00f5es por desmonte de rocha e assim como Sir Geoffrey Taylor deduziu a quantidade de energia de uma explos\u00e3o nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>Sir Taylor sabia que, idealmente, durante uma explos\u00e3o como a de uma bomba at\u00f4mica, forma-se uma onda de choque esf\u00e9rica que se propaga pelo ar. Essa onda carrega consigo grande parte da energia liberada pela explos\u00e3o e comprime violentamente o ar \u00e0 sua frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Taylor sup\u00f4s que o raio \\(R\\) da frente da onda de choque dependeria apenas de tr\u00eas coisas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>A energia \\( E \\) liberada na explos\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>A densidade do ar \\( \\rho \\) ;<\/li>\n\n\n\n<li>E o tempo \\( t \\) decorrido desde a detona\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, ele considerou que havia uma fun\u00e7\u00e3o do tipo: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(R = f(E,\\rho,t)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele n\u00e3o queria saber <em>como<\/em> era a fun\u00e7\u00e3o \\(f\\). Ele queria encontrar a forma geral dessa rela\u00e7\u00e3o, e pra isso usou o Teorema \\( \\pi\\) !<\/p>\n\n\n\n<p>Veja, as vari\u00e1veis envolvidas t\u00eam as seguintes dimens\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(R \\rightarrow [L]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(E \\rightarrow [M L^2 T^{-2}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(\\rho \\rightarrow [M L^{-3}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(t \\rightarrow [T]\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Temos \\(n=4\\) vari\u00e1veis, e elas envolvem \\( k=3 \\)dimens\u00f5es fundamentais (massa, comprimento e tempo).<br>Logo, o Teorema \\(\\pi\\) nos garante que existe apenas um n\u00famero adimensional: \\(p = n\u2212k = (4 &#8211; 3) = 1\\), e a ideia \u00e9 montar uma combina\u00e7\u00e3o dessas vari\u00e1veis que n\u00e3o tenha unidade nenhuma. Essa \u00e9 a ess\u00eancia do Teorema \\(\\pi\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos tentar uma combina\u00e7\u00e3o geral do tipo:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\pi_1 =R^aE^b\\rho^ct^d\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Para continuar, fazemos algo bem simples: substitu\u00edmos cada vari\u00e1vel \u2014 \\(R,E,\\rho,t\\) \u2014 pelas suas dimens\u00f5es f\u00edsicas. Lembre-se que essas dimens\u00f5es envolvem apenas tr\u00eas unidades fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(M\\): massa<\/li>\n\n\n\n<li>\\(L\\): comprimento<\/li>\n\n\n\n<li>\\(T\\): tempo<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Assim, nosso numero adimensional \\(\\pi_1\\) pode ser reescrito:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\pi_1 = R^aE^b\\rho^ct^d = [L]^a[ML^2T^{\u22122}]^b[ML^{\u22123}]^c[T]^d <br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Reagrupando as potencias de mesma base temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>[L]^{a+2b-3c}[M]^{b+c}[T]^{d\u22122b}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Para que \\(\\pi_1\\) seja adimensional, todos os expoentes devem ser zero, logo:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>a+2b-3c = 0\\\\<br>b+c = 0\\\\<br>d\u22122b = 0\\\\<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 que voc\u00ea percebe que temos quatro vari\u00e1veis &#8211; a,b,c,d- e tr\u00eas equa\u00e7\u00f5es? Isso mesmo. \u00c9 isso que o Teorema \\(\\pi\\) nos disse: para o nosso caso, temos um n\u00famero adimensional, ou seja, um grau de liberdade no nosso sistema. E isso, grosso modo, diz que voc\u00ea pode, impunemente, escolher qualquer valor para uma das vari\u00e1veis que as outras v\u00e3o se encaixar na sua escolha, naturalmente. Significa que o sistema tem uma solu\u00e7\u00e3o livre, ou seja, podemos escolher um dos expoentes \u00e0 vontade (por exemplo, \\(b=1\\)), e as demais vari\u00e1veis ser\u00e3o determinadas a partir disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos escolher \\(b=1\\). (Poder\u00edamos escolher outro valor qualquer, mas isso s\u00f3 muda o \u201cformato\u201d da resposta, e n\u00e3o o conte\u00fado f\u00edsico.)<br>Agora que temos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a=\u22125<\/li>\n\n\n\n<li>b=1<\/li>\n\n\n\n<li>c=\u22121<\/li>\n\n\n\n<li>d=2<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Substitu\u00edmos esses valores na express\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\pi_1=R^aE^b\\rho^ct^d=R^{\u22125}E^1\\rho^{\u22121}t^2<br>\\\\<br>\\pi_1=\\frac{Et^2}{R^5\\rho} = constante\u200b<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Taylor pegou fotos da explos\u00e3o publicadas em revistas da \u00e9poca, nas quais o raio da frente de choque podia ser medido a partir de escalas visuais. Como o tempo \\(t\\) desde a detona\u00e7\u00e3o era conhecido, e a densidade do ar \\(\\rho\\) tamb\u00e9m, ele p\u00f4de isolar \\(E\\) da equa\u00e7\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>E=\\frac{R^5\\rho}{t^2}.A<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Para determinar a constante \\(A\\) que aparece na solu\u00e7\u00e3o, Taylor se baseou nos trabalhos do f\u00edsico sovi\u00e9tico <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leonid_Sedov\">Leonid Sedov<\/a> que, na mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m estava estudando as equa\u00e7\u00f5es da propaga\u00e7\u00e3o de ondas de choque em meios compress\u00edveis. Sedov chegou \u00e0 mesma estrutura de solu\u00e7\u00e3o de Taylor, s\u00f3 que com o modelo matem\u00e1tico completo.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o ficou conhecida como a solu\u00e7\u00e3o de Taylor\u2013Sedov (\u00e0s vezes tamb\u00e9m chamada <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Taylor%E2%80%93von_Neumann%E2%80%93Sedov_blast_wave\">Taylor\u2013von Neumann\u2013Sedov<\/a>), e a constante que aparece nessa f\u00f3rmula depende do n\u00famero de dimens\u00f5es (2D ou 3D), das propriedades termodin\u00e2micas do g\u00e1s (como o \u00edndice adiab\u00e1tico), e das condi\u00e7\u00f5es iniciais do modelo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da explos\u00e3o atmosf\u00e9rica tridimensional, essa constante pode ser estimada como \\(A \\approx 1\\), o que d\u00e1 um bom chute inicial para a estimativa de \\(E\\). O resultado foi uma  energia da ordem de: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(E\\approx 8\\times10^{13}&nbsp;joules\\)<\/p>\n\n\n\n<p>que corresponde a cerca de 20 mil toneladas de TNT, muito pr\u00f3ximo do valor real hoje conhecido para a bomba de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bombardeamentos_at%C3%B4micos_de_Hiroshima_e_Nagasaki\">Hiroshima.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea quiser se aprofundar na an\u00e1lise dimensional aplicada ao fenomeno do desmonte de rochas eu sugiro a leitura do livro <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Modelling-Effects-Blasting-Breakage-Translations\/dp\/9054102225\">Modelling the Effects of Blasting on Rock Breakage&nbsp;<\/a>dos autores V.A. Borovikov&nbsp;e&nbsp;I.F. Vanyagin. J\u00e1 te adianto: n\u00e3o \u00e9 um livro, digamos, muito simples, requer uma certa base de matem\u00e1tica e f\u00edsica, mas garanto que vai te fazer bem, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TRPBY_lxJfE\">encarar uma leitura dif\u00edcil \u00e9 um bom exerc\u00edcio de crescimento. <\/a>Este <a href=\"https:\/\/sites.science.oregonstate.edu\/~restrepo\/MTH481\/Classnotes\/GITaylor\/WhatTaylorActuallyDid.pdf?utm_source=chatgpt.com\">artigo G.I. Taylor and the Trinity test de Michael A.B. Deakin<\/a> explica de maneira bem mais detalhada o desenvolvimento aplicado por Sir Taylor. <\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, Sir Geoffrey Taylor mostrou que d\u00e1 pra estimar a energia da explos\u00e3o a partir de poucas vari\u00e1veis \u2014 tempo, densidade do meio e raio da frente de choque \u2014 usando an\u00e1lise dimensional e o Teorema \\(\\pi\\). <br>Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o para por a\u00ed, o pessoal pegou o gancho e estendeu a an\u00e1lise para outros campos. Dois engenheiros, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nicholas_Ambraseys]\">Nicholas Ambraseys <\/a>e Robert A. Hendron Jr. s\u00e3o considerados &#8220;os caras&#8221; que levaram a an\u00e1lise dimensional para a previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es de desmontes de rocha com uso de explosivos. Voc\u00ea pode encontrar muitas publica\u00e7\u00f5es destes dois gigantes da engenharia na base de dados da <a href=\"https:\/\/www.isee.org\/\">ISEE<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O teorema \\(\\pi\\)  e as vibra\u00e7\u00f5es  no desmonte de rochas.<\/h2>\n\n\n\n<p>Ambraseys e Hendron consideraram os seguintes grupos de vari\u00e1veis envolvidadas no estudo das vibra\u00e7\u00f5es geradas por cargas explosivas no desmonte de rocha:<\/p>\n\n\n\n<p>Vari\u00e1veis independentes (entrada do problema)<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(E\\): Energia do explosivo \\([ML^2T^{\u22122}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(R\\): Dist\u00e2ncia da fonte ao ponto de medi\u00e7\u00e3o \\([L]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(\\rho\\): Densidade do meio \\([ML^{\u22123}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(c\\): Velocidade de propaga\u00e7\u00e3o da onda no meio \\([LT^{\u22121}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(t\\): Tempo \\([T]\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Vari\u00e1veis dependentes (resposta do sistema)<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(u\\): Deslocamento m\u00e1ximo de part\u00edcula \\([L]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(v\\): Velocidade m\u00e1xima de part\u00edcula \\([LT^{\u22121}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(a\\): Acelera\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de part\u00edcula \\([LT^{\u22122}]\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(f\\): Frequ\u00eancia da vibra\u00e7\u00e3o \\([T^{\u22121}]\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Aplicando o Teorema \\(\\pi\\) a estes grupos de vari\u00e1veis temos \\(p = 9 &#8211; 3 = 6\\) n\u00fameros adimensionais associados. Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel construir 6 n\u00fameros \\(\\pi_i\\)\u200b que representam a ess\u00eancia do problema f\u00edsico. Uma possibilidade de agrupamento \u00e9 esta:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\pi_1 = \\frac{R^{3\/2} \\cdot \\rho^{1\/2} \\cdot c}{E^{1\/2}} \\\\<br>\\pi_2 = \\frac{E^{1\/2} \\cdot t}{R^{5\/2} \\cdot \\rho^{1\/2}} \\\\<br>\\pi_3 = \\frac{x}{R} \\\\<br>\\pi_4 = \\frac{v \\cdot R^{3\/2} \\cdot \\rho^{1\/2}}{E^{1\/2}} \\\\<br>\\pi_5 = \\frac{a \\cdot R^4 \\cdot \\rho}{E} \\\\<br>\\pi_6 = \\frac{f \\cdot R^{5\/2} \\cdot \\rho^{1\/2}}{E^{1\/2}}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que uma possibilidade de agrupamento? Existem outras? Sim! Poder\u00edamos ter escolhido outras combina\u00e7\u00f5es que gerariam alguns outros n\u00fameros adimensionais &#8211; mas sempre limitado a 6 poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es unicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os adimensionais cl\u00e1ssicos que a galera usa s\u00e3o os que o Professor Charles Dowding apresenta &#8211; com muita mestria &#8211; no seu livro <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/-\/pt\/dp\/0130781975\/ref=tmm_hrd_swatch_0?_encoding=UTF8&amp;dib_tag=se&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.O8rr4sWnn7EP1UJsbyGL0H8pipotJEWRnPKZgKdMdIo.yjNxZD6OPgiVMGq8cFtPY0zc009TwX5K2XbCPInJ5Y0&amp;qid=1747841381&amp;sr=1-1\">Blast Vibration Monitoring and Control<\/a><\/em> (leitura obrigat\u00f3ria se voc\u00ea trabalha ou quer trabalhar com sismografia de uma maneira profissional). Os adimensionais s\u00e3o estes:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\pi_1 = \\frac{u}{R}\\\\<br>\\pi_2 = \\frac{v}{c}\\\\<br>\\pi_3 = \\frac{aR}{c^2}\\\\<br>\\pi_4 = ft\\\\<br>\\pi_5 = \\frac{tc}{R}\\\\<br>\\pi_6 = \\frac{E}{\\rho c^2 R^3}\\\\<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Uma escolha s\u00e1bia faz parte da solu\u00e7\u00e3o do problema. Veja que os par\u00e2metros de \\(\\pi_1\\) at\u00e9 \\(\\pi_4\\) contem as vari\u00e1veis dependentes e os dois \u00faltimos s\u00e3o combina\u00e7\u00f5es das vari\u00e1veis independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base no conjunto de adimensionais, \u00e9 poss\u00edvel escrever a velocidade m\u00e1xima da part\u00edcula como um produt\u00f3rio do tipo: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\frac{v}{c} = \\prod_{n} \\pi_n^{\\alpha_n}\u200b\u200b\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa equa\u00e7\u00e3o geral \u00e9 uma consequ\u00eancia direta do Teorema \\(\\pi\\): ela nos diz que existe uma fun\u00e7\u00e3o que relaciona essas vari\u00e1veis f\u00edsicas atrav\u00e9s de n\u00fameros adimensionais \u2014 e que podemos expressar essa rela\u00e7\u00e3o como um produto de pot\u00eancias de cada \\(\\pi\\)\u200b.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aqui entra um ponto essencial da pr\u00e1tica: Nem todos os termos do produt\u00f3rio t\u00eam o mesmo impacto sobre o fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo do tipo de an\u00e1lise, da qualidade dos dados ou do n\u00edvel de simplifica\u00e7\u00e3o desejado, podemos manter apenas alguns poucos \\(\\pi_n\\) \u2014 e considerar que os demais est\u00e3o absorvidos no coeficiente a ser determinado empiricamente ou que variam pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, por exemplo, podemos escrever: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\frac{v}{c} = \\pi_i^{\\alpha_i} \\cdot \\pi_j^{\\alpha_j} \\cdot \\dots\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Selecionando apenas os \\(\\pi\\) mais relevantes para o problema. O professor Dowding no seu livro, por exemplo, apresenta o seguinte modelo de previs\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>u_{max} = 0,072 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,1} \\left(\\frac{3050}{c}\\right)^{1,4} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,7} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,7} (mm)<br>\\\\<br>v_{max} = 18,3 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,46} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,48} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,48} (mm\/s)<br>\\\\<br>a_{max} = 0,81 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,84} \\left(\\frac{c}{3050}\\right)^{1,45} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,28} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,28} (g)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que estamos trabalhando com adimensionais puros, al\u00e9m disso observe dois fatores importantes: <br>1 &#8211; As equa\u00e7\u00e3oes s\u00e3o dimensionalmente corretas. <br>2 &#8211; O tempo n\u00e3o aparece por que s\u00e3o equa\u00e7\u00f5es para a previs\u00e3o dos valores m\u00e1ximos, n\u00e3o para toda a medi\u00e7\u00e3o temporal dos valores de deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edcula. <br>Percebeu o uso do Teorema \\(\\pi\\)? O problema \u00e9 &#8220;precisamos estimar os valores m\u00e1ximos de deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edcula, quais as vari\u00e1veis que entram no nosso estudo, ou seja, quais parametros f\u00edsicos importam?&#8221;. <br>Dowding trabalhou com estes:<br>R &#8211; dist\u00e2ncia. <br>c &#8211; Velocidade de propaga\u00e7\u00e3o do meio.<br>w &#8211; Carga explosiva.<br>\\(\\rho\\) &#8211; Densidade do meio.<br>Al\u00e9m disso, utilizou valores de refer\u00eancia para cada vari\u00e1vel e com isso, atrav\u00e9s de medi\u00e7\u00f5es em campo, determinou os coeficientes para cada fator adimensional. Utilizar valores de refer\u00eancia significa que para o estudo em quest\u00e3o, se voc\u00ea estiver a uma dist\u00e2ncia de 30,5m da fonte, utilizar uma CME com 4,54kg de explosivos e estiver em um meio com densidade de 2,4 \\(t\/m^3\\) ter\u00e1 uma velocidade de part\u00edcula de 18,3mm\/s. E se os parametros forem outros? Ent\u00e3o os expoentes de cada adimensional va\u00f5 &#8220;calibar&#8221; seu resultado. Assim, estes valores de referencia apenas normalizam a equa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a um estudo inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe outro modelo, talvez o mais amplamente conhecido e utilizado na pr\u00e1tica, para a previs\u00e3o da velocidade m\u00e1xima de part\u00edcula:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>v_{max} = k \\cdot \\left( \\frac{R}{Q^\\beta} \\right)^\\alpha<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Note que, diferentemente das equa\u00e7\u00f5es baseadas em n\u00fameros adimensionais, essa equa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 adimensional. O termo entre par\u00eanteses n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero puro, e portanto o coeficiente ( k ) precisa carregar unidades para que a equa\u00e7\u00e3o permane\u00e7a dimensionalmente correta.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando as dimens\u00f5es:<br>\\(R \\sim [L] \\)<br>\\(Q \\sim [M] \\)<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, o termo elevado a \\( \\alpha \\) possui dimens\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\left( \\frac{R}{Q^{\\beta}} \\right)^{\\alpha} \\sim [L]^{\\alpha} \\cdot [M]^{-\\alpha \\beta}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos que a dimens\u00e3o de \\( v_{max} \\) \u00e9 \\( [L T^{-1}] \\), o coeficiente ( k ) deve ter, obrigatoriamente, dimens\u00e3o:<br><br>\\( dim(k) = [L]^{(1 &#8211; \\alpha)} \\cdot [T]^{-1} \\cdot [M]^{\\alpha \\beta} \\)<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que o coeficiente \\( k \\) n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero arbitr\u00e1rio: ele depende das unidades adotadas e dos valores dos expoentes utilizados. Essa depend\u00eancia dimensional \u00e9 frequentemente ignorada, o que pode gerar inconsist\u00eancias ou dificultar a compara\u00e7\u00e3o entre diferentes modelos emp\u00edricos. Isso explica por que modelos ajustados com diferentes geometrias, maci\u00e7os ou cargas explosivas apresentam coeficientes com diferentes magnitudes e unidades impl\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p>E importante observar que este modelo cl\u00e1ssico pode ser compreendido \u2014 e at\u00e9 fundamentado \u2014 a partir de uma estrutura adimensional mais rigorosa. De fato, entre os n\u00fameros adimensionais extra\u00eddos por an\u00e1lise dimensional para o problema da vibra\u00e7\u00e3o induzida por explosivos, temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\pi_6 = \\frac{E}{\\rho c^2 R^3},<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Esse termo, al\u00e9m de ser adimensional, est\u00e1 relacionado \u00e0 intensidade da frente de onda em uma propaga\u00e7\u00e3o esf\u00e9rica. A teoria da propaga\u00e7\u00e3o de ondas em meios el\u00e1sticos mostra que a energia por \u00e1rea da frente de onda decresce com \\( (1\/R^{\\gamma}) \\), e que a velocidade de part\u00edcula associada \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>v \\sim \\frac{1}{R^{\\gamma}} \\cdot \\sqrt{\\frac{E}{\\rho c}},<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>o que implica que o comportamento observado nos modelos emp\u00edricos, onde \\( v \\propto R^{-\\alpha} \\) com \\( \\alpha &gt; 0 \\), reflete diretamente essa atenua\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica natural da propaga\u00e7\u00e3o da onda.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, ao se escrever:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>v_{max} = k \\cdot \\left( \\frac{R}{Q^\\beta} \\right)^\\alpha<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>estamos, na pr\u00e1tica, propondo uma rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica onde a dist\u00e2ncia atua como um fator de atenua\u00e7\u00e3o (por isso o expoente \\( \\alpha \\) \u00e9 negativo se reescrito como \\( v \\propto R^{-\\alpha} )\\), e o termo \\( Q^\\beta \\) representa uma aproxima\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para a energia ( E ) \u2014 isto \u00e9, \\( Q \\propto E \\). <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vimos que esse modelo n\u00e3o \u00e9 adimensional por si s\u00f3, e por isso o coeficiente \\( k \\) precisa compensar as unidades f\u00edsicas faltantes. Mas com o suporte da an\u00e1lise dimensional e da teoria da propaga\u00e7\u00e3o de ondas, conseguimos entender a origem f\u00edsica dos expoentes e por que esse tipo de equa\u00e7\u00e3o funciona t\u00e3o bem em campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que todo esse desenvolvimento em torno de modelos de previs\u00e3o de vibra\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Porque, para projetar desmontes que possam atender aos limites de vibra\u00e7\u00e3o da NBR 9653:2018, o modelo cl\u00e1ssico isolado, <\/p>\n\n\n\n<p>\\(v_{max}=k \\cdot \\left( \\frac{R}{Q^\\beta} \\right)^\\alpha\\)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9, na pr\u00e1tica, in\u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo pode at\u00e9 prever com razo\u00e1vel precis\u00e3o o valor m\u00e1ximo da velocidade de part\u00edcula, mas ele nada diz sobre as frequ\u00eancias  do sinal gerado pela detona\u00e7\u00e3o. E a frequ\u00eancia \u00e9 um par\u00e2metro cr\u00edtico, pois a NBR imp\u00f5e limites de vibra\u00e7\u00e3o que dependem das frequ\u00eancias geradas. Alem disso, a NBR9653 n\u00e3o trabalha com valores m\u00e1ximos de velocidade de particula, mas como todos os valores medidos nos intervalos de tempo. Portanto, prever \\(v_{max}\\) \u00e9 completamente irrelevante para a NBR9653:2018 <\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, para saber se um desmonte respeita a norma \u00e9 preciso estimar as frequ\u00eancias que podem ser geradas aliadas as suas respectivas velocidades de part\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, precisamos de modelos mais completos, como os apresentados por Dowding, que correlacionam:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(u_{max}\\)\u200b \u2014 deslocamento m\u00e1ximo;<\/li>\n\n\n\n<li>\\(v_{max}\u200b\\) \u2014 velocidade m\u00e1xima;<\/li>\n\n\n\n<li>\\(a_{max}\\)\u200b \u2014 acelera\u00e7\u00e3o m\u00e1xima;<\/li>\n\n\n\n<li>E outros par\u00e2metros f\u00edsicos como \\(c\\), \\(\\rho\\), \\(R\\), e a carga explosiva \\(w\\).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Mas antes de chegar \u00e0 previs\u00e3o da frequ\u00eancia principal, \u00e9 fundamental compreender as hip\u00f3teses simplificadoras que nos permitem estim\u00e1-la. E o ponto de partida, universalmente aceito, \u00e9 o modelo de um grau de liberdade amortecido: o cl\u00e1ssico<em> SDF Model (Single Degree of Freedom Model).<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sistema massa-mola amortecido com um grau de liberdade.<\/h2>\n\n\n\n<p>A figura abaixo introduz o conceito de um sistema massa-mola. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"971\" height=\"846\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMola-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1277\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMola-1.png 971w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMola-1-300x261.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMola-1-768x669.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> A mola, de constante \\(k\\), \u00e9 o elemento que conecta a massa \\(m\\) \u00e0 base. Inicialmente, a massa est\u00e1 em repouso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linha de refer\u00eancia \\(g\\). Qualquer movimento relativo a essa linha \u00e9 representado por uma fun\u00e7\u00e3o \\(x(t)\\). Na verdade, a linha \\(g\\) \u00e9 a nossa refer\u00eancia fixa, isto \u00e9, a unica coisa que n\u00e3os e move nesse nosso modelo.<\/p>\n\n\n\n<p>A base, por sua vez, tamb\u00e9m est\u00e1 inicialmente em repouso em rela\u00e7\u00e3o a linha de refer\u00eancia \\(g\\). Qualquer movimento da base em rela\u00e7\u00e3o a essa linha \u00e9 descrito por uma fun\u00e7\u00e3o \\(u(t)\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>x(t) representa o movimento vertical da massa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linha de refer\u00eancia \\(g\\);<\/li>\n\n\n\n<li>u(t) representa o movimento vertical da base em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linha de refer\u00eancia \\(g\\).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A mola de constante \\(k\\) conecta a massa \u00e0 base, e transmite for\u00e7as el\u00e1sticas entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa descri\u00e7\u00e3o representa um sistema idealizado: um sistema perfeito, que quando posto em movimento, nunca para. Isso acontece porque, nesse modelo com apenas uma mola e uma massa, a energia oscila continuamente entre forma cin\u00e9tica (na massa) e energia potencial el\u00e1stica (na mola), sem perdas.<\/p>\n\n\n\n<p>Concorde comigo: um sistema assim n\u00e3o tem muita chance de representar com fidelidade o comportamento de sistemas f\u00edsicos reais. Precisamos inserir algo que &#8220;roube&#8221; um pouco da energia a cada ciclo de oscila\u00e7\u00e3o, dissipando-a, como acontece em qualquer sistema real.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, introduzimos um amortecedor com coeficiente \\(c\\). Esse elemento representa tudo que consome energia sem armazen\u00e1-la elasticamente \u2014 como atrito, resist\u00eancia do ar, ou qualquer outro mecanismo dissipativo. O papel de \\(c\\) \u00e9 justamente esse: consumir energia do sistema sem devolv\u00ea-la como movimento oscilat\u00f3rio, geralmente transformando-a em calor ou deforma\u00e7\u00f5es permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura a seguir mostra a idealiza\u00e7\u00e3o deste sistema massa-mola com amortecimento \u2014 nosso modelo f\u00edsico mais fiel ao comportamento real observado em estruturas e materiais sob excita\u00e7\u00e3o din\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"971\" height=\"846\" data-id=\"1278\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecido-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1278\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecido-2.png 971w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecido-2-300x261.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecido-2-768x669.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Agora, vamos traduzir para uma linguagem mais universal todas estas considera\u00e7\u00f5es, vamos escrever este sistema segundo as Leis de Newton.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe que queremos resolver nosso sistema para o movimento relativo da massa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base. Chamaremos a fun\u00e7\u00e3o que nos d\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o da massa \\(m\\) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base de \\(y(t)\\). E:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>y(t) = x(t)-u(t)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante que voc\u00ea compreenda a fun\u00e7\u00e3o acima. Olhe a figra abaixo que mostra \\(y(t)\\) quando a base se desloca para cima da linha de referencia \\(g\\).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"971\" height=\"846\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecidoYt.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1283\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecidoYt.png 971w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecidoYt-300x261.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/sistemaMassaMolaAmortecidoYt-768x669.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> Aplicando a segunda Lei de Newton temos, de um lado da igualdade:<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a da mola: \\(F_k\u200b=\u2212k\\cdot y(t) = \u2212k (x(t)\u2212u(t))\\)<\/p>\n\n\n\n<p>For\u00e7a de amortecimento: \\(F_c\u200b=\u2212c \\cdot \\dot{y}\u200b(t) = \u2212c(\\dot{x}(t)\u2212\\dot{u}(t))\\)<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7a de amortecimento modelamos como sendo porporcional a velocidade da massa &#8211; assim como a for\u00e7a devido ao arrasto do ar devido a um corpo em queda livre. Desta fora os termos \\(\\dot{x}(t)\\) e \\(\\dot{u}(t)\\) s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\dot{x}(t)=\\frac{dx}{dt}<br>\\\\<br>\\dot{u}(t)=\\frac{du}{dt}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto\\(F_k\\) quanto \\(F_c\\) possuem sinal negativo pois se op\u00f5em ao movimento da massa. Ambas resultam na for\u00e7a l\u00edquida agindo sobre \\(m\\), assim:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(F_k + F_c = m\\ddot{x}(t)\\) <\/p>\n\n\n\n<p>Perceba que \\(\\ddot{x}(t)\\) \u00e9 a acelera\u00e7\u00e3o da massa \\(m\\). Rearranjando os termos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>m\\ddot{x}(t) = F_k + F_c = -k(x(t) &#8211; u(t)) &#8211; c(\\dot{x}(t) &#8211; \\dot{u}(t))<br>\\\\.\\\\<br>m\\ddot{x}(t) + c\\dot{x}(t) + kx(t) = ku(t) + c\\dot{u}(t)<br>\\\\.\\\\<br>\\text{Como } y(t) = x(t) &#8211; u(t) \\Rightarrow x(t) = y(t) + u(t)<br>\\\\.\\\\<br>m(\\ddot{y}(t) + \\ddot{u}(t)) + c(\\dot{y}(t) + \\dot{u}(t)) + k(y(t) + u(t)) = ku(t) + c\\dot{u}(t)<br>\\\\.\\\\<br>m\\ddot{y}(t) + m\\ddot{u}(t) + c\\dot{y}(t) + c\\dot{u}(t) + ky(t) + ku(t) = ku(t) + c\\dot{u}(t)<br>\\\\.\\\\<br>m\\ddot{y}(t) + m\\ddot{u}(t) + c\\dot{y}(t) + ky(t) = 0<br>\\\\.\\\\<br>m\\ddot{y}(t) + c\\dot{y}(t) + ky(t) = -m\\ddot{u}(t)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00faltima equa\u00e7\u00e3o mostra que o movimento relativo da massa depende diretamente de como a base \u00e9 solicitada. E sim, voc\u00ea provavelmente j\u00e1 percebeu: estamos lidando com uma equa\u00e7\u00e3o diferencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa, em termos simples, que n\u00e3o estamos procurando apenas um n\u00famero, um valor espec\u00edfico da vari\u00e1vel \\(y(t)\\), mas sim qual a forma que a fun\u00e7\u00e3o \\(y(t)\\) deve ter para que descreva o comportamento do sistema ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea se lembra das suas aulas de c\u00e1lculo, deve recordar que, quando temos algo multiplicando a derivada de ordem dois \u2014 neste caso, a massa multiplicando a acelera\u00e7\u00e3o relativa: \\(m\\ddot{y}(t)\\) &#8212; a resolu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o se torna um pouco mais trabalhosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor dos mundos, do ponto de vista da an\u00e1lise matem\u00e1tica, \u00e9 deixar esse termo sozinho no lado esquerdo da equa\u00e7\u00e3o, solit\u00e1rio como um estagi\u00e1rio no primeiro churrasco da obra. Para isso, basta dividir tudo pela massa \\(m\\):<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\frac{m\\ddot{y}(t) + c\\dot{y}(t) + ky(t)}{m} =\\frac{ -m\\ddot{u}(t)} {m}<br>\\\\.\\\\<br>\\ddot{y}(t) + \\frac{c}{m}\\dot{y}(t) + \\frac{k}{m}y(t) = -\\ddot{u}(t)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora aparecem dois coeficientes:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\frac{c}{m}<br>\\\\<br>\\text{e}<br>\\\\<br>\\frac{k}{m}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois coeficientes que surgem ao dividir a equa\u00e7\u00e3o por \\(m\\) s\u00e3o como sal na cozinha: est\u00e3o presentes em toda receita que envolve vibra\u00e7\u00e3o. Vai encontr\u00e1-los em praticamente todo sistema oscilat\u00f3rio \u2014 seja numa ponte, numa m\u00e1quina, em desmonte de rochas ou at\u00e9 no seu bolso, dentro do celular, quando ele vibra em uma chamada.<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00e3o t\u00e3o recorrentes que ganham nomes pr\u00f3prios:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\( \\frac{k}{m} \\)\u200b \u00e9 chamado de frequ\u00eancia natural ao quadrado, representado por \\( (\\omega_n)^2 \\) (j\u00e1 veremos do porque &#8220;ao quadrado&#8221;)\u200b;<\/li>\n\n\n\n<li>\\( \\frac{c}{m} \\) est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 raz\u00e3o de amortecimento \\( \\xi \\), uma grandeza adimensional que nos diz o quanto de energia o sistema dissipa a cada ciclo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Para entender a frequ\u00eancia natural &#8212; \\( \\frac{k}{m} \\)\u200b &#8212; vamos considerar a vers\u00e3o mais simples do nosso modelo: um sistema massa-mola sem amortecimento e sem excita\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Eliminando o amortecimento \\(c=0\\) e supondo que a base n\u00e3o se move \\(u(t)=0\\), a equa\u00e7\u00e3o de movimento relativa fica:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br> m\\ddot{y}(t)+ky(t) = 0 \\rightarrow \\ddot{y}(t)+\\frac{k}{m}y(t)=0<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Equa%C3%A7%C3%A3o_diferencial_linear_de_segunda_ordem\">equa\u00e7\u00e3o diferencial linear homog\u00eanea de segunda ordem com coeficiente constante<\/a>. A solu\u00e7\u00e3o geral depende das ra\u00edzes da equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>r^2+\\frac{k}{m}\u200b=0 \\rightarrow r =\\pm \\imath \\sqrt{\\frac{k}{m}}\u200b\u200b<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 oscilat\u00f3ria, do tipo:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( y(t) =A \\cos(\\omega_n\u200bt)+B \\sin(\\omega_n\u200bt)\\text{ com } \\omega_n\u200b=\\sqrt{\\frac{k}{m}} \\rightarrow \\omega_n^2 = \\frac{k}{m}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>A constante \\( \\omega_n \\)\u200b que aparece na solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a frequ\u00eancia angular natural do sistema. Ela depende diretamente da rigidez da mola \\(k\\) e inversamente da massa \\(m\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso faz todo o sentido f\u00edsico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Quanto mais r\u00edgido o sistema, mais r\u00e1pido ele oscila;<\/li>\n\n\n\n<li>Quanto mais pesado, mais lento ele responde.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A frequ\u00eancia natural n\u00e3o \u00e9 algo \u201cinventado\u201d: ela emerge naturalmente da solu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o de movimento do sistema livre.<br>Ela \u00e9 a caracter\u00edstica mais fundamental de qualquer sistema oscilat\u00f3rio \u2014 o &#8220;batimento card\u00edaco&#8221; da estrutura. \u00c9 dela que devemos nos distanciar quando falamos de frequencias associadas ao desmonte de rochas por explosivos. Se nosso desmonte gera frequ\u00eancias iguais ou muito pr\u00f3ximas a frequencia natural da estrutura, a estrutura amplificar\u00e1 a sua resposta, ou seja, a velocidade de part\u00edcula medida na estrutura ser\u00e1 maior que \u00e0quela que chegou at\u00e9 ela. Isto \u00e9 um dos pilares te\u00f3ricos do porque diversas normas de controle de vibra\u00e7\u00e3o utilizam n\u00e3o s\u00f3 a velocidade de part\u00edcula como limita\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m a frequencia associada.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja que, at\u00e9 certo ponto, o comportamento do sistema \u00e9 definido por sua massa \\(m\\), por uma constante de mola \\(k\\) e por uma constante de amortecimento \\(c\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estamos lidando com um modelo idealizado \u2014 como uma massa presa a uma mola \u2014 \u00e9 relativamente simples identificar esses par\u00e2metros. Mas e se, em vez de uma massa ideal, estivermos falando de um pr\u00e9dio de dez andares? Como medir a sua massa total? E pior ainda: o que seria a constante de mola \\(k\\) para uma constru\u00e7\u00e3o desse tipo?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse momento que a abstra\u00e7\u00e3o puramente matem\u00e1tica come\u00e7a a se distanciar da realidade pr\u00e1tica da engenharia. Afinal, queremos usar esses modelos para analisar as oscila\u00e7\u00f5es reais de casas, pr\u00e9dios, pontes e estruturas em geral. Mas como traduzir a ideia de \u201cconstante de mola\u201d para algo que fa\u00e7a sentido no mundo f\u00edsico?<\/p>\n\n\n\n<p>No modelo ideal, \\(k\\) mede a rigidez da mola: quanto mais dif\u00edcil \u00e9 comprimi-la, maior o valor de \\(k\\). Isso se traduz diretamente na f\u00f3rmula da for\u00e7a el\u00e1stica: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(F=k \\cdot \\Delta x\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando tratamos de constru\u00e7\u00f5es reais, n\u00e3o existe uma mola vis\u00edvel ligando o edif\u00edcio ao solo. Ent\u00e3o, o que seria \\(k\\), nesse caso?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta est\u00e1 na rigidez efetiva do sistema como um todo. Isso inclui:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A rigidez dos materiais (concreto, a\u00e7o, alvenaria);<\/li>\n\n\n\n<li>As condi\u00e7\u00f5es de apoio e funda\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>A distribui\u00e7\u00e3o de massa;<\/li>\n\n\n\n<li>E principalmente, a resposta global da estrutura \u00e0 uma for\u00e7a lateral, como a provocada por uma detona\u00e7\u00e3o ou um terremoto.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Ou seja, \\(k\\) representa a capacidade da estrutura de resistir \u00e0 deforma\u00e7\u00e3o, como se ela fosse uma \u201cmola distribu\u00edda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s de tentar medir \\(k\\), ou a massa, diretamente (o que seria quase imposs\u00edvel), recorremos a algo que podemos medir com ensaios ou sensores, desta forma nosso modelo matem\u00e1tico \u00e9 reescrito de forma a utilizar par\u00e2metros mais acess\u00edveis e universais, como frequ\u00eancia de oscila\u00e7\u00e3o e taxa de atenua\u00e7\u00e3o. Vejamos como isso se d\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos a nossa equa\u00e7\u00e3o original, mas sem a aplica\u00e7\u00e3o de qualquer estimulo externo:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\ddot{y}\u200b(t)+\\frac{c}{m}\u200b\\dot{y}\u200b(t)+\\frac{k}{m}\u200by(t)=0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa equa\u00e7\u00e3o diferencial \u00e9 a chave para entendermos os diferentes comportamentos poss\u00edveis do sistema. O que muda de um comportamento para outro s\u00e3o os coeficientes que acompanham os termos \u2014 em especial, o termo \\(\\frac{c}{m}\\).<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Equa%C3%A7%C3%A3o_diferencial_linear\">equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica <\/a>associada \u00e0 nossa equa\u00e7\u00e3o diferencial \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p> \\(r^2+\\frac{c}{m}r+\\frac{k}{m}=0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>A natureza das ra\u00edzes dessa equa\u00e7\u00e3o \u2014 reais, complexas, iguais ou distintas \u2014 determina como o sistema vibra (ou n\u00e3o vibra) ao longo do tempo. Temos 4 casos distintos de acordo com as ra\u00edzes da equa\u00e7\u00e3o caracteristica:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caso 1: Sistema puramente el\u00e1stico sem amortecimento.<\/h3>\n\n\n\n<p>Se \\(c=0\\), temos: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(r^2+\\frac{k}{m}=0 \\rightarrow r=\\pm \\imath \\sqrt{\\frac{k}{m}}\\)\u200b\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( y(t)=A\\cos\u2061(\\omega_n t)+B\\sin\u2061(\\omega_n t)\\text{ ,com\u00a0}\\omega_n=\\sqrt{\\frac{k}{m}}\\)\u200b\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema oscila indefinidamente com frequ\u00eancia natural \\(\\omega_n\\)\u200b. N\u00e3o h\u00e1 perda de energia \u2014 \u00e9 o modelo ideal, te\u00f3rico, que serve como ponto de partida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caso 2: Sistema amortecido.<\/h3>\n\n\n\n<p>Para valores intermedi\u00e1rios de \\(c\\), a equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica tem ra\u00edzes complexas com parte real negativa. A resposta do sistema \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = e^{-\\alpha t} \\left( A \\cos(\\omega_d t) + B \\sin(\\omega_d t) \\right)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, o sistema ainda oscila, mas com amplitude decrescente \u2014 a energia vai sendo dissipada gradualmente. Este \u00e9 o caso da maioria das estruturas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caso 3: Sistema criticamente amortecido.<\/h3>\n\n\n\n<p>Existe um valor espec\u00edfico de \\(c\\) que faz com que as ra\u00edzes da equa\u00e7\u00e3o sejam reais e iguais. Isso ocorre quando: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\left(\\frac{c}{m}\\right)^2 = 4\\frac{k}{m} \\quad \\Rightarrow \\quad c = 2 \\sqrt{km}\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Chamamos esse caso de amortecimento cr\u00edtico. A resposta \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = (A + Bt) e^{-\\omega_n t}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema n\u00e3o oscila, mas volta ao equil\u00edbrio o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Esse \u00e9 o limite entre os sistemas que oscilam e os que n\u00e3o oscilam.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caso 4:  Sistema superamortecido. <\/h3>\n\n\n\n<p>Se \\(c > 2\\sqrt{km}\\), o sistema \u00e9 superamortecido. As ra\u00edzes da equa\u00e7\u00e3o, \\(r_1 \\text{ e } r_2\\), s\u00e3o reais, distintas e negativas. O sistema n\u00e3o oscila, e sua resposta \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = A e^{r_1 t} + B e^{r_2 t}, \\quad r_1, r_2 &lt; 0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a oscila\u00e7\u00e3o seja completamente eliminada, o retorno ao equil\u00edbrio \u00e9 mais lento do que no caso cr\u00edtico. Este \u00e9 o caso dos amortecedores do seu carro, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas um pequeno parenteses: voc\u00ea j\u00e1 deve saber, mas n\u00e3o custa lembrar, as constantes \\(A\\) e \\(B\\) que aparecem nas solu\u00e7\u00f5es acima s\u00e3o determinadas pelas condi\u00e7\u00f5es iniciais e\/ou de contorno associadas a modelagem da ED. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Raz\u00e3o de amortecimento &#8211; \\(\\xi\\).<\/h2>\n\n\n\n<p>Diante desses diferentes regimes de amortecimento, surge a ideia de definir um \u00fanico par\u00e2metro que, de certa forma, nos diga o qu\u00e3o pr\u00f3ximo estamos do amortecimento cr\u00edtico. Esse par\u00e2metro \u00e9 a raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\), definida como: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\xi = \\frac{c}{2\\sqrt{km}}\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia sobre esse par\u00e2metro \u00e9 que podemos estim\u00e1-lo em campo. Com alguns sism\u00f3grafos, \u00e9 poss\u00edvel extrair o valor de \\(\\xi\\) diretamente da resposta da estrutura, sem precisar medir nem \\(c\\), nem \\(k\\), nem \\(m\\), individualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>E se podemos determinar \\(\\xi\\) em campo, o ideal \u00e9 reescrever a equa\u00e7\u00e3o de movimento usando \\(\\xi\\) e a frequ\u00eancia natural \\(\\omega_n\\)\u200b, no lugar das constantes \\(k\\), \\(m\\) e \\(c\\). Para isso, basta observar as rela\u00e7\u00f5es entre essas vari\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Frequ\u00eancia natural angular: \\(\\omega_n = \\sqrt{\\frac{k}{m}} \\quad \\Rightarrow \\quad \\frac{k}{m} = \\omega_n^2\\)\u200b<\/li>\n\n\n\n<li>Raz\u00e3o de amortecimento: \\(\\xi = \\frac{c}{2\\sqrt{km}} = \\frac{c}{2m\\omega_n} \\quad \\Rightarrow \\quad \\frac{c}{m} = 2\\xi\\omega_n\\)\u200b<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Substituindo essas express\u00f5es na equa\u00e7\u00e3o de movimento: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\ddot{y}(t) + 2\\xi\\omega_n \\dot{y}(t) + \\omega_n^2 y(t) = 0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a forma universal e compacta da equa\u00e7\u00e3o de um sistema massa-mola amortecido \u2014 v\u00e1lida para qualquer combina\u00e7\u00e3o de massa, rigidez e amortecimento, desde que voc\u00ea conhe\u00e7a \\(\\omega_n\\)\u200b e \\(\\xi\\).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica, agora de roupa nova<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Substituir os par\u00e2metros f\u00edsicos por \\(\\omega_n\\) e \\(\\xi\\) muda tamb\u00e9m a equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica:<\/p>\n\n\n\n<p> \\(r^2 + 2\\xi\\omega_n r + \\omega_n^2 = 0\\)<\/p>\n\n\n\n<p>As ra\u00edzes dessa equa\u00e7\u00e3o s\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(r = -\\xi \\omega_n \\pm \\omega_n \\sqrt{\\xi^2 &#8211; 1}\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Se \\( 0 &lt; \\xi &lt; 1\\) , temos \\(\\xi^2 &#8211; 1 &lt; 0\\) , e a raiz \u00e9 complexa conjugada. Isso significa que a resposta ser\u00e1 oscilat\u00f3ria com amortecimento, o que corresponde \u00e0 esmagadora maioria das estruturas civis \u2014 a menos que tenham sido projetadas com algum tipo de isolamento ou amortecimento especial.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma de solu\u00e7\u00e3o extra\u00edmos a chamada frequ\u00eancia de oscila\u00e7\u00e3o amortecida, definida como: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\omega_d = \\omega_n \\sqrt{1 &#8211; \\xi^2} \\quad \\text{(para } 0 &lt; \\xi &lt; 1 \\text{)}\\)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que essa frequ\u00eancia nos diz?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A vari\u00e1vel \\(\\omega_d\\)\u200b nos mostra com que frequ\u00eancia o sistema ir\u00e1 oscilar de fato, levando em conta o efeito do amortecimento. Quando \\(\\xi = 1\\), estamos exatamente no caso de amortecimento cr\u00edtico \u2014 e o sistema n\u00e3o oscila: ele responde uma \u00fanica vez e decai suavemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando \\(0 &lt; \\xi &lt; 1\\), entramos no reino das oscila\u00e7\u00f5es amortecidas \u2014 que \u00e9 o que mais interessa quando estamos analisando edif\u00edcios, casas, pontes e estruturas reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, as ra\u00edzes da equa\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( r = -\\xi\\omega_n \\pm i \\omega_d \\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>A parte real \\( \\xi \\omega_n \\) determina a taxa de decaimento da oscila\u00e7\u00e3o;<br>A parte imagin\u00e1ria \\( \\omega_d \\) determina a frequ\u00eancia de oscila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Solu\u00e7\u00e3o completa da EDO<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A forma geral da solu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o diferencial nesse caso \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = e^{-\\xi \\omega_n t} \\left( A \\cos(\\omega_d t) + B \\sin(\\omega_d t) \\right)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, uma oscila\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica multiplicada por uma envolt\u00f3ria exponencial decrescente \u2014 o cl\u00e1ssico &#8220;sino amortecido&#8221; da engenharia.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja no gr\u00e1fico abaixo como a resposta se comporta para diferentes valores de \\(\\xi\\). Quanto menor o valor de \\(\\xi\\), mais lenta \u00e9 a perda de energia. Quando \\(\\xi = 1\\), a oscila\u00e7\u00e3o desaparece. Isso mostra, visualmente, a transi\u00e7\u00e3o entre os regimes vibrat\u00f3rios conforme discutido acima.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"610\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento-1024x610.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1354\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento-1024x610.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento-300x179.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento-768x458.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento-1536x915.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoamortecimento.png 1980w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As estruturas que estamos acostumados a preservar quando efetuamos desmontes de rochas pr\u00f3ximos a elas, diga-se: casas de um ou mais pavimentos, pr\u00e9dios, pontes, viadutos e outras similares possuem um coeficiente \\(\\xi\\) entre \\( 0,01 \\leq \\xi \\leq 0,1\\). Voc\u00ea pode utilizar esta faixa de valores para realizar simula\u00e7\u00f5es, mas saiba que \u00e9 poss\u00edvel estimar o fator \\(\\xi\\) medindo a resposta a oscila\u00e7\u00e3o de uma estrutura em particular. Se voc\u00ea est\u00e1 detonando pr\u00f3ximo a uma edifica\u00e7\u00e3o, por exemplo, pode medir a resposta dela &#8211; colocando o sismografo sobre ela, em diversos pontos &#8211; e utilizar uma t\u00e9cnica chamada de logaritmo decremental para extrair \\(\\xi\\) diretamente do sismograma. Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estimando a raz\u00e3o de amortecimento com o logaritmo decremental<\/h2>\n\n\n\n<p>Imagine que o sistema \u00e9 levemente amortecido (caso mais comum em estruturas reais). Quando voc\u00ea o excita e depois deixa vibrar livremente, ele come\u00e7a a oscilar, mas com amplitude decrescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa resposta tem uma forma geral do tipo: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = A e^{-\\xi \\omega_n t} \\cdot \\cos(\\omega_d t)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Se observarmos os valores de pico dessa resposta ao longo do tempo, perceberemos que eles descrevem uma curva exponencial decrescente. Isso porque a amplitude decresce como: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y_{\\text{pico}}(t) = A e^{-\\xi \\omega_n t}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Veja no gr\u00e1fico abaixo o que queremos dizer quando falamos em tomar dois valores de pico consecutivos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"507\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental-1024x507.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1338\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental-1024x507.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental-300x149.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental-768x380.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental-1536x761.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/logdecremental.png 1979w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Onde est\u00e3o os picos?<\/h3>\n\n\n\n<p>Os valores m\u00e1ximos (ou m\u00ednimos) da fun\u00e7\u00e3o ocorrem quando:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(y_{\\text{pico}}(t) = \\pm A e^{-\\xi \\omega_n t}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses instantes, a fun\u00e7\u00e3o \\(y(t)\\) atinge seus picos m\u00e1ximos e m\u00ednimos, que est\u00e3o localizados sobre a envolt\u00f3ria exponencial:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(y_{\\text{pico}}\u200b(t) = \\pm Ae^{\u2212\\xi\\omega_n\u200bt}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos considerar dois picos positivos consecutivos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(y_1 = y(t_1)\\)<\/li>\n\n\n\n<li>\\(y_2 = y(t_2) \\text{, com } t_2 = t_1 + T\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em que \\(T\\) \u00e9 o per\u00edodo de oscila\u00e7\u00e3o, calculado localmente. <br>Um pequeno detalhe sobre este passo, que \u00e9 importante: At\u00e9 agora, temos nos referido a \\(\\omega_n\\)\u200b e \\(\\omega_d\\) como frequ\u00eancias angulares \u2014 ou seja, em unidades de rad\/s. No entanto, para calcular o per\u00edodo da oscila\u00e7\u00e3o (em segundos), precisamos converter essas frequ\u00eancias para ciclos completos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 feito multiplicando por \\(2\\pi\\), pois:<\/p>\n\n\n\n<p> \\(f_d = \\frac{\\omega_d}{2\\pi} \\quad \\Rightarrow \\quad T = \\frac{1}{f_d} = \\frac{2\\pi}{\\omega_d}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar claro que estamos assumindo que a resposta do sistema segue a forma da solu\u00e7\u00e3o da EDO \u2014 ou seja, uma oscila\u00e7\u00e3o senoidal amortecida. Isso \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, o sinal medido por um sism\u00f3grafo cont\u00e9m uma mir\u00edade de frequ\u00eancias, modos estruturais e efeitos de dissipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o lineares. No entanto, sob certas condi\u00e7\u00f5es, especialmente quando o sistema \u00e9 bem comportado e a excita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito ca\u00f3tica, essa aproxima\u00e7\u00e3o senoidal ainda oferece excelente acur\u00e1cia para os picos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa hip\u00f3tese \u00e9 o que permite usar o logaritmo decremental como m\u00e9todo confi\u00e1vel para estimar a raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos agora observar como a amplitude decai de um pico para o pr\u00f3ximo. Para isso, formamos a raz\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\frac{y_1}{y_2} = \\frac{A e^{-\\xi \\omega_n t_1}}{A e^{-\\xi \\omega_n t_2}} = e^{\\xi \\omega_n (t_2 &#8211; t_1)}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Note que a constante \\(A\\) se cancela, e o que sobra \u00e9 uma raz\u00e3o entre exponenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo que \\(t_2 &#8211; t_1 = T = \\frac{2\\pi}{\\omega_d}\\)\u200b, temos<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\frac{y_1}{y_2} = e^{\\xi \\omega_n T} = e^{\\xi \\omega_n \\cdot \\frac{2\\pi}{\\omega_d}}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores \\(y_1\\) e \\(y_2\\) podem ser lidos diretamente no sismograma. Assim, se definimos a vari\u00e1vel \\(\\delta\\) como:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\delta = \\ln\\left(\\frac{y_1}{y_2}\\right)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>E substituimos na express\u00e3o anterior:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\delta= \\ln \\left( e^{\\xi\\omega_n\\frac{\u200b2\\pi}{\\omega_d} } \\right) = \\xi \\omega_n\\frac{\u200b2\\pi}{\\omega_d} \\)<\/p>\n\n\n\n<p>E finalmente, usando \\(\\omega_d = \\omega_n \\sqrt{1 &#8211; \\xi^2}\\)\u200b, obtemos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\delta = \\frac{2\\pi \\xi}{\\sqrt{1 &#8211; \\xi^2} } \\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>A vari\u00e1vel \\( \\delta\\) \u00e9 conhecida como logaritmo decremental. Se isolamos \\(\\xi\\) temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\xi = \\frac{\\delta}{\\sqrt{4\\pi^2 + \\delta^2} } \\)<\/p>\n\n\n\n<p>Um pequeno exemplo. Veja no gr\u00e1fico abaixo onde temos dois picos consecutivos \\(y_1 \\approx 0,5mm\\) e \\(y_2 \\approx 0,4mm\\) <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"507\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental-1024x507.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1384\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental-1024x507.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental-300x149.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental-768x380.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental-1536x761.png 1536w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/razaoincremental.png 1979w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\delta = \\ln\\left(\\frac{0,5}{0,4}\\right) \\approx \\ln(1,25)\\approx 0,22<br>\\\\<br>\\xi = \\frac{0,22}{\\sqrt{4\\pi^2 + 0,22^2} } \\approx \\frac{0,22}{6,28}\\approx 0,035 (3,5\\%)\\) <\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui, utilizamos a resposta de deslocamento de part\u00edcula \\(y(t)\\) para estimar a raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\). Mas nada nos impede de aplicar o mesmo racioc\u00ednio usando a velocidade de part\u00edcula \\(\\dot{y}(t)\\). Isso porque a envolt\u00f3ria exponencial n\u00e3o muda: ela est\u00e1 presente tanto no deslocamento quanto na velocidade, j\u00e1 que ambas derivam da mesma fun\u00e7\u00e3o base amortecida. A forma geral da velocidade \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\dot{y}(t) = A e^{-\\xi \\omega_n t} \\cdot f(t)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Onde \\(f(t)\\) \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o oscilat\u00f3ria (cossenoides e senoides misturados), limitada entre +1 e -1, e os picos da velocidade ocorrem quando \\(f(t) = \\pm 1\\). Assim, a envolt\u00f3ria da velocidade \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p> \\(\\dot{y}_{\\text{pico}}(t) \\propto e^{-\\xi \\omega_n t}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos considerar dois picos consecutivos de velocidade:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Em \\(t=t \\text{, temos }\\dot{y}_t = A e^{-\\xi \\omega_n t}\\)<\/li>\n\n\n\n<li>Em \\(t= t + T_d \\text{\u200b, temos } \\dot{y}_{t+1} = A e^{-\\xi \\omega_n (t + T_d)} = \\dot{y}_t \\cdot e^{-\\xi \\omega_n T_d}\\)\u200b<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Fazendo a raz\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\frac{\\dot{y}_{t+1}}{\\dot{y}_t} = e^{-\\xi \\omega_n T_d}\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicando o logaritmo: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\ln\\left( \\frac{\\dot{y}_{t+1}}{\\dot{y}_t} \\right) = -\\xi \\omega_n T_d\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Como o per\u00edodo de oscila\u00e7\u00e3o amortecido \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(T_d=\\frac{2\\pi}{\\omega_n\\sqrt{1-\\xi^2}}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>\\delta_{\\dot{y}} = -\\xi \\omega_n T_d<br>\\\\<br>\\delta_{\\dot{y}} = -\\xi \\frac{2\\pi}{\\sqrt{1-\\xi^2}}<br>\\\\<br>\\frac{\\xi}{\\sqrt{1-\\xi^2}} = -\\frac{\\delta_{\\dot{y}} }{2\\pi}<br>\\)<br>Se considerarmos estruturas civsis comuns, teremos um erro pequeno se considerarmos o termo \\( 1-\\xi^2 \\approx 1\\) para valores de \\(\\xi\\) pequenos. Assim:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\xi  \\approx -\\frac{\\delta_{\\dot{y}} }{2\\pi}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, voc\u00ea pode estimar \\(\\xi\\) diretamente do seu sismograma de velocidade de part\u00edcula, quando o sism\u00f3grafo estiver medindo a resposta livre da estrutura ap\u00f3s uma excita\u00e7\u00e3o \u2014 seja ela um desmonte, um impacto ou uma vibra\u00e7\u00e3o induzida.<br>Na pr\u00e1tica, voc\u00ea pode obter diversos valores de \\(\\xi\\), dependendo do local da medi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Nos andares mais altos ou mais baixos;<\/li>\n\n\n\n<li>Pr\u00f3ximo ao p\u00e9-direito ou sobre lajes;<\/li>\n\n\n\n<li>No centro ou nas bordas de um pavimento;<\/li>\n\n\n\n<li>Pr\u00f3ximo a pilares ou sobre paredes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Cada ponto da estrutura pode responder de forma ligeiramente diferente \u2014 e isso \u00e9 perfeitamente normal. Afinal, a estrutura \u00e9 tridimensional, cont\u00ednua, com diferentes acoplamentos din\u00e2micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, voc\u00ea pode calcular o logaritmo decremental \\(\\delta\\) em v\u00e1rios pontos e depois tirar a m\u00e9dia:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\delta_{\\text{medio}} = \\frac{1}{n} \\sum_{i=1}^{n} \\ln\\left( \\frac{\\dot{y}_{i}}{\\dot{y}_{i+1}} \\right)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>E a partir disso, estimar um \\(\\xi\\) m\u00e9dio: <\/p>\n\n\n\n<p>\\( \\xi_{\\text{m\u00e9dio}} = \\frac{\\delta_{ \\text{medio} } } {2\\pi} \\)<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma \u00fanica equa\u00e7\u00e3o e dois picos consecutivos, voc\u00ea j\u00e1 tem um bom chute.<br>Com v\u00e1rios pontos e m\u00e9dias bem calculadas, voc\u00ea tem um modelo robusto e representativo do amortecimento real da sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Espectro de Resposta, Pseudovelocidade e Pseudoacelera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>As dedu\u00e7\u00f5es feitas at\u00e9 aqui \u2014 a solu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o diferencial para o sistema amortecido, os par\u00e2metros \\(\\omega_n\\)\u200b e \\(\\xi\\), e os modelos de previs\u00e3o da velocidade de part\u00edcula baseados na an\u00e1lise dimensional \u2014 nos preparam para enfrentar dois desafios fundamentais da engenharia de explosivos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Prever como uma estrutura existente vai reagir dinamicamente a um evento de excita\u00e7\u00e3o \u2014 como um desmonte pr\u00f3ximo;<\/li>\n\n\n\n<li>Estimar quais s\u00e3o as frequ\u00eancias principais que o seu desmonte ir\u00e1 gerar.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Antes de partirmos para essas dedu\u00e7\u00f5es, precisamos abrir um pequeno par\u00eantese para apresentar uma das ferramentas matem\u00e1ticas mais importantes da resposta din\u00e2mica: a solu\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o diferencial de um sistema amortecido via <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Duhamel%27s_integral\">integral de Duhamel<\/a>. Vamos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Integral de Duhamel \u2014 a resposta completa a qualquer excita\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, estudamos a resposta do sistema massa-mola-amortecido sem excita\u00e7\u00e3o externa \u2014 a chamada resposta livre.<br>Mas na pr\u00e1tica, o que temos \u00e9 sempre uma for\u00e7a que age sobre a estrutura ao longo do tempo, como vibra\u00e7\u00f5es causadas por:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>impactos;<\/li>\n\n\n\n<li>desmonte de rocha;<\/li>\n\n\n\n<li>tr\u00e1fego;<\/li>\n\n\n\n<li>trens;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A equa\u00e7\u00e3o de movimento com excita\u00e7\u00e3o externa, segundo tudo o que j\u00e1 desenvolvemos at\u00e9 agora, \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\ddot{y}(t) + 2\\xi\\omega_n \\dot{y}(t) + \\omega_n^2 y(t) = \\ddot{u}_g(t)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso objetivo agora \u00e9 encontrar a resposta \\(y(t)\\) para um dado sinal de excita\u00e7\u00e3o \\(\\ddot{u}_g(t)\\). E quem resolve isso \u00e9 a famosa integral de Duhamel.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 a seguinte: se a gente conhece a resposta do sistema a um impulso unit\u00e1rio (um \u201cempurr\u00e3ozinho\u201d em \\(t= \\tau\\)), ent\u00e3o a resposta a qualquer \\(\\ddot{u}_g(t)\\) pode ser constru\u00edda como uma soma ponderada desses impulsos, cada um com sua for\u00e7a e seu momento de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A resposta total \u00e9 a soma (integral) de infinitos impulsos multiplicados pela resposta que cada impulso gera.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na f\u00edsica, a fun\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica que podemos usar para representar um impulso, uma aplica\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida de uma for\u00e7a (pense em uma raquete acertando a bola de t\u00eanis) \u00e9 a famosa fun\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Delta_de_Dirac]\">Delta de Dirac <\/a>denotada por \\(\\delta(t &#8211; \\tau)\\). Essa fun\u00e7\u00e3o tem duas propriedades fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Ela vale zero em todos os instantes, exceto no ponto \\(t = \\tau\\);<\/li>\n\n\n\n<li>Sua integral em torno de \\(\\tau\\) \u00e9 igual a 1:<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>\\(\\int_{-\\infty}^{\\infty} \\delta(t &#8211; \\tau) \\, dt = 1\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o que fazemos \u00e9 aplicar esse impulso ao sistema massa-mola-amortecido:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(\\ddot{y}(t) + 2\\xi \\omega_n \\dot{y}(t) + \\omega_n^2 y(t) = \\delta(t &#8211; \\tau)\\)<\/p>\n\n\n\n<p>A demonstra\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o da ED acima com a fun\u00e7\u00e3o impulso unit\u00e1rio como entrada \u00e9 bem conhecida. N\u00e3o vamos nos aprofundar aqui sob o risco de nos desviarmos demais do foco. A solu\u00e7\u00e3o para condi\u00e7\u00f5es iniciais nulas \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(h(t &#8211; \\tau) = \\frac{1}{m \\omega_d} e^{-\\xi \\omega_n (t &#8211; \\tau)} \\sin(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) \\quad \\text{para } t \\geq \\tau\\)<\/p>\n\n\n\n<p>e \\(h(t &#8211; \\tau) = 0\\text{ para } t &lt; \\tau\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa fun\u00e7\u00e3o \\(h(t &#8211; \\tau)\\) \u00e9 chamada de resposta ao impulso \u2014 ou <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fun%C3%A7%C3%A3o_de_Green\">fun\u00e7\u00e3o de Green<\/a> \u2014 e representa como o sistema responde se for \u201ccutucado\u201d instantaneamente no tempo \\(\\tau\\).<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, se sabemos como o sistema responde a uma &#8220;cutucada&#8221; e se assumimos que ele vai responder de maneira similar a muitas outras solicita\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o podemos somar (integrar) todas as respostas do sistema (todos os cutuc\u00f5es) e obter a solu\u00e7\u00e3o geral:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( y(t) = \\int_0^t f(\\tau) \\cdot h(t &#8211; \\tau) \\, d\\tau\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Substituindo a fun\u00e7\u00e3o resposta \\(h(t &#8211; \\tau)\\), obtemos a forma final da Integral de Duhamel:<\/p>\n\n\n\n<p>\\( y(t) = \\frac{1}{m \\omega_d} \\int_0^t f(\\tau) \\cdot e^{-\\xi \\omega_n (t &#8211; \\tau)} \\cdot \\sin(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) \\, d\\tau \\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Se o carregamento for inercial, como no caso de vibra\u00e7\u00e3o da base devido a um desmonte, temos:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(f(t) = -m \\ddot{u}_g(t) \\quad \\Rightarrow \\quad y(t) = -\\frac{1}{\\omega_d} \\int_0^t \\ddot{u}_g(\\tau) \\cdot e^{-\\xi \\omega_n (t &#8211; \\tau)} \\cdot \\sin(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) \\, d\\tau\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Onde:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\\(\\ddot{u}_g(\\tau)\\): excita\u00e7\u00e3o aplicada na base no instante \\(\\tau\\);<\/li>\n\n\n\n<li>\\(y(t)\\) como o sistema oscila em rela\u00e7\u00e3o a base (lembre-se deste detalhe).<\/li>\n\n\n\n<li>\\(\\xi\\): raz\u00e3o de amortecimento;<\/li>\n\n\n\n<li>\\(\\omega_n\\)\u200b: frequ\u00eancia natural;<\/li>\n\n\n\n<li>\\(\\omega_d =\\omega_n\\sqrt{\u200b1\u2212\\xi^2}\\)\u200b: frequ\u00eancia amortecida;<\/li>\n\n\n\n<li>O sinal negativo indica que o sistema tende a se mover em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o da base (efeito de in\u00e9rcia).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A integral de Duhamel mostra que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Cada pedacinho de for\u00e7a aplicado em um instante \\(\\tau\\) provoca uma resposta oscilat\u00f3ria amortecida,<\/li>\n\n\n\n<li>A resposta \u00e9 mais forte se o instante est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de \\(t\\), pois a exponencial decai com o tempo,<\/li>\n\n\n\n<li>A resposta total \u00e9 a superposi\u00e7\u00e3o (integra\u00e7\u00e3o) de todas essas contribui\u00e7\u00f5es. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Essas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o, ali\u00e1s, muito semelhantes ao que acontece em um desmonte, quando detonamos as cargas espa\u00e7adas no tempo, cada uma gerando sua parcela de energia vibrat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea observar bem, estamos integrando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o da base \\(\\ddot{u}_g(t)\\).<br>No entanto, nos nossos desmontes de rocha utilizamos sism\u00f3grafos com sensores de velocidade de part\u00edcula \u2014 os famosos LVTs (Low Velocity Transducers). Eles n\u00e3o medem diretamente a acelera\u00e7\u00e3o, e sim \\(\\dot{u}_g(t)\\), a velocidade da part\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a esmagadora maioria das normas de controle de vibra\u00e7\u00f5es e estudos de potencial de dano correlacionam esse risco diretamente com a velocidade de part\u00edcula. Por isso, seria extremamente \u00fatil ter a forma da Integral de Duhamel com o sinal de entrada como a velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, aplicamos integra\u00e7\u00e3o por partes na forma cl\u00e1ssica da integral de Duhamel. Se quiser os detalhes dessa dedu\u00e7\u00e3o, recomendo uma refer\u00eancia essencial:<br><strong>Veletsos, A.S. &amp; Newmark, N.M. (1964)<\/strong><br><em>&#8220;Design Procedures for Shock Isolation Systems of Underground Protective Structures, Volume III; Response Spectra of Single Degree of Freedom Elastic and Inelastic Systems&#8221;<\/em>,<br>Air Force Weapons Laboratory Technical Documentary Report RTD TDR-63-3096 AD44989 \u2013 Volume III.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma resultante da integral \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = -\\int_0^t \\dot{u}_g(\\tau) \\cdot e^{-\\xi \\omega_n (t &#8211; \\tau)} \\left[ \\cos(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) &#8211; \\frac{\\xi}{\\sqrt{1 &#8211; \\xi^2}} \\sin(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) \\right] d\\tau\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns detalhes importantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Integral de Duhamel agora trabalha com o sinal real que voc\u00ea mediu: a velocidade da part\u00edcula \\(\\dot{u}_g(t)\\).<\/li>\n\n\n\n<li>Esse termo &#8212; \\(\\dot{u}_g(t)\\) &#8212; representa todas as medi\u00e7\u00f5es feitas a cada instante durante a oscila\u00e7\u00e3o da estrutura.<\/li>\n\n\n\n<li>E o mais importante: n\u00e3o importa se voc\u00ea usa acelera\u00e7\u00e3o \\(\\ddot{u}_g(t)\\) ou velocidade \\(\\dot{u}_g(t)\\) \u2014 o resultado da integral ser\u00e1 sempre o deslocamento relativo \\(y(t)\\) da estrutura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Agora, a grande pergunta \u00e9: Que resultados \u00fateis e pr\u00e1ticos podemos extrair da integral de Duhamel?<\/p>\n\n\n\n<p>A forma integral que desenvolvemos at\u00e9 aqui, seja com acelera\u00e7\u00e3o \\(\\ddot{u}_g(t)\\) ou com velocidade \\(\\dot{u}_g(t)\\), nos permite extrair duas grandes previs\u00f5es pr\u00e1ticas para a engenharia de vibra\u00e7\u00f5es causadas por desmontes de rocha:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>As chamadas pseudovelocidade e pseudoacelera\u00e7\u00e3o \u2014 duas grandezas derivadas que condensam, de forma elegante, a resposta m\u00e1xima do sistema a uma excita\u00e7\u00e3o qualquer;<\/li>\n\n\n\n<li>O famos\u00edssimo espectro de resposta, que nos mostra como diferentes sistemas reagem ao mesmo sinal, permitindo prever quais frequ\u00eancias est\u00e3o sendo mais &#8220;energizadas&#8221; pelo desmonte.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Come\u00e7aremos pela turma das &#8220;pseudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pseudovelocidade e Pseudoacelera\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Esses nomes podem parecer ex\u00f3ticos \u00e0 primeira vista, mas o conceito por tr\u00e1s deles \u00e9 simples e extremamente \u00fatil:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A pseudovelocidade \u00e9 a velocidade equivalente que um sistema vibrat\u00f3rio amortecido atingiria, caso fosse submetido \u00e0 excita\u00e7\u00e3o registrada no solo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela est\u00e1 associada diretamente ao deslocamento relativo m\u00e1ximo da estrutura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base \u2014 ou seja, ao resultado \\(y(t)\\) que calculamos com Duhamel. Simplificando, voc\u00ea pega todo o seu sinal medido, no caso \\(\\dot{u}_g(t)\\), e aplica na integral de Duhamel. Imagine que voc\u00ea tem \\(n\\) medi\u00e7\u00f5es de velocidade de part\u00edcula, cada n-\u00e9sima medi\u00e7\u00e3o serve de entrada \\(\\dot{u}(t_n)\\) no integrando. Logo, cada entrada de velocidade vai gerar uma resposta de deslocamento. O maior valor de deslocamento \\(y(t)\\) que a integral retonar ser\u00e1 utilizado para calcular a pseudovelocidade a pseudoacelera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas existem algumas hip\u00f3teses e considera\u00e7\u00f5es que devem ser aceitas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li> Voc\u00ea deve assumir que a oscila\u00e7\u00e3o pode ser razoavelmente aproximada por uma oscila\u00e7\u00e3o senoidal. Isso \u00e9 bastante comum em vibra\u00e7\u00f5es estruturais, e nos permite usar as rela\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas entre deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o, assumindo: \\(y(t) = Y \\cos(\\omega t + \\phi)\\)<\/li>\n\n\n\n<li>Veja que existem pseudovelocidades e pseudoacelara\u00e7\u00f5es para cada par frequencia natural \\(\\omega_n\\) e raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>As cl\u00e1ssicas rela\u00e7\u00f5es entre deslocamento,velocidade,acelera\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia quando assumimos que o movimento \u00e9 senoidal s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Velocidade: \\(\\dot{y}(t) = -Y \\omega_n \\sin(\\omega_n t) \\quad \\Rightarrow \\quad |\\dot{y}_{\\text{max}}| = \\omega_n Y\\)<\/li>\n\n\n\n<li>Acelera\u00e7\u00e3o: \\(\\ddot{y}(t) = -Y \\omega_n^2 \\cos(\\omega_n t) \\quad \\Rightarrow \\quad |\\ddot{y}_{\\text{max}}| = \\omega_n^2 Y\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>E com isso, podemos agora definir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pseudovelocidade: \\(PV = \\omega_n \\cdot y_{\\text{max} } \\)<\/li>\n\n\n\n<li>Pseudoacelera\u00e7\u00e3o: \\(PA  = \\omega_n^2 \\cdot y_{\\text{max} }\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 pensando que o maior valor medido da velocidade \\(\\dot{u}(t)\\) vai produzir a maior pseudoacelera\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 totalmente certo. Veja, pode coincidir que a maior velocidade produza a maior pseudovelocidade de resposta. Mas nem sempre, ou melhor, quase sempre n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece.A integral de Duhamel mostra como um sistema determinado por uma frequencia natural \\(\\omega_n\\) e uma raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\) reaje a uma entrada qualquer e o valor m\u00e1ximo que ela retorna depende n\u00e3o s\u00f3 da entrada \\(\\dot{u}(t)\\), mas tamb\u00e9m de  \\(\\omega_n\\) e \\(\\xi\\) e de todo o passado do sinal. Vejamos um exemplo  de como aplicamos Duhamel a um sinal discreto, igual aquele que voc\u00ea capta em campo com seu sism\u00f3grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, n\u00f3s temos sinal real, medido com um sism\u00f3grafo, na forma:<\/p>\n\n\n\n<p> \\(\\dot{u}[t] = \\left\\{ \\dot{u}_0, \\dot{u}_1, \\dot{u}_2, \\dots, \\dot{u}_N \\right\\}\\)<\/p>\n\n\n\n<p>ou seja, a velocidade de part\u00edcula medida ponto a ponto no tempo, com um intervalo de amostragem \\(\\Delta t\\) entre cada valor. A maioria dos bons fabricantes de sism\u00f3grafos de engenharia, como White, Geosonics, Instantel, Vibracord, permitem exportar estes valores para cada canal. Ou seja, voc\u00ea pode obter as tabelas com <em>velocidade x tempo<\/em> para os canais longitudinal, transversal e vertical. E aqui fica a dica, utilize sismografos que te permitam obter os dados crus das medi\u00e7\u00f5es. Assim voc\u00ea pode fazer as suas an\u00e1lises, independente da caixa preta dos softwares dos fabricantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso objetivo \u00e9 calcular a resposta relativa \\(y(t)\\) de um sistema definido por uma frequ\u00eancia natural \\(\\omega_n\\) e raz\u00e3o de amortecimento \\(\\xi\\) que foi, digamos, \u201cchacoalhado\u201d por esse sinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme deduzimos acima, a vers\u00e3o da integral de Duhamel que trabalha com velocidade de part\u00edcula \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(y(t) = -\\int_0^t \\dot{u}_g(\\tau) \\cdot K(t &#8211; \\tau) \\, d\\tau\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, eu sei, est\u00e1 um pouco diferente do que deduzimos acima. Mas \u00e9 que eu separei o que chamamos de n\u00facleo de convolu\u00e7\u00e3o, para deixar tudo um pouco menos polu\u00eddo e mais did\u00e1tico. O n\u00facleo de convolu\u00e7\u00e3o \u00e9: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(K(t &#8211; \\tau) = e^{-\\xi \\omega_n (t &#8211; \\tau)} \\left[ \\cos(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) &#8211; \\frac{\\xi}{\\sqrt{1 &#8211; \\xi^2}} \\sin(\\omega_d (t &#8211; \\tau)) \\right]\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Veja que se voc\u00ea juntar tudo, retornamos a dedu\u00e7\u00e3o feita anteriormente.<br>Como temos os dados em forma de um vetor discreto, isto transforma a integral em uma soma ponderada (tamb\u00e9m podemos chamar de convolu\u00e7\u00e3o discreta): <\/p>\n\n\n\n<p>\\( y[n] = -\\Delta t \\sum_{k=0}^{n} \\dot{u}[k] \\cdot K[n &#8211; k] \\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, para calcular o valor de \\(y[n]\\) (resposta no instante \\(t_n = n \\Delta t\\):<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Percorra todos os valores passados de \\(\\dot{u}[k]\\), de \\(k=0\\) at\u00e9 \\(k = n\\);<\/li>\n\n\n\n<li>Para cada valor \\(\\dot{u}[k]\\), calcule quanto ele contribui com um peso \\(K[n &#8211; k]\\);<\/li>\n\n\n\n<li>Multiplique e some tudo;<\/li>\n\n\n\n<li>Multiplique o resultado final por \\(-\\Delta t\\).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Percebeu que o n\u00facleo \\(K[n &#8211; k]\\) \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Duhamel?<br>Esse termo muda a cada \\(n\\) \u2014 e \u00e9 isso que d\u00e1 mem\u00f3ria e seletividade de frequ\u00eancia ao sistema. Ele \u00e9 calculado assim:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(K[n &#8211; k] = e^{-\\xi \\omega_n (n &#8211; k)\\Delta t} \\left[ \\cos(\\omega_d (n &#8211; k) \\Delta t) &#8211; \\frac{\\xi}{\\sqrt{1 &#8211; \\xi^2}} \\sin(\\omega_d (n &#8211; k) \\Delta t) \\right]\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, voc\u00ea ter\u00e1 um vetor \\(y[n]\\) que representa a resposta relativa de uma estrutura com frequ\u00eancia \\(\\omega_n\\)\u200b e amortecimento \\(\\xi\\) ao sinal \\(\\dot{u}[t]\\).<\/p>\n\n\n\n<p>O maior valor de \\(y[n]\\) (ou seja, o m\u00e1ximo deslocamento relativo) \u00e9 ent\u00e3o usado para calcular a turma das pseudo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pseudovelocidade: \\(PV = \\omega_n \\cdot y[n]_{\\text{max} } \\)<\/li>\n\n\n\n<li>Pseudoacelera\u00e7\u00e3o: \\(PA  = \\omega_n^2 \\cdot y[n]_{\\text{max} }\\)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Vamos fazer um exemplo para fixar isso tudo. Temos o seguinte sismograma:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"958\" height=\"522\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/velocidadeparticula-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1433\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/velocidadeparticula-1.png 958w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/velocidadeparticula-1-300x163.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/velocidadeparticula-1-768x418.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 958px) 100vw, 958px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Parte da tabela associada ao gr\u00e1fico acima \u00e9 esta:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"209\" height=\"580\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tabelaPPV-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1435\" style=\"width:216px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tabelaPPV-1.png 209w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tabelaPPV-1-108x300.png 108w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O c\u00f3digo abaixo, escrito em Python, l\u00ea um arquivo contendo dois valores por linha, separados por tabula\u00e7\u00e3o e v\u00edrgula com separador de decimal (voc\u00ea pode ajustar ao seu tipo de formata\u00e7\u00e3o facilmente). Cada par de valores das linhas do arquivo corresponde ao dados da tabela acima, ou seja, s\u00e3o os n\u00fameros que d\u00e3o origem ao gr\u00e1fico do sismograma mostrado na figura acima.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>import pandas as pd\nimport numpy as np\nimport matplotlib.pyplot as plt\n\ndf = pd.read_csv(\"testeDuhamel.txt\", sep='\\t', header=None, decimal=',')\ndf.columns = &#91;'tempo', 'velocidade']\n\n# Par\u00e2metros do sistema\nxi = 0.03 # 3%\nf_n = 10  # Hz\nomega_n = 2 * np.pi * f_n\nomega_d = omega_n * np.sqrt(1 - xi**2)\n\n# Extrair dados\nv = df&#91;'velocidade'].values  # mm\/s\nt = df&#91;'tempo'].values       # s\ndelta_t = np.mean(np.diff(t))  # intervalo de amostragem\n\n# Criar n\u00facleo de convolu\u00e7\u00e3o K&#91;n - k]\nn = len(v)\nK = np.zeros(n)\nfor i in range(n):\n    tau = i * delta_t\n    K&#91;i] = np.exp(-xi * omega_n * tau) * (\n        np.cos(omega_d * tau) - (xi \/ np.sqrt(1 - xi**2)) * np.sin(omega_d * tau)\n    )\n\n# Convolu\u00e7\u00e3o discreta\ny = -delta_t * np.convolve(v, K, mode='full')&#91;:n]\n\n# Gerar gr\u00e1fico\nplt.figure(figsize=(10, 5))\nplt.plot(t, y, label='Resposta relativa $y(t)$')\nplt.title(\"Resposta pela Integral de Duhamel\")\nplt.xlabel(\"Tempo (s)\")\nplt.ylabel(\"Deslocamento relativo $y(t)$ &#91;mm]\")\nplt.grid(True)\nplt.legend()\nplt.tight_layout()\nplt.show()\n\n# Valores m\u00e1ximos \u00fateis\ny_max = np.max(np.abs(y))\nv_pseudo = omega_n * y_max\na_pseudo = omega_n**2 * y_max\n\nprint(f\"Deslocamento relativo m\u00e1ximo (y_max): {y_max:.3f} mm\")\nprint(f\"Pseudovelocidade (v_pseudo): {v_pseudo:.3f} mm\/s\")\nprint(f\"Pseudoacelera\u00e7\u00e3o (a_pseudo): {a_pseudo:.3f} mm\/s\u00b2\")<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Em uma primeira aplica\u00e7\u00e3o, rodaamos o c\u00f3digo para uma raz\u00e3o de amortecimento de \\(3\\%\\) e uma frequencia natural de oscila\u00e7\u00e3o de \\(10Hz\\). Os resultados foram estes:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"507\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Figure-2025-05-27-144618-1024x507.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1437\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Figure-2025-05-27-144618-1024x507.png 1024w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Figure-2025-05-27-144618-300x148.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Figure-2025-05-27-144618-768x380.png 768w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Figure-2025-05-27-144618.png 1425w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Deslocamento relativo m\u00e1ximo (y_max): 0.163 mm<br>Pseudovelocidade (v_pseudo): 10.241 mm\/s<br>Pseudoacelera\u00e7\u00e3o (a_pseudo): 643.491 mm\/s\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p>Veja, de acordo com nosso sismograma o maior valor de velocidade de part\u00edcula que atinge a estrutura \u00e9 de 21,56mm\/s. Mas a estrutura vai responder, no m\u00e1ximo, com 10,241mm\/s. Isso porque nosso desmonte tem frequ\u00eancias bem distantes da frequencia de oscila\u00e7\u00e3o natural da estrutura, na verdade, nosso desmonte representando pelo sismograma tem frequ\u00eancias dominantes da ordem de 150 Hz a 200 Hz, se voc\u00ea aplicar uma FFT ao sinal vai encontrar estes valores.<br>A tabela abaixo mostra o mesmo sismograma para diferentes fequ\u00eancias naturais, mantendo a mesma raz\u00e3o de amortecimento de 3%:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Frequencia natural (Hz)<\/td><td>Deslocamento m\u00e1ximo (mm)<\/td><td>Pseudovelocidade (mm\/s)<\/td><td>Pseudoacelera\u00e7\u00e3o (mm\/s\u00b2)<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>0,103<\/td><td>2,579<\/td><td>64,824<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>0,114<\/td><td>3,587<\/td><td>112,685<\/td><\/tr><tr><td>10<\/td><td>0,163<\/td><td>10,241<\/td><td>643,491<\/td><\/tr><tr><td>15<\/td><td>0,163<\/td><td>15,377<\/td><td>1449,21<\/td><\/tr><tr><td>20<\/td><td>0,08<\/td><td>10,026<\/td><td>1259,91<\/td><\/tr><tr><td>30<\/td><td>0,115<\/td><td>21,71<\/td><td>4092,248<\/td><\/tr><tr><td>40<\/td><td>0,117<\/td><td>29,366<\/td><td>7380,364<\/td><\/tr><tr><td>50<\/td><td>0,087<\/td><td>27,315<\/td><td>8581,37<\/td><\/tr><tr><td>70<\/td><td>0,098<\/td><td>43,188<\/td><td>18994,983<\/td><\/tr><tr><td>100<\/td><td>0,07<\/td><td>43,796<\/td><td>27517,77<\/td><\/tr><tr><td>150<\/td><td>0,063<\/td><td>58,973<\/td><td>55580,543<\/td><\/tr><tr><td>200<\/td><td>0,069<\/td><td>86,364<\/td><td>108528,066<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Percebeu que, conforme a frequencia natural do sistema aumenta, a resposta tamb\u00e9m aumenta, ou seja, a velocidade de part\u00edcula da estrutura aumenta? Para frequencias naturais baixas, em torno de 5 Hz a 20 Hz, como nosso desmonte possui frequencias dominantes muito altas a estrutura responde atenuando as vibra\u00e7\u00f5es. Mas, se por acaso a estrutura tivesse uma frequencia natural de oscila\u00e7\u00e3o muito mais alta, dentro do intervalo [150 Hz ; 200 Hz] ent\u00e3o ela amplificaria muito o sinal, ou seja, entraria em resson\u00e2ncia. Percebe agora por que a NBR 9653 utiliza como limite, tamb\u00e9m, a frequ\u00eancia e n\u00e3o somente a velocidade de part\u00edcula? <\/p>\n\n\n\n<p>Veja na anima\u00e7\u00e3o abaixo como \u00e9 a resposta via Duhamel quando vamos aumentando a frequ\u00eancia natural, deixando ela cada vez mais pr\u00f3xima das frequ\u00eancias dominantes do nosso desmonte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1426\" height=\"706\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/resso_05d.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1445\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja que quando as frequencias naturais de oscila\u00e7\u00e3o das estruturas se aproximam das frequ\u00eancias dominantes do nosso desmonte fen\u00f4menos como resson\u00e2ncia e batimentos ocorrem. Isso significa que a estrutura amplifica o sinal (vibra\u00e7\u00e3o). E isso \u00e9 ruim, n\u00e3o queremos isso.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora lidamos com um sismograma pronto, um evento captado e analisamos como este evento provoca estruturas com coeficiente de amortecimento da ordem de 3% e com algumas frequencias naturais de oscila\u00e7\u00e3o. Mas, e se queremos, de alguma forma, saber quais as poss\u00edveis frequ\u00eancias que nosso desmonte vai gerar antes de detonar? De certa forma d\u00e1 para fazer isso, mas conseguimos ir at\u00e9 alguns limites onde as hip\u00f3teses que devem ser feitas come\u00e7am a n\u00e3o sustentar mais a realidade, ou seja, \u00e9 poss\u00edvel mas voc\u00ea deve tomar alguns cuidados. Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Defini\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia principal e frequ\u00eancias dominantes.<\/h2>\n\n\n\n<p>As considera\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses que devem ser aceitas para estimar as frequ\u00eancias principais e dominantes do seu desmonte s\u00e3o estas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Suas medi\u00e7\u00f5es devem poder sofrer uma aproxima\u00e7\u00e3o senoidal sem maiores preju\u00edzos, isto \u00e9, o sinal gravado pelo sismografo pode ser aproximado por uma senoide. <\/li>\n\n\n\n<li>O item acima, geralmente, s\u00f3 pode ser considerado quando estamos proximos ao desmonte e\/ou o meio de propaga\u00e7\u00e3o possui um homegeniedade adequada. Meios muito heterog\u00eanios ou dist\u00e2ncias muito grandes, transformam o sinal em um modelo aleat\u00f3rio, com diversas frequ\u00eancias presentes e com o mesmo peso para a amplitude. Isso dificulta, e muito, a aproxima\u00e7\u00e3o senoidal. Mas n\u00e3o h\u00e1 uma receita que eu possa lhe dizer de quanto seriam estas dist\u00e2ncias ou quais seriam exatamente os meios ideiais. <\/li>\n\n\n\n<li>Se podemos usar uma aproxima\u00e7\u00e3o senoidal sem maiores problemas, ent\u00e3o as frequ\u00eancias te\u00f3ricas geradas pelo sequenciamento do seu desmonte devem estar inclusas dentro do intervalo de previs\u00e3o das frequ\u00eancias dominantes. Isso pode n\u00e3o ser t\u00e3o simples de se fazer. Dependendo da configura\u00e7\u00e3o do seu desmonte, pode ser necess\u00e1rio delegar a previs\u00e3o de frequ\u00eancias  para mais do que um s\u00f3 modelo matem\u00e1tico.<\/li>\n\n\n\n<li>Para prever as frequ\u00eancias dominantes \u00e9 necess\u00e1rio um modelo mais robusto que possa prever tanto os valores m\u00e1ximos como m\u00ednimos prov\u00e1veis para o deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edcula.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Este \u00faltimo \u00edtem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em>. O que queremos dizer com isso \u00e9 que, tavez tudo bem se as outras condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem t\u00e3o perfeitas assim, mas se voc\u00ea n\u00e3o tiver um modelo que fa\u00e7a a previs\u00e3o de das tr\u00eas vari\u00e1veis citadas, voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir prever frequ\u00eancia alguma. N\u00e3o com a aproxima\u00e7\u00e3o senoidal, pelo menos.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma t\u00e9cnica muito usada pela galera da din\u00e2mica estrutural e do pessoal que trabalha com sismologia que \u00e9 a do <em>tripartite paper, <\/em>ou gr\u00e1fico tripartido, em uma tradu\u00e7\u00e3o livre. Basicamente, voc\u00ea plota os valores das pseudovelocidades, pseudoacelera\u00e7\u00f5es e deslocamento m\u00e1ximo em um gr\u00e1fico que \u00e9 feito desta forma:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O eixo horizontal contem as frequencias.<\/li>\n\n\n\n<li>O eixo vertical, as pseudovelocidades.<\/li>\n\n\n\n<li>Os eixos isometricos da acelera\u00e7\u00e3o partem a 45 graus do eixo horizontal.<\/li>\n\n\n\n<li>Os eixos isometricos do deslocamento partem a 135 graus do eixo horizontal. <\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Abaixo um exemplo da utiliza\u00e7\u00e3o desta t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"497\" height=\"513\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Tripartite-plot-demonstrating-the-theoretical-limitations-of-the-DC-SS-device.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1449\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Tripartite-plot-demonstrating-the-theoretical-limitations-of-the-DC-SS-device.jpg 497w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Tripartite-plot-demonstrating-the-theoretical-limitations-of-the-DC-SS-device-291x300.jpg 291w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Retirado de: Digitally controlled simple shear apparatus for dynamic soil testing<br>Author: Duku, Pendo M, Fugro WestStewart, Jonathan P, University of California, Los AngelesWhang, Daniel H, ExponentVenugopal, Ravi, Sysendes<br>Available from: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/245403651_Digitally_Controlled_Simple_Shear_Apparatus_for_Dynamic_Soil_Testing\">https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/245403651_Digitally_Controlled_Simple_Shear_Apparatus_for_Dynamic_Soil_Testing<\/a> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Dowding, as frequencias dominantes do seu desmonte estar\u00e3o presentes entre o limite inferior, dado pelo deslocamento, e o limite superior, dado pela acelera\u00e7\u00e3o. Veja na figura abaixo o local destacado em vermelho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"497\" height=\"513\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/frequeDominat-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1452\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/frequeDominat-1.png 497w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/frequeDominat-1-291x300.png 291w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel encontrar os v\u00e9rtices m\u00e1ximos no gr\u00e1fico se voc\u00ea tiver tr\u00eas modelos de previs\u00e3o, conforme mostramos no inicio deste texto quando mostramos o modelo adotado pelo professor Dowding:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>u_{max} = 0,072 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,1} \\left(\\frac{3050}{c}\\right)^{1,4} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,7} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,7} (mm)<br>\\\\<br>v_{max} = 18,3 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,46} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,48} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,48} (mm\/s)<br>\\\\<br>a_{max} = 0,81 \\left(\\frac{30,5}{R}\\right)^{1,84} \\left(\\frac{c}{3050}\\right)^{1,45} \\left(\\frac{w}{4,54}\\right)^{0,28} \\left(\\frac{2,4}{\\rho}\\right)^{0,28} (g)<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>No grafico acima, os pontos \\( 1 \\text{ e } 2 \\) s\u00e3o calculados como os pares [velocidade ; frequencia] assim:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>p_1 = [v_{\\text{max}};\\frac{v_{\\text{max}}}{2\\pi u_{\\text{max}}}]<br>\\\\<br>p_2 = [v_{\\text{max}};\\frac{a_{\\text{max}}}{2\\pi v_{\\text{max}}}]<br>\\\\<br>ou<br>\\\\<br>p_2 = [v_{\\text{max}};\\frac{a_{\\text{max}}}{(2\\pi u_{\\text{max}})^2}]<br>\\) <\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00f3 podemos utilizar estas equa\u00e7\u00f5es se assumirmos que o erro por aproximarmos a oscila\u00e7\u00e3o por uma senoide \u00e9 pequeno, ou, dito de outra forma, que essa aproxima\u00e7\u00e3o n\u00e3o interfere demais na nossa an\u00e1lise; lembre-se disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora voc\u00ea tem dois caminhos: pode utilizar os limites de frequ\u00eancia dados pelo deslocamento e acelera\u00e7\u00e3o m\u00e1ximos, ou, ainda, utilizar a velocidade m\u00e1xima aliada a todo o espectro de frequ\u00eancia abaixo das linhas isometricas de deslocamento e acelera\u00e7\u00e3o. Lembre-se que estamos trabalhando com modelos que preveem o m\u00e1ximo do deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o. Assim, os valores de frequencias associados as linhas isom\u00e9tricas destes valores podem ser considerados como plaus\u00edveis de ocorrerem se a aproxima\u00e7\u00e3o senoidal pode ser considerada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aplicando os limites da NBR 9653.<\/h2>\n\n\n\n<p>A NBR 9653 estabelece limites para a velocidades de vibra\u00e7\u00e3o medidas no terreno, vou repetir, s\u00f3 para garantir: NO TERRENO. Voc\u00ea j\u00e1 viu no texto acima que n\u00e3o pode medir as vibra\u00e7\u00f5es na estrutura para aplicar a norma, sen\u00e3o estar\u00e1 medindo a resposta da estrutura a vibra\u00e7\u00e3o, que, inclusive, pode ser muito inferior a gerada pelo desmonte.<br>Esses limites s\u00e3o especificados em fun\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia de vibra\u00e7\u00e3o, sendo definidos por faixas que associam valores de velocidade de part\u00edcula (em mm\/s) \u00e0 frequ\u00eancia medida (em Hz).<br>A tabela de limites da norma \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Faixa de frequ\u00eancias (Hz)<\/td><td>Limite inferior (mm\/s)<\/td><td>Limite superior (mm\/s)<\/td><td>Taxa (mm\/s) \/ (Hz)<\/td><\/tr><tr><td>[4 \u2013 15)<\/td><td>15<\/td><td>20<\/td><td>0,45<\/td><\/tr><tr><td>[15 \u2013 40]<\/td><td>20<\/td><td>50<\/td><td>1,2<\/td><\/tr><tr><td>&gt; 40<\/td><td>50<\/td><td>50<\/td><td>0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>A tabela acima diz que as frequencias associadas as medi\u00e7\u00f5es de velocidade de part\u00edcula devem obedecer a tr\u00eas curvas distintas:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Faixa de frequ\u00eancias \\(f (Hz)\\)<\/td><td>Velocidade limite \\(v (mm\/s)\\)<\/td><\/tr><tr><td>[4 \u2013 15)<\/td><td>\\(v = 0,45f + 13,18\\)<\/td><\/tr><tr><td>[15 \u2013 40]<\/td><td>\\(v=1,2f + 2 \\)<\/td><\/tr><tr><td>&gt; 40<\/td><td>\\(v=50\\)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 se perguntando quais componentes, longitudinal, transversal ou vertical, devem obedecer esta tabela? A resposta \u00e9: todas. Tanto faz, voc\u00ea n\u00e3o pode gerar velocidades acima das curvas da tabela para qualquer componente. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas como se associa um valor de frequencia a um valor de velocidade de part\u00edcula no sismograma? Existem alguma t\u00e9cnicas para isso. A mais computacionalmete barata e mais usada \u00e9 o m\u00e9todo de meio per\u00edodo por <em>zero crossing.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este m\u00e9todo consiste em analisar os pontos onde o sinal de velocidade cruza o zero, ou seja, onde muda de positivo para negativo (ou vice-versa). Se o sinal for aproximadamente senoidal, os cruzamentos com zero ocorrem a cada meio per\u00edodo da oscila\u00e7\u00e3o. Assim, ao medir o tempo entre dois cruzamentos consecutivos, podemos estimar a frequ\u00eancia local como: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(f = \\frac{1}{2 \\cdot \\Delta t}\\)\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Onde \\(\\Delta t\\) \u00e9 o tempo entre dois cruzamentos consecutivos com a linha zero. <br>A esmagadora maioria dos fabricantes de sism\u00f3grafo usam esta t\u00e9cnica para calcular as frequ\u00eancias associadas a cada valor de velocidade medido. Existem outras maneiras de se estimar a frequencia, mas esta \u00e9, sem d\u00favida, a mais usada. Ela produz uma tabela com valores de <em>velocidade de part\u00edcula x frequencia<\/em>. Ou seja, cada valor de velocidade de part\u00edcula medido tem associado uma frequ\u00eancia de oscila\u00e7\u00e3o. Diga-se de passagem, nos bons sismografos, voc\u00ea pode exportar este dados em forma de uma tabela. <\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesta tabela de<em> velocidade x frequencia<\/em> voc\u00ea pode saber se seu desmonte atende a NBR 9653. Basta aplicar as equa\u00e7\u00f5es da tabela acima de acordo com a frequencia medida. <br>Muitas, mas muitas, pessoas usam apenas as frequencias associadas aos valores de pico e aplicam os limites da NBR 9653. Mas, se voc\u00ea entendeu, pelo menos a explica\u00e7\u00e3o da resposta da estrutura, j\u00e1 sabe por que n\u00e3o pode usar apenas os valores de pico. Veja este <a href=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/2025\/03\/03\/controle-de-vibracoes-no-uso-de-explosivos-determinando-cargas-com-base-na-velocidade-de-particula\/\">outro texto<\/a> que explica, talvez, de uma maneira um pouco mais simples do porque n\u00e3o usar valores de pico apenas. <\/p>\n\n\n\n<p>E se voc\u00ea est\u00e1 simulando as frequ\u00eancias de um desmonte, poder\u00e1, como eu disse acima, optar por dois  caminhos guiados pelo <em>gr\u00e1fico tripartido<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>1 &#8211; pode utilizar os limites de frequ\u00eancia dados pelo deslocamento, velocidade e acelera\u00e7\u00e3o m\u00e1ximos para obter a a faixa prov\u00e1vel das frequ\u00eancias principais, isto \u00e9, \u00e1quelas associadas aos valores m\u00e1ximos;<\/li>\n\n\n\n<li>2 &#8211; pode utilizar as velocidades m\u00e1xima e m\u00ednima aliadas a todo o espectro de frequ\u00eancia abaixo das linhas isometricas de deslocamento e acelera\u00e7\u00e3o maximos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Seguir pelo caminho 1 \u00e9 bem simples, basta obter a velocidade m\u00e1xima do modelo \u00e9 calcular qual \u00e9 a frequencia associada a acelera\u00e7\u00e3o e ao deslocamento m\u00e1ximos, assim: <\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>v_{ \\text{max} } =  u 2 \\pi \\omega_{nv} \\Rightarrow \\omega_{nv} = \\frac{ v_{ \\text{max} } }{2u(x)\\pi}<br>\\\\<br>a_{ \\text{max} } =  (u 2 \\pi)^2 \\omega_{na} \\Rightarrow \\omega_{na} = \\frac{ a_{ \\text{max} } }{(2u\\pi)^2}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>O valor de \\(\\omega_{nv}\\) vai te dar o valor m\u00ednimo da prov\u00e1vel frequencia; J\u00e1 o valor de \\(\\omega_{na}\\), o valor m\u00e1ximo<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho 2 requer uma modelagem um pouco mais refinada. Deve-se estimar os extremos da velocidade de part\u00edcula, isto \u00e9, os valores m\u00e1ximos e m\u00ednimos prov\u00e1veis. Assim, &#8220;caminhamos&#8221; por curvas isometricas de deslocamento e acelera\u00e7\u00e3o que conectam os extremos de velocidade de part\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, digamos que nosso modelo tenha retornado os seguintes valores:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>u_{\\text{max}} = 0,6\\,mm\\\\<br>v_{\\text{max}} = 23\\,mm\/s\\\\<br>a_{\\text{max}} = 8526\\,mm\/s^2<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Com o uso das rela\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>u = \\text{constante}\\\\<br>v = 2\\pi f \\cdot u\\\\<br>a = \\text{constante}\\\\<br>v = \\frac{a}{2\\pi f}<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Obtemos o gr\u00e1fico tripartido abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"773\" height=\"632\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1493\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png 773w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-300x245.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-768x628.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As frequ\u00eancias principais, ou seja, associadas aos maiores valores de velocidade de part\u00edcula, s\u00e3o aquelas presentas na \u00e1rea destacada na figura abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"933\" height=\"632\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freqPricTripartite-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1497\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freqPricTripartite-1.png 933w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freqPricTripartite-1-300x203.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freqPricTripartite-1-768x520.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 933px) 100vw, 933px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Este intervalo de frequencias principais \u00e9 facilmente encontrado, desta forma:<\/p>\n\n\n\n<p>\\(<br>f_1 = \\frac{v_{max}}{2\\pi u_{max}} = \\frac{23}{2\\pi \\cdot 0,6} \\approx 6,1\\,Hz<br>\\\\<br>f_2 =  \\frac{a_{max}}{2\\pi v_{max}} = \\frac{8526}{2\\pi \\cdot23} \\approx 59\\,Hz<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode usar estes valores se quiser simular as frequ\u00eancias principais, isto \u00e9, \u00e0quelas associadas aos valores m\u00e1ximos de velocidade de part\u00edcula que seu modelo prev\u00ea. Mas lembre-se, ao fazer isso voc\u00ea ignora o restante do espectro. Veja na figura abaixo onde todas as poss\u00edveis frequ\u00eancias do desmonte s\u00e3o destacadas com o uso de um modelo que prev\u00ea tanto o valor m\u00e1ximo quanto o m\u00ednimo de velocidade de part\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"773\" height=\"632\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freprovaveistripartite.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1498\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freprovaveistripartite.png 773w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freprovaveistripartite-300x245.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/freprovaveistripartite-768x628.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja a tabela abaixo onde est\u00e3o inclu\u00eddas algumas frequ\u00eancias simuladas utilizando \\(v_{min}\\) e \\(v_{max}\\):<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"203\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1499\" style=\"width:797px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1.png 680w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-1-300x90.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A parte destacada em amrelo s\u00e3o os valores simulados que n\u00e3o atendem a norma. Veja na figura abaixo onde destacamos os valores que n\u00e3o atendem a NBR 9653.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"773\" height=\"632\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/foraNorma.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1500\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/foraNorma.png 773w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/foraNorma-300x245.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/foraNorma-768x628.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inclu\u00edndo o o sequ\u00eanciamento na simula\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancias.<\/h2>\n\n\n\n<p>Vamos refor\u00e7ar uma hip\u00f3tese: se voc\u00ea est\u00e1 suficientemente pr\u00f3ximo ao desmonte e o meio tem uma homogeniedade adequada, ent\u00e3o voc\u00ea pode aproximar as vibra\u00e7\u00f5es por uma senoide sem grandes preju\u00edzos \u00e0 verdade.  Se estas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o aceitas, devemos verificar se as frequ\u00eancias induzidas pela temporiza\u00e7\u00e3o das cargas explosivas est\u00e1 contida no intervalo das frequ\u00eancias principais. Caso n\u00e3o estejam, devemos aumentar o intervalo para incorporar essas frequ\u00eancias. <\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com um modelo bem simples: dois furos separados por um retardo de 25ms.<br>Sem considerar qualquer tipo de dispers\u00e3o, temos um per\u00edodo \\(T= 25ms = 0,025s\\), logo temos um frequ\u00eancia de:<br>\\(<br>f = \\frac{1}{T} = \\frac{1}{0,025} = 40 Hz<br>\\)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, observe o sequenciamento representado na imagem abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"520\" height=\"292\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/seq1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1506\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/seq1.png 520w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/seq1-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste desmonte foram utilizados tempos de 25ms e 42ms, se voc\u00ea tentar calcular as poss\u00edveis frequ\u00eancias como: <br>\\(<br>f_1 = \\frac{1000}{25} = 40 Hz <br>\\\\<br>f_2 = \\frac{1000}{42} \\approx 24 Hz\\)<\/p>\n\n\n\n<p>estar\u00e1 cometendo um erro. N\u00e3o interessa os tempos nominais dos retardos, mas a diferen\u00e7a de tempo entre as sequencias de detona\u00e7\u00e3o. Veja a tabela abaixo onde calculamos as frequ\u00eancias deste desmonte atrav\u00e9s da dieferen\u00e7a entre as sequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Sequ\u00eancia (ms)<\/td><td>Per\u00edodos (ms)<\/td><td>Frequ\u00eancias (Hz)<\/td><\/tr><tr><td>25<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>42<\/td><td>8<\/td><td>125,00<\/td><\/tr><tr><td>50<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>67<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>84<\/td><td>8<\/td><td>125,00<\/td><\/tr><tr><td>92<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>109<\/td><td>25<\/td><td>40,00<\/td><\/tr><tr><td>134<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>151<\/td><td>8<\/td><td>125,00<\/td><\/tr><tr><td>159<\/td><td>17<\/td><td>58,82<\/td><\/tr><tr><td>176<\/td><td><\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Utilizando os mesmos valores de \\(u_{\\text{max}} = 0,6\\,mm \\,,\\, v_{\\text{max}} = 23\\,mm\/s \\, ,\\,a_{\\text{max}} = 8526\\,mm\/s^2\\) vemos que a frequ\u00eancia de 125 Hz presente na tabela fica fora da previs\u00e3o das frequ\u00eancias principais, neste caso, precisamos inclu\u00ed-la. O gr\u00e1fico tripartido abaixo mostra como se d\u00e1 essa inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"773\" height=\"632\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/graficoaumentofreq.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1507\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/graficoaumentofreq.png 773w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/graficoaumentofreq-300x245.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/graficoaumentofreq-768x628.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas voc\u00ea deve ter cuidado. O calculo de frequ\u00eancias, principalmente quando se usa n\u00e3o-el\u00e9tricos, pode conduzir a previs\u00f5es err\u00f4neas se voc\u00ea n\u00e3o considerar a dispers\u00e3o dos detonadores.<br>Em desmontes de subsolo, por exemplo, \u00e9 muito comum a realiza\u00e7\u00e3o do sequenciamento com o escalonamento de tempos dos n\u00e3o-el\u00e9tricos, ou seja, faz-se a sequ\u00eancia no fundo do furo, utilizando diversos tempos para tal.<br>A tabela abaixo \u00e9 o resultado de uma simula\u00e7\u00e3o considerando alguns valores de dispers\u00e3o para diversos tempos de n\u00e3o-el\u00e9tricos. Ela mostra a probabilidade de se obter frequencias menores que 20 Hz somente pela constata\u00e7\u00e3o de que os n\u00e3o-el\u00e9tricos possuem dispers\u00e3o e n\u00e3o iniciam exatamente ao mesmo tempo, ou seja, possuem um retardo natural entre si. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"843\" height=\"833\" src=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1511\" srcset=\"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2.png 843w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2-300x296.png 300w, https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-2-768x759.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Veja que tempos mais altos tendem a serem os mais problem\u00e1ticos.<br>Este \u00e9 s\u00f3 um exemplo para te mostrar que o estudo de frequ\u00eancias \u00e9 muito amplo, diversos fatores devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um pequeno ep\u00edlogo.<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu j\u00e1 presenciei situa\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00f5es completamente err\u00f4neas da NBR 9653. J\u00e1 ouvi muitos limites de velocidade de part\u00edcula que foram &#8220;inventados&#8221; e associados, de maneira equivocada, a NBR 9653. Existe um fetiche, por exemplo, com o valor de 15mm\/s. De fato, na antiga NBR 9653 de 1986 este era o limite, independente de frequ\u00eancias. Tamb\u00e9m j\u00e1 vi 18mm\/s, 20mm\/s e at\u00e9 maiores, 50mm\/s, serem apresentados como valores seguros e vinculados como sendo extra\u00eddos na NBR 9653. Nada mais equivocado. N\u00e3o porque, de certa forma, estes valores n\u00e3o sejam seguros, mas por que n\u00e3o existem estes valores como limites na NBR 9653. Existem diversos limites de acordo com a frequ\u00eancia associada, simples. Nada impede de serem usados, o que n\u00e3o se deve fazer \u00e9 tentar vincular estes valores, que s\u00e3o mais oriundos de palpites do que da ci\u00eancia do desmonte de rochas, a NBR para tentar dar um verniz de tecnicidade.<br>Outras situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o quando estes limites baseados apenas em velocidade de part\u00edcula s\u00e3o muito baixos onde n\u00e3o h\u00e1 necessidade para tal. Em uma obra de escava\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea em uma capital brasileira a muitos anos atr\u00e1s eu presenciei a imposi\u00e7\u00e3o de um limite de 15mm\/s como um valor seguro a ser seguido. Tudo bem, de fato \u00e9 seguro, mas as consequ\u00eancias, de prazo e financeiras, ao se impor tal restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram levadas em conta. Existe uma norma que te permite alcan\u00e7ar valores muito maiores, basta saber projetar seu desmonte e segui-la. Nesta obra, eu presenciei a instala\u00e7\u00e3o de sism\u00f3grafos nos andares mais altos dos pr\u00e9dios, sobre cal\u00e7adas, enfim em todos os lugares poss\u00edveis onde n\u00e3o se deve instalar para captar os valores a serem comparados com a NBR 9653. Esta metodologia fez o \u00f3bvio: mascarou as vibra\u00e7\u00f5es medindo as respostas das estruturas. Uma bela engenharia. Tamb\u00e9m em mais de 3000 capta\u00e7\u00f5es simogr\u00e1ficas n\u00e3o foi feito nem um esbo\u00e7o, nem uma tentativa de se deduzir um modelo de previs\u00e3o por que se acreditava que, como os valores das sismografias estavam atendendo o fetiche dos 15mm\/s, n\u00e3o era necess\u00e1rio. Mas o que acontecia na verdade \u00e9 que todos estavam medindo respostas de estruturas, mas a vibra\u00e7\u00e3o real que chegavam a elas passava, as vezes, de 150mm\/s (sim, eu fiz algumas medi\u00e7\u00f5es, digamos, corretas, para nosso uso interno).<br>Estas abordagens baseadas em palpites, principalmente o palpite famoso dos 15mm\/s, lembra muito as t\u00e9cnicas usadas nas pseudoci\u00eancias, como a frenologia, descrita no inicio deste texto. Geralmente estes limites inventados vem acompanhado de um apelo \u00e0 autoridade, fal\u00e1cia cl\u00e1ssica das pseudoci\u00eancias e de refer\u00eancias obscuras, como trabahos e livros de conte\u00fados bem duvidosos. <br>E a suposta &#8220;falta de danos&#8221; quando se adota estes limites demasiados restritivos \u00e9, quase sempre, coroada com a argumenta\u00e7\u00e3o falaciosa conhecida como <em>post hoc ergo propter hoc<\/em>. O discurso \u00e9 mais ou menos esse: &#8220;Se adotamos 15mm\/s de limite e n\u00e3o ocorreram danos, ent\u00e3o o limite esta certo&#8221;. Isso \u00e9 um argumento bem infantil. Veja s\u00f3, eu vou escrever uma combina\u00e7\u00e3o de letras e simbolos abaixo:<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>QLKFJ&amp;*\u00a8$#vbnppppp******<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Estes simbolos, caro leitor, segundo a m\u00edstica tradi\u00e7\u00e3o dos polin\u00e9sios do seculo II lhe protege de tigres. Duvida? Olhe ao seu redor agora e veja se existe um tigre te atacando. Percebeu a conex\u00e3o com os supostos danos evitados pelos 15mm\/s?<br>Precisamos cuidar um pouco mais da engenharia de explosivos para n\u00e3o transforma-la em um reino de palpites, cheia de chav\u00f5es e refer\u00eancias circulares a id\u00e9ias e conceitos equivocados. E isso vale para outras \u00e1reas tamb\u00e9m; as vezes ou\u00e7o coisas que sinceramente n\u00e3o sei de onde vieram ou como foram deduzidas. J\u00e1 ouvi que cordel detonante funciona como um<em> micro-booster.<\/em> S\u00e9rio? Acho que falta muito conhecimento para uma pessoa falar isso, falta o conhecimento de<em> run up, run down<\/em> e da teoria b\u00e1sica da inicia\u00e7\u00e3o da massa explosiva. E tem muitas outras, como o famoso &#8220;gas&#8221; que existe dentro dos tubos de choque, outra lenda que n\u00e3o sei de onde veio.<br>O perigo mora quando estas ideias s\u00e3o usadas para o projeto do desmonte. Podemos estar criando situa\u00e7\u00f5es de alto risco, assim como o famoso detector de bombas  ADE 651, que cotinha a mesma tecnologia daquelas varinhas que o pessoal usa para, supostamente, encontrar \u00e1gua subterr\u00e2nea: acabou matando muitas pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe o que uma explos\u00e3o nuclear, a an\u00e1lise do formato do seu cr\u00e2nio e um detector de bombas falso t\u00eam em comum com a an\u00e1lise sismogr\u00e1fica de desmontes para atender aos limites de vibra\u00e7\u00e3o da NBR 9653:2018? A frenologia, teoria pseudocient\u00edfica do s\u00e9culo XIX, afirmava que era poss\u00edvel identificar intelig\u00eancia, tra\u00e7os de personalidade e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1188","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1188"}],"version-history":[{"count":295,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1513,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1188\/revisions\/1513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/golin.dev.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}